AODISSEIA
Filmes

Critica: Batman vs Superman: A Origem da Justiça


25 de março de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Entre o alívio, a vibração e os incômodos


Batman-Vs-Superman-poster-24Jan2016Depois de quase três anos de muita espera e expectativa em torno do tal início do Universo DC nos cinemas é realmente bom poder respirar aliviado e dizer que ele finalmente começou em um filme redondo e que deve agradar a maior parte do público. Mas, ao mesmo tempo, A Origem da Justiça passa longe de ser perfeito, tem um roteiro fraco, exageros típicos de Zack Snyder, um marketing que chegou muito perto de estragar a experiência e problemas que deixam um gostinho ruim na boca.

Como já era completamente esperado, o filme volta para a destruição de Metropolis no final de Homem de Aço para encaixar Bruce Wayne naquele universo apresentado anteriormente e dar o pontapé inicial em uma rede de intrigas que vai colocar os dois super-heróis em rota de colisão. Falar mais do que isso sobre a história pode ser bastante perigoso, então vamos avançar direto para os ponto positivos e negativos do roteiro, escrito por Chris Terrio e David S. Goyer.

Devo começar dizendo que ele demora um pouquinho mais do que o normal para engrenar, mas a apresentação dos novos personagens, o desenvolvimento das crises existenciais de cada um deles e a criação de alguns contrapontos entre os protagonistas tem sua importância e dão tom para o desenvolvimento do restante do longa. Toda a apresentação desse Batman muito mais sisudo, experiente e violento, por exemplo, funciona de maneira tão perfeita que nem a recriação da morte pela enésima vez incomoda.

Por incrível que pareça, o texto começa a se perder da metade para o final, exatamente onde isso não deveria acontecer. Chris e David falam de muitos temas diferentes de forma rasa e sem nenhum ritmo, demoram para apresentar todas as motivações e dão uma atenção muito desnecessária ao romance entre Lois Lane e o Superman, culminando em uma cena de afogamento que poderia ter sido resolvida de várias formas mais práticas e interessantes.

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A “sorte” do filme é que Zack Snyder sabe qual tom quer dar para o universo que está construindo e a sua direção se impõe o suficiente para esconder alguns dos problemas de roteiro no meio dos simbolismos excessivos, das típicas metáforas visuais e de uma pancadaria eficiente. Afinal, se tem uma coisa que Snyder já mostrou que sabe fazer é criar boas cenas de ação e retirar referências visuais dos quadrinhos de forma brilhante.

É justamente a mistura entre o Cavaleiro das Trevas, escrito por Frank Miller na década de 80, e outros arcos marcantes para os fãs que gera alguma catarse e acaba dando um novo gás para o filme, já que é impossível não vibrar e até se surpreender em pelo menos uns três momentos do último terço do longa. O duelo entre os heróis e a “primeira reunião” da Trindade resultam em cenas muito bem conduzidas, que apresentam características importantes de cada um dos personagens e funcionam muito bem na tela grande ao ponto de fazer a platéia gritar e aplaudir.

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As únicas coisas que acabaram me incomodando nesses momentos foram as desculpas esfarrapadas que o roteiro usa para conectar as cenas de forma rápida, o clímax gigantesco à la Michael Bay e o excesso de CGI no finalzinho. Todos problemas típicos dos trabalhos de Zack Snyder, ou seja, figurinhas repetidas que já me incomodaram em Homem de Aço e que, infelizmente, devem retornar nos filmes da Liga da Justiça.

Dito isso, podemos finalmente falar do elenco, que pode ser facilmente questionado e criticado ao fazer exatamente o que foi pedido pelo roteiro e pela direção. Assim Henry Cavill entrega um Superman travado e sem voz própria, Amy Adams parece estar sempre deslocada e Jesse Eisenberg transforma seu Lex Luthor em um ser afetadíssimo que poderia ser a mistura do Charada com o Coringa. Enquanto isso, Ben Affleck cria um Batman cheio de imponência e carga dramática e Gal Gadot conquista os fãs com sua beleza e carisma durante seus poucos momentos de destaque.

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No final das contas, Batman vs Superman cumpre uma boa parte do que prometeu, mas poderia ser bem melhor. Realmente temos o início da Liga da Justiça com a apresentação de de quase todos os participantes em momentos razoáveis, entretanto a maior parte do longa é mal costurado por um roteiro fraco e por uma direção exagerada. É um filme pipoca que mantém seu tom do início ao fim, conquista os fãs com momentos feitos para eles e apresenta cenas de ação grandiosas e divertidas, mas eu preciso ser honesto comigo mesmo e admitir que falta alguma coisa para ser o filme que a Trindade merece.


OBS 1: Eu ainda vou assistir o filme em IMAX essa semana. Quem sabe minha opinião não melhora depois de mais uma sessão?


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