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Séries

Crítica: Bates Motel – 4ª Temporada

Finalmente chegamos em Psicose!


18 de maio de 2016 - 14:01 - Tiago Soares

Recentemente uma onda de séries baseadas em filmes de sucesso tem atingido a TV no EUA. Ano passado tivemos a bem sucedida Scream (Pânico), que conseguiu ser renovada para uma 2ª temporada, mas também tivemos Minority Report, já cancelada. Esse ano mais um cancelamento com uma nova versão de A Hora do Rush, que sem o carisma de Chris Tucker e Jackie Chan não chamou atenção. Ano que vem uma enxurrada dessas séries virá com as já confirmadas: O Exorcista, Máquina Mortífera, MacGyver e Busca Implacável.

Mas até o momento, nada chegou os pés da precursora de todas essas, Bates Motel. Com certo olhar de desconfiança, a série foi anunciada como um prelúdio de Psicose, clássico de Alfred Hitchcock, mas acabou agradando público e crítica. Com um ar atemporal, bela fotografia, ambientação, e ótimas atuações, a série ganhou espaço no meu coração e de muitos outros. Com duas temporadas excelentes e uma terceira entre altos e baixos, a expectativa era alta para ver se a série voltaria aos eixos, e felizmente voltou.

A primeira cena da quarta temporada tem um take incrível, filmado de cima, em que um bote se afasta de um barco afundando. Claramente imaginamos que o bote é Norman Bates, que se afasta mais de sua sanidade, ou pode ser de sua mãe, que a cada dia perde as esperanças que tinha nele. A temporada tem o plot de tornar Norman Bates naquele que tanto o filme e o romance de Robert Bloch (que eu prefiro, me julguem), dizem a que veio. E não enrola nisso, na verdade, já nos primeiros episódios vemos sinais de que ele está ali. A dupla personalidade é tratada de forma genial, tanto quando Norman se veste de Norma em uma cena incrível, como quando a câmera gira para retratar de forma clara e visual que duas pessoas diferentes habitam ali.

Freddie Highmore continua impecável como Norman Bates. Até hoje não entendo o Emmy/Globo de Ouro ignorá-lo dessa forma. O ator cresce quando está em cena, mostra um personalidade dócil quando está de Norma e agressiva quando volta a si. Vera Farmiga é outra que continua excelente, a  atriz demonstra satisfação e se sente bem no papel. Norma tem o fardo de levar todos os problemas, tanto do hotel como os financeiros, além dos de Norman, em suas costas. É ótimo ver a personagem finalmente relaxada e com uma relação com o xerife Alex Romero (Nestor Carbonell). Ambos tem química, e o fato de ter Norman fora da equação, internado em uma clínica devido aos seus “apagões” e a pedido da mãe, faz a relação entre ela e o xerife evoluir de maneira natural, apesar de inicialmente ser falsa, devido ao plano de sáude que Norma não possui (mais uma vez intercedendo pelo filho).

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Um dos destaques desta temporada, é a diminuição de plots desnecessários, dando espaço para a relação Norman-Norma, e aqueles que a acompanham mais de perto, sendo que as atitudes de ambos, afetam diretamente a vida de todos. O competente Max Thieriot continua sendo a voz da razão como Dylan, o personagem se diz cansado de tudo, e transmite o que sentimos em relação a negação de Norma. O mesmo vive em uma relação necessária com a Emma de Olivia Cooke, que volta fragilizada após uma cirugia. A personagem ganha um novo respiro (com perdão do trocadilho), e é uma das mais afetadas por uma atitude de Norman. O história isolada de Romero que só surte efeito no fim e a rápida passagem de Caleb (Kenny Johnson), são os pontos baixos desta temporada, que não precisava disso, e felizmente não prejudica tanto a trama.

O interessante é ver a relação tripla de Norman/Norma/Romero e quando estes personagens finalmente interagem entre si, o show acontece. O roteiro da série é algo a se destacar aqui, pois continua fiel a obra original, mas toma liberdades criativas plausíveis. Em um monólogo Norman explica exatamente quem ele é, em outro fala o que deseja para o espectador mais desavisado que não conhece a obra-mãe. Talvez tais pessoas ficaram impressionadas com o trágico fim desta temporada, algo necessário para a evolução de Norman Bates. A montagem desta cena é algo incrível, com a câmera passeando por toda a casa. O fim é uma mistura de nojo, choque e pena, do que Norman se tornou, de um jovem amado na primeira temporada, para um sádico nesta. Com essa aula de evolução de personagem, finalmente chegamos em Psicose, e como chegamos.


Obs: A 5ª e provável última temporada da série está confirmada, e o produtor Carlton Cuse afirma que a mesma focará nos eventos de Psicose, sem recriar o clássico, mas sim tomando liberdades criativas. Marion Crane (a moça da famosa cena de um tal banheiro) está confirmada.