0

Na última sexta-feira, Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, deixou a Casa Branca. Carismático e autor de vários memes, ele saiu com um status de presidente “gente como a gente”. Hollywood resolveu explorar isso e, com a proximidade de sua saída, lançou dois filmes que abordam fases diferentes da vida do ex-homem mais poderoso do mundo. O primeiro foi Michele e Obama (Southside With You), que contava em 3 atos, e pouco menos de 90 minutos, a tarde em que o casal mais famoso do mundo se conheceu.

A outra aposta foi feita pela Netflix, que lançou Barry (apelido de Obama na adolescência/juventude), que foca na vida de Barack, bem antes de Michelle, antes de reuniões democratas, antes da política, Barry acerta justamente quando foca em um jovem negro dos anos 80, recém chegado na universidade, e que apenas busca seu lugar no mundo. O diretor estreante Vikram Gandhi, mostra seu talento ao justamente quando tenta colocar Barry como um jovem normal, sem grandes aspirações, pelo menos ainda.

O texto de Adam Mansbach ganha força aí, já que Barry não sabe muito bem aonde vai se encaixar, algo que a maioria dos jovens não sabe. Ele vive repetindo “isso não é minha praia”, além de seus amigos mais próximos falarem que ele se encaixa em qualquer lugar por ser negro, mas ter a “alma de branco”. Por ter passado por muitos lugares, nem de onde veio ele consegue responder, e o fato de seu primeiro relacionamento ser com uma jovem branca, vivida pela excelente Anya Taylor-Joy também não o ajuda, o que acaba rendendo cenas paranoicas, além de uma certa indecisão em sua mente.

A boa relação com a mãe, e não tão boa assim com o pai, é explorada, além é claro do seu “problema” com o cigarro. Vikram Gandhi ainda não mostra uma assinatura visual, exceto em um plano sequência em um corredor, e em uma cena em que filma dois cômodos num mesmo take, e mostra a ambiguidade de ambos, algo refletido na iluminação.

Infelizmente Barry peca quando as vezes deixa de lado o lugar comum de seu protagonista, para forçar a barra e dizer que Obama sempre teve um viés político. Isso pode até ter sido verdade, mas não cabia aqui. Discussões sobre política, a ponta de Barry dizer: “Política é uma bobagem” são coisas que não precisavam estar no filme, nós sabemos quem Obama se tornará, mas estamos mais interessados em saber da vida dele antes de tudo isso.

O que ajuda e muito é o carisma do protagonista, Devon Terrell em seu primeiro filme, mostra que estudou o homem e o personagem, o que p torna de fato Barack Obama, a já citada Anya Taylor-Joy faz mais um ótimo trabalho, Jason Mitchell faz uma espécie de guia moral, enquanto Avi Nash está mais para um alívio cômico, bem vindo por sinal.

Se ousasse mais, e se desprendesse de criar a figura/mito de Barack Obama, Barry poderia ser um ótimo filme biográfico. Talvez só quiséssemos saber a história de um jovem em busca de autoconhecimento, dos primeiros amores, das primeiras conquistas, não necessariamente políticas.

 

product-image

Barry

7.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

Dois Irmãos: Mais uma minissérie boa da Globo

Previous article

Tá no Ar: O que esperar da 4ª temporada

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in Filmes