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Uma divertida e esquecível homenagem a Hollywood


aveTodo mundo já sabe que Hollywood não é nem um pouquinho humilde e gosta muito de prestar as mais variadas homenagens a sua própria história. Ave, César! é mais um desses exemplos, mas nesse caso nem o pedigree e o conhecimento cinematográfico de Joel e Ethan Coen conseguiram salvar um filme que é apenas razoável do começo ao fim.

O filme, escrito e dirigido pelos irmãos Coen como parte de uma trilogia estrelada por George Clooney, conta a história de Eddie Mannix, um produtor/resolvedor de problemas que se mata de trabalhar para fazer um grande estúdio e suas estrelas funcionarem em plenos anos 50, enquanto lida com uma proposta de emprego que pode transformar a vida de sua família.

A dupla de diretores acerta em cheio na forma de conta a sua história e ganha muitos pontos com movimentos de câmera que transmitem todo o glamour de Hollywood, sequências inteiras dedicadas aos gêneros mais importantes daquela década, uma direção de fotografia sempre impecável de Roger Deakins e um design de produção que recria as ambientações de maneira espetacular.

O elenco segue basicamente o mesmo padrão, apesar da maioria ter apenas participações extremamente curtas. Josh Brolin faz um trabalho divertido como o protagonista, George Clooney se entrega a mais um papel bonachão eito sob medida e Alden Ehrenreich desponta como o grande destaque da história, interpretando um daqueles atores de um papel só, enquanto Ralph Fiennes, Tilda Swinton (hilária), Scarlett Johansson, Frances McDormand, Channing Tatum e Jonah Hill brilham em momentos mais específicos.

O roteiro também consegue fazer um ótimo trabalho na união de todas essas peças e pequenas homenagens ao cinema, através justamente da função do seu protagonista. É ele que permite que todas as referências pipoquem na tela e encha o coração daqueles cinéfilos que, assim como os diretores, são apaixonados por Um Corpo que Cai, Carmem Miranda, Dalton Trumbo e tantas outras histórias e longas que marcaram época.

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Claro que isso gera uma quantidade absurda de piadas que vão passar completamente despercebidas pelo grande público, mas isso não é um problema, já que o objetivo do longa sempre foi esse. A questão é que a história só se desenvolve bem até certo ponto, porque os acontecimentos e os coadjuvantes envolvidos são explorados de forma muito rápida. Isso faz com que a maioria dessas aparições pareça ser apenas uma piada e tira boa parte do peso da reviravolta final, que no papel deveria parecer genial.

Um pequeno problema que faz com que o filme passe despercebido pelo público em geral. É um bom divertimento que prende a atenção com facilidade e ganha muitos pontos pela direção como um todo, mas que acaba se perdendo no desenvolvimento fraco do roteiro. Resumindo, o texto de Ave, César! tem o selo de qualidade dos Irmãos Coen em diversos pontos, mas até os grandes amantes do cinema vão ficar sentido falta de um daqueles momentos que ficam pra sempre na memória. Momentos que envolvam boliche, sangue na neve e armas de ar comprimido de um forma que mereça ser homenageada daqui a 60 e poucos anos.


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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