AODISSEIA
Filmes

Critica: As Tartarugas Ninja


16 de agosto de 2014 - 15:00 - Flávio Pizzol

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Mais um filme que foi contaminado com a recente Síndrome do Espetacular Homem Aranha 2. Bons efeitos, diversão em alta, mas um roteiro falho e didático que prejudica o filme. Mudam os animais, mas não mudam as críticas e os elogios.

No filme, Nova York está sofrendo com os ataques do Clã do Pé e do Destruidor, que tem políticos e policiais comprados. Quando a repórter April O’Neal começa a investigar, ela se depara com um quarteto de vigilantes que foram originados em pesquisas genéticas ligadas ao pai da mesma. Essas tartarugas adolescentes mutantes e ninjas virão a se tornar os salvadores da cidade em uma clássica história de origem.

O filme não é ruim, mas tem muitas falhas recorrentes nos blockbusters atuais, principalmente no roteiro de Josh Appelbaum, André Nemec e Evan Daugherty, que, como eu já disse, é muito parecido com o da continuação do Aranha. O que mais me incomodou em ambos é a grande quantidade de obviedades, acasos, ligações desnecessárias e um didatismo gigantesco. Mas vamos com calma, por que o principal nesse longa são os dois últimos quesitos.

O personagem Leonardo em cena do novo filme das Tartarugas Ninja

E como a quantidade de explicações me incomodou. Não consigo entender porque a cada 30 minutos de filme tem que entrar algum personagem explicando tudo o que já foi falado nas entrelinhas e nos diálogos anteriores. É o que acontece com a origem das tartarugas que já explicada em uma ótima animação na introdução, mas ainda assim isso tem que ser martelado pelo menos outras três vezes.

Outro grande problema é tudo estar conectado de maneira fraca e desprezível. Assim como em Espetacular Homem Aranha, a origem dos heróis e dos vilões estão conectados de uma maneira que não é necessária (mesmo que isso tenha me incomodado um pouco menos dessa vez). Claro que eu posso estar errado, mas eu não lembro de nada daquela origem ligada ao pai de April e sua influência na salvação dos quelônios. Só não reclamo mais, porque – pela graça do bom Deus – os boatos de que os heróis seriam alienígenas não se concretizaram.

Essa importância da repórter na origem faz com que o foco do filme esteja em Megan Fox e isso se torna o principal erro dos roteiristas, já que Megan é uma péssima atriz. Ela pode ser bonita e tudo mais, mas incomoda ver ela tendo cenas forçadas, enquanto seu parceiro de trabalho (Will Arnett) e as tartarugas, que funcionam de maneira muito mais divertida, ficam em segundo plano.

Mas pra não dizer que tudo é ruim, o roteiro e a direção acertam em cheio no desenvolvimento dos protagonistas da história. A união do visual realista e meio pesado com o entrosamento e humor do grupo é perfeito. Risadas são constantes quando o grupo está fazendo um rap improvisado ou liberando uma metralhadora de piadas relacionadas a cultura pop. Com destaque para Michelangelo, os quelônios tiram sarro com Batman, Harry Potter, X-Men e até Lost.

Claro que Jonathan Liebesman, como um bom discípulo de Michael Bay, abusa da câmera lenta, da grande movimentação nas cenas de ação e de outros artifícios similares, mas ele não faz um trabalho ruim no geral. Com a colaboração do brasileiro Lula Carvalho (Tropa de Elite e Robocop), as cenas de ação não ficam tão emboladas visualmente quanto em Transformers. Contando ainda com efeitos visuais de primeira, temos um show visual que aumenta a diversão do filme.

Boa parte desses efeitos estão ligados aos heróis que são feitos por captura de movimentos por Alan Ritchson, Noel Fisher, Pete Ploszek e Jeremy Howard. Seria injusto dar crédito apenas ao diretor, quando os atores fazem um trabalho facial e corporal muito bom. Sem contar que ficaram tão próximos ao ponto de criar várias cenas improvisadas. O mesmo vale para o Mestre Splinter (Danny Woodburn), que aparece pouco, mas consegue impressionar.

No resto do elenco, podemos destacar os trabalhos de vozes de Johnny Knoxville e Tony Shalhoub (eles foram contratados na pós-produção para dar voz a Leonardo e Splinter) e as participações razoáveis de Will Arnett, William Fichtner e Whoopi Goldberg. Perto de Megan Fox, qualquer um deles merece um Oscar.

O filme não é tão desrespeitoso em relação a mitologia original e, mesmo com muitas falhas, consegue ser divertido e funcional. O grande público não deve se importar com alguns desses erros e os maiores fãs vão acabar esquecendo qualquer problema quando eles mandarem o bom e velho COWABUNGA e partirem pro porradeiro.

OBS 1: O 3D é bem legal, tanto em profundidade, quanto em quantidade de objetos jogados na direção da tela. Vale a pena.

OBS 2: O filme faz diversas homenagens aos criadores dos personagens, Kevin Eastman e Peter Laird, mas a mais interessante é quando eles são citados como escritores do livro de ninjutsu encontrado por Mestre Splinter.

OBS 3: Assim como nos citados Transformers e Espetacular Homem Aranha 2, o filme tem uma grande quantidade de publicidade inserida na tela, incluindo um banner de Project Almanac, próximo filme produzido por Bay que vai estrear nos cinemas. Mas o interessante é boa parte dessas marcas está bem misturada na história. O Pizza Hut aparece muito, aproveitando que os heróis amam pizza. Muitas marcas também aparecem no clímax, mas ele acontece na Times Square e aí não conta.