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Essa é uma das minhas animações favoritas e o filme da vida de Steven Spielberg. Ele esperou até ter a tecnologia que ele julgava ser necessária, se juntou com Peter Jackson (que deve dirigir o segundo filme) e fez um filme divertido e sensacional.

O filme segue a Tintim, uma mistura de jornalista investigativo com aventureiro, que acaba se deparando com a caça a um dos maiores tesouros do mundo após comprar uma réplica do grande Licorne. Se unindo ao Capitão Haddock, neto do capitão do Licorne, ele decide encontrar o tesouro e enfrentar o terrível Sakharin.

A primeira coisa que eu preciso comentar é a sábia decisão de esperar para poder fazer o filme através da captura de movimentos. Em primeiro lugar, isso garantiu que os personagens ficassem realmente parecidos com a criação original. Essa decisão também dá uma liberdade visual incrível para um filme baseado em quadrinhos, porque tudo é permitido em animações. Existem algumas cenas e transições mais mirabolantes que nunca poderiam ser realizadas em um filme live action sem soarem artificiais e serem criticadas.

E mesmo sendo uma animação, esse filme é a cara de Steven Spielberg. Uma aventura oitentista que tem um pouco de Indiana Jones, Goonies e muitos outros filmes que tem o dedo do gênio. Todo o desenvolvimento do roteiro e movimentos de câmera característico do diretor marcam presença, trazendo de volta aquele Spielberg que se divertia fazendo filmes, por que é essa sensação de diversão que o filme passa para o espectador.

Os planos sequências curtos que Spielberg costuma usar estão ali e ainda culminam na descida do hotel em Bagghar, que uma das melhores cenas em plano sequência que eu já vi na minha vida. Com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, perseguições e muita destruição, esse é um ótimo exemplo de uma cena que seria complexa e muito cara de ser feita através de atores e cenários reais.

O roteiro se desenvolve de maneira simples e leve, sem pesar em explicações minuciosas. De maneira bem próxima de Spielberg, as explicações são dadas através de descobertas ou diálogos sem cansar o espectador. O texto é limpo, bem divertido e tudo funciona muito bem graças aos roteiristas Steven Moffat (de Sherlock da BBC), Joe Cornish e Edgar Wright. Todos esses já tiveram experiência com0 roteiristas e diretores em vários gêneros e conseguem conduzir a narrativa de maneira brilhante.

Ainda acho que o terceiro ato é um pouco corrido e sem graça, tirando um pouco da força do climax e do próprio vilão, mas nada que realmente atrapalhe o andamento geral do filme ou estrague a experiência de ver Tintim realizando suas proezas.

Sem contar o trabalho solto e tranquilo de Spielberg, a parte técnica do filme é invejável. Os efeitos digitais não são tão realistas e bruscos como os utilizados em A Lenda de Beowulf, mas funcionam muito bem. Na verdade, eu acho que esse é um filme leve e aventuresco, que precisava de um traço mais simples e que lembrasse as ilustrações em 2D de Hergé. Cenários, personagens e situações são limpos e espetaculares, mantendo a leveza da história junto com a força e o impacto do 3D.

Inclusive é aqui nos efeitos digitais que podemos perceber muito da experiência de Peter Jackson com a técnica de captura de movimentos. O trabalho de câmera soa fácil por conta dos movimentos suaves dos atores que atuaram no fundo verde. Deve ter sido um set de trocas espetaculares com Spielberg e Jackson trabalhando ao mesmo tempo.

O elenco que não teve necessariamente seu rosto usado, mas faz um bom trabalho corporal, facial e de voz em cima de personagens bem desenvolvidos pelo roteiro. E para dar vida ao espírito de aventura e diversão do universo de Tintim, Spielberg conseguiu reunir um grupo realmente estrelar.

Temos Jamie Bell (Tintim), Andy Serkis (claro que em um filme de captura não poderia deixar de ter outro mestre desse trabalho interpretando o Capitão Haddock), Daniel Craig (o vilão Sakharin), a dupla Simon Pegg e Nick Frost (Dupont e Dupond). É um grupo que tem algumas características dos personagens e que conseguiu ajudar a transmitir a essência da história com perfeição.

Um filme divertido, bem escrito, recheado de ação e perfeito tecnicamente, que consegue agradar tanto crianças, quanto adultos. Um longa que funciona com perfeição e que não merecia ter sido ignorado no Oscar de 2012. Tintim é um filme muito bom que surgiu do desejo e da união de dois gênios do cinema. Então apreciemos o melhor de Spielberg e Jackson e esperemos ansiosamente pelo segundo filme.

OBS 1: Existe duas belas homenagens à Hergé, o criador do original. A primeira é na divertida abertura em 2D e a outra está incluída no início do filme e nessa critica.

OBS 2: A previsão inicial é de que a continuação saísse em 2014, mas tudo foi atrasado por que Peter Jackson resolveu assumir o Hobbit após Guillermo Del Toro deixar a produção. Como o combinado era que Spielberg dirigisse o primeiro e Jackson assumisse o cargo na continuação, o projeto está esperando e pode acontecer a qualquer momento. Pelo menos, eu espero que aconteça o mais rápido possível.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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