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Se você já viu “O Feitiço no Tempo” ou o mais recente “No Limite do Amanhã“, vai perceber que esse ARQ tem uma pegada muito parecida com os dois citados, mas com seu universo próprio. A Netflix faz aqui uma produção de baixo orçamento, o que fica claro até no próprio design da “máquina do tempo”, mas que apresenta qualidade e precisão, de uma direção e roteiro feitas por um estreante no cinema, Tony Elliot que é roteirista de Ophan Black.

ARQ conta a história de Renton, um jovem que acorda após ter um “pesadelo” do qual ele e a namorada Hannah são levados por três assaltantes, que segundo eles querem apenas roubar seu “créditos”(que seria o dinheiro), mas Renton desconfia que eles na verdade são agentes infiltrados pela Torus Corporation, uma empresa de energia em que Renton trabalhava e lá desenvolveu uma máquina chamada ARQ, uma máquina que dá energia ilimitada a quem a possui, e está na garagem dele, pois ele a construiu. Aos poucos eles percebem que o ARQ não apenas dá energia ilimitada, como também tempo, fazendo-o repetir o mesmo dia todas as vezes em que morre (sim, você já viu isso).

A premissa pode parecer um pouco confusa e você pode achar que ela entrega demais, o que acaba sendo um engano, pois ARQ tem muitas cartas na manga. A partir do momento em que todos vão interagindo com o ARQ (que mais parece um rolo compressor médio), eles também passam a ter a noção e a sensação de dejavú, o que nós espectadores sabemos que não é.

Renton é vivido por um Robbie Amell (The Flash), irmão de Stephen (Oliver Queen/Arrow), e não é exigido muito, mostra competência e não compromete as cenas, o destaque fica mesmo em sua namorada Hannan (Rachael Taylor a Trish Walker de Jessica Jones) que já demonstrava ser uma grande atriz e aqui repete a dose, possuindo doses de mistério, com uma personagem bidimensional e com muitos tons de cinza. Auxiliados pelo roteiro de Tony Elliot, os dois vão explicando para si, para nós e as vezes até repetindo bastante, todos os conceitos daquele novo mundo e pelo que ambos já passaram para chegar ali.

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Sabemos que o que causou tudo foi a falta de energia, que a tal Torus Corporation controla tudo e que existe uma resistência, falar mais do que isso aqui seria spoiler. Tonny Elliot tem uma direção precisa e até surpreendente, pois o filme se passa inteiramente dentro da casa de Renton, e a cada novo “despertar” somos apresentados a mais cômodos, e o design de produção merece elogios, por apresentar nas sutilezas, o futuro próximo.

Talvez se o drama entre os dois fosse menos abordado (a constante briga pelo ARQ, que assim como em O Limite do Amanhã, o poder de voltar no tempo, foi necessário para o fim da guerra) e dessem mais espaço para uma maior desenvolvimento da corporação e da resistência, teríamos um filme melhor, além de se estender demais em seu fim, que com certeza não deve agradar a todos.

ARQ não é uma aposta tão arriscada da Netflix, pois a mesma não gastou tanto, mas se torna necessária pois nem só de grandes produções vive o serviço de streaming, mesmo sendo um filme barato, entrega aquilo que se propõe e revela muitas surpresas, um bom programa para um fim de tarde chuvoso de domingo.


Obs: Filme lançado na Netflix no dia 16/09/16 e visto no dia 19/09/16: um fim de tarde chuvoso de domingo.

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ARQ

7.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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