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Filmes

Annabelle 3 – Os fantasmas se divertem

De Volta Pra Casa!


26 de junho de 2019 - 14:28 - Tiago Soares

Annabelle 3 é muito mais divertido do que assustador, não sabendo equilibrar os gêneros de forma conjunta.

A suspensão de descrença é uma das sensações mais usadas em filmes de terror. A eterna indagação se um personagem foi burro demais para fazer ou deixar de fazer tal coisa, é algo que o público tem notado a cada dia com mais clareza. No entanto, tal sentimento não deve ser confundido com a presunção e devemos notar que os personagens não tem o mesmo “conhecimento” que o público tem de filmes do gênero, afinal aquele universo foi criado para eles e possui regras pré-estabelecidas. Falando em universo, estamos diante do 7º filme do Universo Invocação do Mal que apesar de algumas falhas na ligação dos pontos, apresenta certa coesão com o todo.

Dito isto, Annabelle 3 traz de volta a figura do casal Warren, em participações pontuais e especiais de Vera Farmiga (Lorraine) e Patrick Wilson (Edward), mas o centro está na filha do casal filha, Judy. Quando o casal viaja e deixa a menina com a babá Mary Ellen, forças obscuras se utilizam do poder de atração da boneca Annabelle para tomar posse da casa e dos arredores dela. Além de Mary, Judy tem ao seu lado uma amiga em comum Daniella, que sofreu uma perda recente (algo bastante utilizado na produção como catalisador dos eventos), e as três devem sobreviver aos mais variados artefatos e figuras demoníacas.

annabelle invocação do mal

O filme de estreia de Gary Dauberman na direção, que também assina o roteiro (já tendo escrito os dois filmes anteriores da boneca), tem a total liberdade de ser criativo, pois apesar da história se passar entre os dois “Invocação do Mal”, é completamente independente. Utilizando apenas da casa como cenário, somos apresentados a diversos espíritos de figuras demoníacas, desde uma armadura de samurai ambulante, um vestido de noiva, uma TV que prevê o futuro e até um lobisomem. Assim o cineasta pode brincar com os sub-gêneros dentro do terror, passando pelo filme de monstro, os slasher movies e os filmes de possessão.

Mas até chegar aos momentos de fato assustadores, a produção caminha entre vias confusas, não sabendo muito bem o que quer apresentar. De um lado a lentidão, que pode ser interpretada como desenvolvimento, porventura levando a repetição. Do outro a diversão, sim, Annabelle 3 é um filme divertidíssimo, talvez o mais leve dos filmes deste universo, o que não é nenhum demérito, já que as piadas funcionam, muito pela sutileza e pelos incríveis atores que as representam. No início, Dauberman foge dos clichês e jumpscares característicos do gênero, aliás ele quebra a expectativa, e ao fazer isso sempre, acaba criando um novo clichê dentro daquele pré-existente.

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Quando o terror resolve partir para o tradicional, acerta ao trazer três garotas enclausuradas, alternando-se em núcleos dentro da grande casa. A variedade de assombrações torna tudo mais dinâmico, auxiliada pela talentosa trinca formada pela Judy de Mckenna Grace (figurinha carimbada em produções de terror), a Mary de Madison Iseman e a Daniella de Katie Sarife que trazem a dramaticidade necessária, a tensão e o peso de não ter ideia do que fazer na situação. A trilha sonora ajuda na ambientação, como na cena em que a boneca é colocada no artefato de vidro, fazendo com que o som desapareça, dando uma sensação de segurança, que logo seria quebrada.

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A mudança de tom, de forma muitas vezes abrupta, é o grande problema de “Annabelle 3: De Volta Para Casa”, que quando foca em apenas um deles, consegue ir bem na maior parte do tempo. Terror e diversão podem conviver juntos, assim como no filme de Tim Burton, referenciado no título deste texto, mas transitar entre eles com perfeição é um tarefa difícil.