AODISSEIA
Filmes

Crítica: Amor Pleno

29 de julho de 2013 - 02:15 - Flávio Pizzol

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Esse é o novo filme do cultuado Terrence Malick. O diretor parece estar cada vez mais à vontade para fazer filmes com seu estilo e do seu jeito único. E quanto mais à vontade fica o Sr. Malick, mais ele afasta o grande público dos seus filmes. E isso não é uma critica. É só uma simples constatação confirmada nesse seu novo filme.

É um fato que os filmes de Malick nunca foram feitos para um grande público, mas, na minha opinião, o diretor se superou em A Árvore da Vida e Amor Pleno. São filmes que fogem da regra, que tiram o público da sua rotina e por isso podem ser considerados ruins por um público acostumado a filmes mastigados e simples.

O filme segue duas histórias paralelas: a primeira conta uma história de amor conturbada e a outra segue um padre em busca de provas da existência de Deus. Como em seus últimos filmes, Malick usa histórias simples para falar de algo maior. As histórias não são importantes para o diretor. Nesse caso, ele explora o amor, a família e a religião. Temas relevantes e poderosos, mas que parecem não atingir a profundidade adequada e merecida.

Amor Pleno pode ser considerado uma continuação menos filosófica de A Árvore da Vida. Muitas características do filme anterior (e do estilo do diretor) podem ser observadas aqui.  Até os temas desenvolvidos são parecidos. Mas Amor Pleno é menor, mais lento e mais cansativo que o seu antecessor.

As histórias – como sempre – são contadas no estilo Malick de dirigir. Takes longos e intensos da natureza (essas cenas são simplesmente perfeitas), muitos monólogos filosóficos, poucos diálogos, edição entrecortada e uma trilha sonora poderosa guiam o espectador dentro dessa viagem pela mente do diretor.

Um ponto positivo (relativamente) de Amor Pleno é ser mais simples. Diferente de A Árvore da Vida, esse filme tem uma história clara. Por mais complicado que seja o filme, a história pode ser facilmente acompanhada pelo público. Ainda assim, Amor Pleno não é um filme para ser entendido, e sim para ser sentido.

É por isso que o roteiro fica um pouco de lado e cede espaço para a direção, trilha e fotografia que dimensionam o filme e levam o espectador para dentro da tela.

As atuações não são espetaculares. Ben Affleck e Olga Kurylenko estão só normais, Rachel McAdams quase não aparece e Javier Bardem está bem (mas nada perto de outros personagens). Os personagens são coadjuvantes em um filme protagonizado pela fotografia e pelos cenários belíssimos.

Amor Pleno merece ser assistido pelo seu visual irretocável e pela sua técnica perfeita. É um filme lento, complexo e difícil de ser digerido, mas é primoroso e bonito. Um filme guiado pelo visual e pela poesia de Malick. É uma experiência visual espetacular, mas é o filme mais difícil de ser assistido que o Malick já fez.