AODISSEIA
Filmes

Amor e Revolução tem pouco amor e menos revolução

Cadê a revolucion?


3 de junho de 2019 - 11:00 - Tiago Soares

Amor e Revolução é a história de um casal alemão que vive no Chile em meio ao golpe de estado que resultou na ascensão Augusto Pinochet.

 

Lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, Amor e Revolução acompanha a história de um casal alemão, Daniel e Lena, que vive no Chile, em meio ao golpe de estado que derrubou o presidente eleito Salvador Allende e possibilitou a ascensão do ditador Augusto Pinochet, o que resulta em protestos em massa. Quando o rapaz é levado pela polícia secreta de Pinochet, Lena procura por ele e descobre que seu amado está em um lugar chamado Colonia Dignidad, uma suposta missão de caridade dirigida por um pregador fanático, que acaba se revelando uma prisão secreta de onde ninguém nunca escapou. A fim de encontrar Daniel, a moça decide se juntar ao culto religioso da Colonia.

O primeiro estranhamento ocasionado neste filme é que mesmo se passando no Chile, todos as pessoas falam inglês. Apesar de alguns falarem e soltarem palavras soltas de vez ou outra, a falta do espanhol causa desconforto. A química entre o casal formado por Daniel (Daniel Brühl) e Lena (Emma Watson) existe, apesar de Emma estar melhor na produção.

Dirigido pelo alemão Florian Gallenberger, Colonia (no original) começa como um filme de romance. Após a prisão de Daniel, temos uma mudança de clima, auxiliada pela trilha sonora exagerada. O longa parece um suspense psicológico, muito parecido com A Villa (2004). Emma Watson vai bem, e parece ser a única realmente disposta a sobreviver, a atriz está ousada e parece em pânico a todo momento.

Já Brühl, faz um personagem que não causa empatia ou preocupação. Apesar de sofrer poucas e boas nas mãos dos soldados do ditador, o ator parece deslocado em Amor e Revolução. O sentimento de raiva por ele, acaba percorrendo-nos em toda a produção, afinal, se não fosse por ele, ambos não estariam ali.

 

amor e revolucao emma watson

 

LEIA MAIS

+++ Veja o que achamos da terceira temporada de The Handmaid’s Tale

+++ Olho e Faca e a fragilidade das decisão

+++ Democracia em Vertigem: A nossa dura realidade

 

Nos minutos finais essa raiva persiste, porque mesmo após tanto tempo o personagem não evolui e repete os mesmos erros. A colonia liderada por Paul Schäfer (Michael Nyqvist caricato), tem pensamentos retrógrados e é lamentável a forma como tratam a figura da mulher. Há um repetição das atitudes de machismo, mostrado sem necessidade por muito tempo. É certo que Amor e Revolução é baseado em fatos, mas mostrar uma mulher sendo espancada por vários homens, em nada ajuda o cenário atual.

Claro que há uma certa romantização da história. Nem tudo o que acontece aqui, de fato ocorreu. O desfecho de uma das residentes da Colonia é completamente desnecessário e tira a esperança de que possa haver mudanças. A tradicional montagem ao fim do filme, mostrando o que aconteceu com todos, consegue deixar você bem incomodado e triste, principalmente pelas crianças do lugar. Pouco amor e muito menos revolução.