AODISSEIA
Séries

Amizade Dolorida e o charme da dominação

Uma história de dor, frustração e amizade sincera.


5 de junho de 2019 - 20:00 - Tiago Soares

Texto escrito por Nathan Hadrich

“Amizade Dolorida” (Bonding, no original), é a nova adição do ano no catálogo da Netflix. Dirigida e roteirizada por Rightor Doyle, a série conta a história de Tiffany (Zoe Levin) ou para os mais íntimos Mistress May, uma estudante de psicologia em Nova York que trabalha como Dominatrix nas suas horas vagas. Depois de se dar conta da necessidade de proteção em seu ramo de trabalho, ela recorre ao seu amigo de infância Peter (Brendan Scannell) para ser seu assistente/guarda-costas, que com muita resistência aceita a proposta apenas por estar sem dinheiro.

Os dois personagens se completam, e se permitem crescer juntos dentro da curta narrativa de sete episódios. Com seu caráter dominante e quase apático no dia a dia, Tiffany esconde suas inseguranças, seu medo de relacionamentos e seu próprio trabalho, enquanto seu amigo Pete guarda sua personalidade sarcástica e acida atrás da persona tímida e resguardada que interpreta em seu cotidiano comum. Juntos aos seus clientes masoquistas, eles ganham a oportunidade de serem verdadeiros consigo mesmos, ao passo em que começam a enfrentar suas inseguranças e medos.

A série é visualmente bonita, dando destaque para as cenas de tortura BDSM, com muito látex e cores fortes. Os atores estão perfeitos, sendo Zoe e Brendan um ótimo match de amigos, conquistando o espectador com piadas sobre sadomasoquismo, orgasmo, masturbação e até golden shower (viu presidente?). O roteiro é bem escrito, mostrando todos os porquês, onde e como necessários para a história, além de conseguir entregar todas as piadas para quem está assistindo, dando foco novamente para as cenas hilárias de bondage, e deixando no final um gancho para talvez uma próxima temporada, contendo mais dor e prazer para os fãs que conquistaram.

“Amizade Dolorida” também traz uma reflexão muito bacana sobre ser fiel consigo mesmo, e respeitar suas vontades e desejos, mesmo que você tenha vergonha de mostra-las para o mundo. A série faz um paralelo inteligente e divertido entre os fetiches das pessoas (que podem ser considerados vergonhosos e absurdos), levando em consideração o comum, e as vontades e sonhos pessoais que temos, mas muitas vezes deixamos de lado devido a inseguranças e medo do julgamento social.


Onde você pode encontrar Nathan Hadrich:

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