AODISSEIA
Séries

Crítica: American Vandal — A série mais subestimada da Netflix

Segundo ano deixa o charme do amadorismo, mas continua genial.

17 de setembro de 2018 - 16:08 - Tiago Soares

Em seu primeiro ano, American Vandal e a saga dos documentaristas amadores Peter Maldonado (Tyler Alvarez) e Sam Ecklund (Griffin Gluck) me fisgou e devorei os 8 episódios do falso documentário mais bem produzido desde The Office. A história de Dylan Maxwell (Jimmy Tatro) e “quem pintou os pintos?” era surreal, ao mesmo tempo em que trazia personagens carismáticos e uma dose de sadismo.

Seria tarefa difícil  a segunda temporada superar ou até mesmo apresentar o mesmo nível de qualidade em uma produção tão pouco valorizada como essa. Mesmo mudando tudo ao seu redor, American Vandal mantém a qualidade e o poder de seu mistério.

Peter e Sam vão até Washington, mas precisamente Bellevue, um colégio católico. Ambos precisam descobrir quem é o “Turd Burglar (traduzido pela Netflix como ‘Merdolino‘)”, responsável por uma série de atentados, sendo o maior deles o “Surto” —  dia em que após tomarem uma limonada — toda a escola se cagou. O caso rendeu inúmeros pais revoltados e envolvimento da mídia, fazendo com que a escola fizesse de tudo pra abafa-lo.

Após o sucesso do primeiro caso, Peter e Sam agora são figuras conhecidas e a brincadeira que a Netflix faz com a própria metalinguagem é bem sacada. Mais fama, indica mais orçamento e é aí que American Vandal quase derrapa. O primeiro ano tinha um charme especial, por ser uma produção de dois garotos beirando o amadorismo, apesar de extremamente bem produzido.

 

Nesta temporada, American Vandal abre mais seu escopo. O cenário, o número de entrevistados, até a polícia está envolvida diretamente e simulações são realizadas, tornando tudo um grande caso criminal. Apesar da maior importância que se dá ao acontecido, a série mantém sua essência. Instigar o espectador e fazê-lo pensar é algo que Tony Yacenda (diretor de todos os episódios) consegue fazer bem.

Bem dirigida e com uma ótima fotografia, American Vandal dá inveja a muitos documentários atuais, pois usa documentos, filmagens encontradas, câmeras escondidas — todos esses recursos para o bem de sua história — e ainda traz um discurso deveras importante sobre relacionamentos atuais.

Em tempos de “setembro amarelo“, a produção traz discussões bem mais importantes e orgânicas do que séries como 13 Reasons Why por exemplo. A valorização da amizade, de não se sentir sempre sozinho e suprir essa solidão nas redes sociais. É nesse quesito que a segunda temporada de American Vandal se sobressai em relação ao ano anterior, tratar o jovem como a máquina complexa que ele é.