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Pensa no elogiadíssimo “A Vida de Pi”. Agora tira todo o efeito especial, o tigre, os peixes voadores e o elenco gigantesco. A sobra é esse ótimo All is Lost.

Nesse filme sem nenhuma regalia, acompanhamos Nosso Homem, personagem sem nome interpretado pelo sensacional Robert Redford, em sua jornada de sobrevivência após seu veleiro ser atingido por um contêiner à deriva.

O roteiro do filme é o mais simples possível. Poucas falas (temos mais de 50 minutos sem nenhuma fala), ações que seriam naturais de alguém tentando sobreviver e alguns poucos simbolismos.

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O grande – mas não imperdoável – problema do roteiro é não fazer uma apresentação prévia do personagem. Esse tipo de apresentação facilitaria a criação de uma empatia entre o personagem e o público e, logicamente, aumentaria a torcida pela sobrevivência do herói.

Se torcemos por ele, é por causa da atuação magistral do veterano Robert Redford. Robert foi aplaudido de pé em Cannes e tem ótimas chances de ser pelo menos indicado ao Oscar de Melhor Ator. Podemos dizer que é merecido, já que não é qualquer que segura sozinho a atenção do público em um filme simples, sem diálogos e lento.

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Todas as emoções são transmitidas com um realismo peculiar por Redford. Sentimos na pele o que o Nosso Homem está sentindo e passando. Chega a ser doloroso assistir as esperanças do personagem acabando com o passar do tempo.

Talvez a cena que melhor expresse isso seja uma em que ele, depois de muito tempo sem dar um pio, grita um pesado e doloroso “Fuck” pra representar o que ele está sentindo e passando.

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O trabalho de Redford é bem complexo, já que, além ser o único membro do elenco, ele tem em suas mão um personagem repleto de camadas e tem que demonstrar todas essas camadas e sentimentos através de poucas falas, gestos e olhares.

Se o roteiro peca em alguns pontos, a direção de J.C Chandor (que também é o roteirista) é muito boa, tendo pouquíssimos erros graves. J. C, que já tinha mostrado talento no seu filme anterior “Margin Call”, faz um bom trabalho de câmera para deixar a atuação de Redford fluir.

Além dos muitos closes em Robert e da câmera próxima e intimista, J. C também acerta nas filmagens submarinas e aéreas, que são belíssimas. É muito interessante como Chandor realiza trocas imediatas entre ambientes fechados e claustrofóbicos, como o veleiro e o bote, e essas imagens aéreas que demonstram a pequenez de Robert e seu bote em relação ao oceano vazio.

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Para colaborar com seu trabalho, o diretor contou com uma equipe de som e fotografia espetacular. A fotografia é linda, mas o som é que merece ser destacado. Todo os efeitos responsáveis pela ambientação no mar e choques sofridos pelo barco é espetacular. A edição e a mixagem de som, dignas de Oscar, também marcam presença, principalmente nas cenas da tempestade, onde o barco chega a virar de cabeça pra baixo.

All is Lost é um filme sensacional que mostra que o cinema independente é um bote de inovação perdido no imenso mar criada pela indústria hollywoodiana. Mostra que podemos fazer coisas diferentes que sejam boas.

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De fato, All is Lost é um filme introspectivo e lento. Por isso nem todos vão gostar do filme, principalmente aqueles que estão acostumados aos filmes de Hollywood sobre o tema, como Mar em Fúria. Mas, ainda assim, esse filme merece ser assistido por ser diferente, bonito e ter um Robert Redford em ótima fase.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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