AODISSEIA
Filmes

Aladdin é uma gostosa mistura do clássico com o moderno

TODO PODER DO MUUUNDO, dentro de uma caixinha


27 de maio de 2019 - 20:17 - felipehoffmann

Com o andar da carruagem, a Disney vai acertando a mão no tom que seus live actions precisam manter. Aladdin é, até agora, o ponto alto dessa nova leva de filmes que a empresa vem fazendo. Aladdin consegue de forma muito gostosa, misturar o clássico desenho de 92 com pitadas modernas, que caem como uma luva para a nova geração.

 

Quando surgiram as primeiras imagens e, posteriormente, o primeiro trailer de Aladdin, muita gente viu com descrença essa nova adaptação da Disney. Seja no desconhecimento dos atores ou na caricata e mal acabada forma que o gênio de Will Smith se mostrava. Fato é que pouca gente acreditava na real capacidade do filme ser realmente bom e, talvez por isso, as expectativas em torno do longa eram baixas.

E olha, não poderiam estar mais erradas. Aladdin é lindo.

Will Smith, quando oferecido ao papel do Gênio, negou num primeiro momento. Seu receio estava em não chegar à altura da genialidade de Robin Williams, que dublou e teve seus traços como inspiração no desenho. É válido o receio, claro. Pois uma nota fora do tom e ficaria estigmatizado como o Gênio que deu errado. E Will consegue dar a personalidade perfeita para esse novo personagem. É exultante, brincalhão e eufórico como o primeiro, mas também puxa pra sua emoção, pros seus desejos, e por um lado mais humano durante todo o filme.

 

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Fato é que de longe é o melhor personagem de Aladdin. A vida que Will Smith traz também pode ser sentida como filme, que mesmo carregado visualmente, mescla bem os momentos onde o Gênio vive pro azul e aqueles em forma humana. Na real, ele passar a maior parte do longa como humano leva a gente a acreditar mais no personagem, até porque com ele azulão deixa um pouco a desejar. É um visual fortão numa cabeça normal que, diferente do Thanos, por exemplo, não passa uma sensação de realidade mesmo sendo colorido.

 

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Aladdin é dirigido por Guy Ritchie (Sherlock Holmes), um diretor que gosta bastante de cenas urbanas, com seus personagens correndo no meio da multidão. E é exatamente assim que Aladdin começa. O garoto (Mena Massoud), um jovem e pobre ladrão da cidade, foge dos policiais em meio as vielas de Agrabah. Uma cena que vende o filme logo de cara com referências bem claras e gostosas de assistir. Guy parece que tirou as fases do jogo de Aladdin do Super Nintendo e passou pra tela do cinema. Tudo isso regado à boa trilha sonora do musical.

 

aladdin filme naomi scott aodisseia

 

Mena Massoud, apesar de pouco conhecido, consegue um equilíbrio legal para o personagem. Mistura bem o charme do homônimo animado e impõe suas características como Aladdin. Assim como Naomi Scott vivendo Jasmine. Que vozeirão dessa mulher! Suas duas músicas são lindas de se ouvir, mas suas entradas no filme me pareceram um pouco anticlimáticas. Nada que tire o brilho das canções.

Aliás, quem assistir Aladdin dublado não vai se decepcionar. São músicas maravilhosas, que resgatam as canções originais e, vez ou outra, botam uma pitada de pop e hip hop no meio delas.

Márcio Simões dubla o Gênio de Will Smith e, por coincidência, o de Robin Williams também. O dublador consegue passar toda a personalidade do primeiro, mas, como é a mesma voz, tem aquela sensação de familiaridade com o segundo.

E é justamente isso que falta em Jafar (Marwan Kenzari). Sua voz é um tanto quanto leve e miúda (mesmo em inglês), longe da característica de um vilão totalmente malvadão. Isso culmina numa falta de empatia, não comprando a ideia do personagem.

 

aladdin e jafar

 

A beleza de Aladdin está justamente em superar esses pequenos detalhes e entregar um filme de aventura fabuloso. É difícil adaptar obras que carregam o peso da nostalgia. Você mexe no imaginário das pessoas e qualquer escorregada é sinônimo de desastre. A diferença aqui está na capacidade de misturar o antigo com o novo e entregar uma obra atual e consistente.

Inserir novos elementos sem perder a meada é o ponto chave para a Disney acertar em seus próximos longas, como Rei Leão, por exemplo. A gente sabe que é bom mudar, desde que seja pra melhor. Aladdin faz isso, mas respeita seu clássico. Um não briga com o outro e esse é o maior sinal de respeito que a empresa dá para seus longas.