AODISSEIA
Filmes

Afterlife (Hiernamaals): Vida após a vida

Dramédia estilo Sessão da Tarde.


7 de outubro de 2019 - 11:28 - Tiago Soares

O cinema é recheado de obras que flertam com a vida após a morte. A maioria delas vem com uma lição de moral no fim. O holandês Afterlife (Hiernamaals), surge com essa pegada, misturando comédia e drama, numa narrativa em sua maioria gostosa de assistir, mas encontrando problemas de tom no percurso.

O filme conta a história de Sam, que aos 14 anos perde a mãe e é obrigada a amadurecer e cuidar dos irmãos pequenos e do pai. Um dia, Sam (Sanaa Giwa) também vem a óbito e descobre que existe vida após a morte. Lá é guiada por Martin (Jan-Paul Buijs), uma espécie de funcionário que a leva até sua mãe Vera (Romana Vrede) e parte da sua família já falecida.

A produção de Willem Bosch foge de sutilezas e não cria identidade própria no novo mundo (que tem uma aparência cinzenta, parecida com a cidade americana de Chicago). O que vale mesmo é a emoção proporcionada pelos reencontros e pela chance de Sam de retornar a vida e fazer tudo diferente, impedindo a morte da mãe no processo. É claro que tal desafio não será nada fácil, e a menina prodígio encontra uma série de infortúnios. Flertando com a arte e a pintura, a obra de Bosch acerta ao mostrar o crescimento de Sam e seus valores aprendidos durante o tempo.

Ver sua relação com a mãe (sempre energética), e a apatia com o pai (Gijs Scholten van Aschat), ajudam a construir a personagem, que quase sempre teve a obrigação de ser perfeita. Sam está sempre num misto de alegria e tristeza seja pela timidez latente, ou pela excentricidade da inteligência artística. Quando morre, a grande questão é não ter vivido. Parece que encontrar uma outra vida após ter vivido, é uma decepção. Uma segunda chance de fazer tudo diferente acaba ficando apenas na sugestão, já que praticamente existe uma auto-afirmação de sua essência.

Afterlife segue a linha filme good/bad vibes quando precisa ser, com a famosa lição de moral no fim. Simpático, o longa traz discursos profundos sobre a diferença de viver e sobreviver, ao mesmo tempo em que implora para que o espectador não se cobre tanto.

 

* Filme visto na 43º Mostra de São Paulo