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Impactante e irreal (?), “A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly” é um retrato poderoso, sofrido e circunstancial de indisciplina

Cinebiografias de figuras polêmicas são sempre complicadas, pois geralmente é traçada uma linha tênue entre a sua bondade e a facilidade com que se corrompem. Ned Kelly era uma dessas pessoas. O fora da lei australiano criado por uma família irlandesa, é incentivado pelo bush ranger Harry Power (Russell Crowe) a entrar para uma vida de crime.

Quando sua mãe é presa, Ned se une a vários rebeldes e colonos australianos para ser exaltado e fazer uma rebelião lendária. Em “A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly”, seguimos o jovem desde essa infância violenta e cercada de brutalidade na Gangue de Ned Kelly 

Baseado no livro de Peter Carrey, a produção usa de uma linguagem atual nos diálogos, mesmo começando durante a década de 1870. Mostrando Ned desde a infância, Justin Kurzel (“Macbeth: Ambição e Guerra”), traça um relato sobre a perda da inocência, auxiliada pelas várias pessoas que passam pela vida do protagonista. Combinando uma câmera na mão voraz com belíssimas imagens em contra-luz, o visual tem uma fotografia exuberante, desde o clima quente iluminado por velas, até a nevasca imensidão que engole os personagens.

A terceira versão da Gangue de Ned Kelly (que já foi interpretado por Mick Jagger em 1970 e Heath Ledger em 2003), ganha uma atuação a altura da lenda, seja na versão jovem feito pelo ótimo estreante Orlando Schwerdt ou na versão adulta – e final – de George MacKay. Essie Davis como a mãe Ellen, é outra que faz um trabalho soberbo. Aliás, a família de Ned é a força motriz de sua vida e importante tanto para o bem quanto para o mal. A masculinidade tóxica que o jovem é forçado a viver, gera nossa empatia e se aproxima da realidade.

A tragédia parece acompanhar Ned até nas suas primeiras experiências, como a introdução de um amor vivido por Thomasin McKenzie. Junto com ela, a figura de autoridade inglesa interpretado por Nicholas Hoult, que parece disposto a não deixar o revolucionário viver em paz. É baseado na ideia de que “os homens temem muito mais aquilo que não entendem” que Ned e sua gangue se pintam, usam vestidos, fazem armaduras caseiras e agem de forma insana.

a verdadeira historia da gangue de ned kelly

Intenso, afetado e por vezes desconfortável, “A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly” se prejudica nos vários finais e no pirotécnico último ato. Mesmo assim, seu senso de justiça junto com o de sua família formam a resistência, mesmo que irreal, já que como o letreiro inicial diz: “Nada nessa história é verdade.”

*Filme visto na 43ª Mostra de São Paulo

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A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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