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“Esse filme foi baseado em fatos reais, pelo menos a maior parte”, é a frase que abre A Senhora da Van, um filme de Nicholas Hytner, baseado na obra de Alan Bennett e roteirizado pelo mesmo. A história se passa em Camden Town um bairro de Londres, nos anos 70. Mary Shepherd (Maggie Smith) é uma senhora idosa, que mora dentro de uma van. Devido aos seus hábitos pouco higiênicos, os moradores não gostam nem um pouco quando ela decide estacionar o carro próximo à sua casa.

O único que a tolera é o escritor Alan Bennett, (Alex Jennings) sim o próprio, que permite que ela use seu banheiro de vez em quando. Após algum tempo, os moradores conseguem que a prefeitura proíba que qualquer carro fique estacionado no bairro. A intenção era que a sra. Shepherd deixasse o local, mas ela encontra uma saída quando Alan oferece que estacione na vaga existente em sua própria casa.

O filme caminha entre as vertentes do drama e do humor, e vai bem em ambas. No drama, quando busca o passado de  Mary, para entendê-la no presente, aliás o papel parece ser feito para Maggie, que é uma atriz excelente. No humor, quando a própria Maggie é apresentada e ficamos sem entender o objetivo da personagem, que muitas vezes parece ser uma idosa normal, mas sempre surpreendendo com alguma frase ou atitude,  sem contar os vizinhos que convivem com ela.

A Senhora da Van

O humor é tipicamente britânico, um humor inteligente, muitas vezes ácido e tocante nas críticas que faz. A química entre Mary e Alan é outro ponto positivo, pois em muitos diálogos é possível sentir o que de fato sentem um pelo outro, envolvendo inclusive a mãe dele, que o mesmo parece sempre querer manter distancia.  Mary acaba chegando na vida de Alan e mudando seus próprios conceitos, sobre pessoas e sobre seu lugar no mundo.

Infelizmente a produção não explorou todo seu potencial, a história se passa nos anos 70, e poderia caprichar mais nos figurinos e fotografia, que as vezes parecem se passar na atualidade. Outro fator é que a maioria do filme se passa apenas no bairro de Camden Town, o que dificulta nossa ambientação. Nicholas Hytner parece querer explorar demais a protagonista e se esquece de todo o resto.

Na parte final o filme se entrega ao drama e sabe explorar isso bem, há cenas tocantes com Mary e todos ao seu redor passam a saber mais sobre ela. Parece que explorando os personagens que muitas vezes ficam apagados, o diretor se sai melhor. Talvez porque o roteirista é o próprio autor do livro e está no filme, tenha sido uma exigência de Alan retratar a história dessa forma.

A obra vai ao fantasioso, saindo bastante do real em ambos os personagens centrais, o que acabou me tirando do filme, pois parecia ter cedido a sensibilidade. Na realidade, estava se entregando totalmente ao humor britânico em sua forma mais exagerada.

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A Senhora da Van

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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