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Filmes

Crítica: A Primeira Noite de Crime – O capítulo mais sangrento da franquia

O início nem sempre é menos ameaçador.

28 de setembro de 2018 - 15:46 - Tiago Soares

Apesar de descambar mais para o gênero da ação do que do terror, a franquia Uma Noite de Crime flertava com os dois sem medo, alternando em qual se saía melhor. A partir do segundo filme, o medo das ruas foi implantado e a franquia virou uma espécie de Jogos Vorazes urbano, aonde o importante era matar ou morrer.

Com A Primeira Noite de Crime não é diferente. O início é até mais ameaçador e sangrento do que tudo que foi mostrado até então. O filme nos apresenta uma espécie de teste, já que o governo dos EUA estipulou que apenas State Island em Nova York, fosse o palco do primeiro expurgo (posteriormente ganhando todo o país). Governo que estimula a prática — ao distribuir dinheiro a quem for “expurgar”— ao mesmo tempo em que influencia diretamente nas ações subsequentes.

No centro de tudo está Dimitri (Y’lan Noel) o líder de uma gangue e liderando os protestos contra a noite do expurgo está sua ex-namorada Nya (Lex Scott Davis). Juntos e com métodos distintos, precisam sobreviver a 12 horas de barbárie. A direção segue a linha narrativa de James Demonaco (que é apenas roteirista e produtor aqui), mas trazendo novidades. Colocar Gerard McMurray, um diretor negro para trazer uma quase “falsa” realidade do que é ser negro nos EUA foi um grande acerto.

Apesar dos filmes anteriores trazerem de forma sutil o preconceito contra as minorias, ainda não tínhamos visto uma abordagem tão ostensiva com direito a expurgadores vestidos de Klu Klux Klan. Não há James Sandy, Sargento Leo Barnes ou Senadora Charlie, não há um homem branco salvador aqui. Negros, latinos e pobres tem que tirar o instinto de sobrevivência de suas próprias forças e recursos.

McMurray deixa o filme maior com seus planos abertos, uma ironia já que estamos numa ilha. O visual continua sendo um dos principais atrativos da produção, com luzes coloridas, máscaras criativas e figuras excêntricas, auxiliadas por movimentos de câmera ainda não vistos na franquia. Litros de sangue falso não faltam e as vezes ocorre um certo exagero deixando as cenas gráficas demais, mas que se justifica quando bem usado.

O núcleo corporativo psicológico é o ponto mais fraco do filme, apesar de sua importância nos bastidores da noite do expurgo. A personagem de Marisa Tomei é desperdiçada e seu estudo é pouco eficiente — ficando mais claro todo o interesse político por conta dos assassinatos dos menos favorecidos — discussão que a franquia sempre debateu. Contendo momentos de terror, mas sendo um filme de ação em sua maior parte, A Primeira Noite de Crime parece encerrar uma franquia que deve continuar com sua pegada original na televisão.


Obs: A Universal quer me deixar mais ansioso ao mostrar o poster do novo Halloween no quarto de Isaiah (Joivan Wade).