AODISSEIA
Filmes

Crítica: A Freira, terror engessado com momentos de brilhantismo

A desmistificação de Valak.

4 de setembro de 2018 - 12:34 - Tiago Soares

A expectativa sempre está no teto quando se fala em spin-offs de Invocação do Mal. Uma via de mão dupla — já que se tratando de marketing é extremamente benéfico, enquanto que em qualidade — os filmes da boneca Annabelle decepcionaram (apesar do segundo filme ser melhor). A Freira chegou sendo a esperança de uma virada no jogo, já que nem em sonho, um dos filmes derivados chegou próximo a qualidade da franquia original.

Apesar da benção e produção de James Wan — que basicamente trouxe essas criaturas para o cinema — é possível ver lapsos de qualidade e identidade nos filmes citados. Se a franquia original trouxe personagens e histórias que cativavam e deixavam o espectador com imediata empatia ao que acontecia na telona, infelizmente isso também não acontece em A Freira.

Um padre e uma noviça (que ainda não realizou seus votos), são enviados pelo Vaticano a um convento na Romênia para investigar o suicídio de uma jovem freira. Chegando lá coisas estranhas não param de acontecer e eles logo notam que estão diante de forças do mal. Com 96 minutos de duração — o filme parece correr com a apresentação de sua história e personagens — sem desenvolvê-los, tornando peças descartáveis dentro de um jogo.

O que me espanta é saber que o roteiro é de Gary Dauberman, que fez um trabalho excelente de apresentação em IT – A Coisa. A direção fica a cargo de Corin Hardy (A Maldição da Floresta) — que encontra êxito ao flertar com seu primeiro filme — principalmente nas cenas da floresta. Movimentos de câmera não convencionais para um filme de horror (algo que Wan faz bem), utilização da escuridão ao seu favor e trilha sonora que evoca algo épico (auxiliada pela grandeza dos castelos) são alguns dos acertos do terror.

Corin torna os personagens pequenos, para que o mal diante deles se engradeça, mas Valak não valeu a espera de 2 anos por um filme, afinal quase não aparece em sua forma mais assustadora. Temos muito pouco de “A Freira”, não justificando o nome do filme. Jumpscares irritantes e uma errônea separação de personagens evidenciam mais os erros da produção — que funciona ao focar na excelente irmã Irene de Taissa Farmiga — mas que se torna confusa no Padre Burke de Demián Bichir.

A Freira possui momentos de cartase que realmente assustam, principalmente numa cena que vai te deixar de ponta-cabeça — a pressa e a ausência de novidades deixam o terror muito convencional para os padrões do “The Conjuring Universe” e só enfatiza que eu ainda quero um filme do Homem-Torto.


Obs 1: Jonas Bloquet faz Frenchie — um personagem amigável que serve como alívio cômico desnecessário — mas que caminha na linha tênue entre a simpatia e a aversão do público.

Obs 2: A ligação com o primeiro filme é construída de forma genial.