AODISSEIA
Filmes

Crítica: A Escuridão (The Darkness)


14 de julho de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

Muitas vezes não encontramos as respostas certas, porque procuramos nos lugares errados.


The DarknessEu sempre gosto de dizer que um filme de terror, independente de ser bom ou ruim, possui três atos distintos. O primeiro apresenta os personagens, em sua maioria uma família tradicional, geralmente felizes ou em alguma viagem, até que coisas estranhas começam a acontecer. O segundo ato começa com uma investigação, para conhecer o tal “inimigo”. Serve também para nós também aprendermos sobre. Já o terceiro e último ato, apresenta o embate final com a entidade, demônio, espírito, psicopata ou etc.

Geralmente muitos filmes apresentam esses atos completamente diferentes, alguns alcançam a perfeição de ter os três excelentes, outros só dois ou apenas um, muitos, nenhum deles. Neste filme temos justamente essa divisão, uma pena que só as duas primeiras funcionam.

Uma família retorna da viagem de férias para o Grand Canyon com uma presença sobrenatural na bagagem, espíritos indígenas de outra dimensão os aterrorizam , fazendo com que o filho aja de forma muito estranha. Os chamarizes no elenco são as presenças do excelente Kevin Bacon e da linda Radha Mitchell como os patriarcas. Temos aqui uma tradicional família americana, o pai completamente ausente e entregue ao trabalho, com uma possível traição no currículo, mesmo que sutil. A mãe sofre a ausência, cuidando dos filhos sozinha, buscando a felicidade e paz por outros meios.

A filha (Lucy Fry), vive com problemas de insegurança com seu corpo e o filho (David Mazouz o jovem Bruce Wayne de Gotham) é um verdadeiro nerd e tem manias esquisitas, sofrendo de um leve autismo. Esta apresentação se dá de forma clara e dinâmica, em meia hora de produção já sabemos o papel de cada um. Quando o “mal” começa a entrar  de fato na vida deles, se mostra bastante interessante, inclusive em uma brincadeira entre mãe e filho, o que me lembrou muito o primeiro Invocação do Mal.

David-Mazouz-in-The-Darkness

A direção de Greg McLean (que tem Wolf Creek no currículo), não se destaca, mas também não compromete o filme. É interessante a forma como ele consegue assustar, sem se tornar forçado e bobo. Seu roteiro tem boas frases e apresenta uma família em pedaços, o filme não deve nada a um drama, inclusive nas atuações. Na segunda parte vemos a já mencionada investigação. Bem construída, e trazendo algo diferente, como antigos espíritos indígenas, talvez o que fique faltando para The Darkness seja uma trilha sonora mais incisiva.

Infelizmente o terceiro ato, desconstrói toda a sensação de terror imposta. Mais uma vez o erro por exagerar demais no visual, além de trazer personagens extremamente estereotipados para “limpar a casa”. O que rende cenas horríveis, e mata um filme que tinha um grande potencial, não para ser um novo clássico, mas um bom filme de terror, porque pelo que me lembro bem: Estamos em falta.


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