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E a Sony liberou “A Entrevista” na internet e nos cinemas. Não precisou ser do jeito que eu sugeri aqui, por que o presidente Obama falou que queria que eles lançassem o mesmo e garantiu a integridade física de todo mundo. Mas a questão toda é se o filme valeu toda essa bagunça? Por um lado sim, já que o ditador coreano é sacaneado ininterruptamente no filme. Entretanto, por outro lado, tenho minhas dúvidas, se “A Entrevista” é tão bom assim.

O filme segue um famoso entrevistador e seu produtor, quando eles conseguem uma entrevista exclusiva com Kim Jong-un, o Supremo Líder da Coréia do Norte. Aproveitando a deixa, a CIA resolve usar os dois em um plano que visa matar o ditador sem que ninguém ligue a morte aos EUA. É lógico que isso não vai dar certo, já que o filme segue direitinho as cartelas das comédias de besteirol e bromance.

E quando falo sobre essas comédias, me refiro diretamente a Seth Rogen e seus habituais parceiros. Mesmo que o roteiro deste longa seja escrito por Dan Sterling, a história veio das mentes perturbadas de Seth e Evan Goldberg e usa tudo o que se espera de um filme desses caras. Temos piadas escatológicas (verbais e visuais), gags corporais, momentos idiotas, um pouco de comédia mais inteligente, referências à cultura pop e muito bromance. Tudo está ali em doses extras.

Eu gosto muito desse tipo de humor e, inclusive, acho que “É o Fim” é umas das melhores comédias de todos os tempos. Entretanto, eu não senti tanto apreço por esse filme. Talvez tenha sido minha expectativa muito alta ou algum motivo que eu não saiba explicar, mas dessa vez a mistura não funcionou. No fim, A Entrevista é um filme que atira para todo lado, tem um desenvolvimento arrastado e não se encaixa. Muita coisa soa forçada, mas isso ão quer dizer que o filme não tenha seus momentos positivos.

Por exemplo, início do filme é insanamente divertido, principalmente pelas criticas afiadas ao jornalismo de entretenimento americano. É uma apresentação rápida e inteligente dos personagens e suas características. Até as referências a Senhor dos Anéis – que cansam e perdem a graça rapidamente – funcionam aqui.

A partir do segundo ato, o filme começa a ficar mais arrastado. Uma chuva de clichês sem função inundam a tela, as piadas ficam repetitivas, a escatologia soa banal demais e tudo para de funcionar. É verdade que, como eu já disse, tudo o que acontece já deveria ser esperado de um filme dessa trupe, o problema é que as coisas não encaixam.

Eu esperava algo um pouco mais satírico e politizado na parte em que eles estão na Coréia do Norte, mas não é isso que é feito. Se eles misturassem um pouco mais daquele humor inteligente da primeira parte, tudo soaria mais interessante. Nem Kim Jong-un (brilhantemente interpretado por Randall Park) parece ser criticado, já que sua caracterização é mais voltada para o lado idiota. E é assim que eles perderam a chance de colocar seu filme no ural das grandes comédias do ano.

No fim das contas, o grande problema do roteiro é fazer piada de tudo sem dar a devida atenção ao que tinha potencial. A direção de Seth Rogen e Evan Goldberg poderia ter consertado um pouco isso, mas eles se resumem a fazer o que sempre fizeram. Na verdade, se você se incomodou com o que viu em “É o Fim”, provavelmente vai se incomodar com o humor visual realizado aqui. Eu não me incomodo com o que eles fazem, mas acho que poderiam ter sido mais inovadores e diferentes. Eu considero um erro focar em brigas com tigres e dedos sendo arrancados quando você tem uma tigela cheio de possíveis piadas políticas.

Pelo menos eles acertaram em cheio na escolha e na direção do elenco. Seth Rogen e James Franco tem um timing cômico invejável e uma parceria que faz o filme funcionar. Sem pestanejar, eles fazem todas as loucuras necessárias e dão liga ao filme com o seu bromance, que também existe na vida real.

As coadjuvantes femininas também tem seu espaço com Lizzy Caplan e Diana Bang, duas mulheres bonitas que conseguem arrancar boas risadas, mesmo estando sempre ligadas a piadas sexuais e tendo participações um tanto quanto inconstantes. Pelo menos, é isso que, infelizmente, acontece com Lizzy, que some sem nenhuma explicação depois de duas boas cenas.

No entanto, a verdadeira revelação do filme é Randall Park, um ator americano de descendência asiática que eu não conhecia. Ele é o ator que consegue transitar suavemente entre os momentos mais sérios e os mais loucos de acordo como pedido do roteiro. É ele, principalmente enquanto divide tempo de tela com James Franco, que salvam os últimos atos do filme.

“A Entrevista” é um filme divertido, mas que perde a chance de ser melhor quando abre mão da sátira política em algumas partes do filme. É engraçadinho e até consegue arrancar gargalhadas em alguns momentos geniais, entretanto precisaria ser melhor para justificar toda essa confusão. É verdade que fala mal do ditador, mas o fato de quase ter começado a 3 guerra mundial fez com que um filme pequeno ganhasse novas proporções. Algo que só os fãs de Seth e James veriam no cinema, acabou sendo o filme que todos querem ver, sendo bom ou ruim.

OBS 1: É um fato de que esse filme tem o melhor uso da música Fireworks de Katy Perry.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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