AODISSEIA
Filmes

Crítica: A Chefa

Nem Melissa McCarthy salva.


12 de agosto de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

Melissa McCarthy numa comédia? OK. Piadas extremamente exageradas sobre seu peso e aparência? OK. Palavrões a rodo? OK. Direção e roteiro de Paul Feig? Infelizmente não. Melissa vive Michelle Darnell, uma poderosa empresária que viveu parte da sua infância num orfanato. Michelle era adotada, mas logo devolvida pelos pais adotivos, gerando uma certa revolta por nunca ter uma família de fato (gerando também cenas bem engraçadas). Após ser pega por traição, negociando informações confidenciais do mercado em troca de lucro, Michelle vai presa e após cumprir sua pena tenta voltar ao mercado com a ajuda dos “amigos”, que pelo menos ela achava que tinha.

É fácil notar que o diretor e roteirista Ben Falcone não tem controle nenhum sobre a produção, além de não dirigir bem os atores. É como se Melissa e companhia estivessem soltos no set, sem o famoso “corta”. Melissa que também é roteirista do filme, apresenta seu humor físico característico, soando muito forçado na maioria das vezes. As piadas em sua maioria não funcionam, deixando os momentos mais cômicos ao coadjuvantes de luxo Peter Dinklage e Kathy Bates.

Kristen Bell e Ella Anderson dão um toque de drama, até necessário em meio a tanta vergonha alheia, e movem a história. Principalmente a menina, que tem uma atuação competente, em meio a um elenco que parece estar no automático. Apesar de tudo isso, algumas piadas conseguem arrancar algum riso de “canto de boca”, especialmente em uma cena que lembrou muito a batalha épica de O Âncora (coincidentemente Will Ferrell é um dos produtores).

A Chefa (The Boss) tem os seus momentos, mas uma direção fraca, um roteiro exagerado e cheio de piadas sem graça, faz com que o talento de Melissa McCarthy seja desperdiçado. Saudades Paul Feig, saudades.