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A Boia é um documentário argentino com imagens belas, mas recheado de egos inflados


Naturalidade. É essa a sensação que um documentário deve transmitir quando está sendo exibido. A realidade é natural e, infelizmente, o documentário argentino “A Boia” (La Boya) foge bem desse quesito, tanto em termos de estética, como em palavras. Todo ano, Fernando viaja até uma cidade litorânea para cumprir um ritual que tem com seu amigo, o jornalista e poeta Aníbal. Os dois nadam até um boia que se encontra em alto mar. Fernando então resolve fazer um documentário sobre a tradição, ao mesmo tempo em que fala da relação com seu parceiro, resgata o passado, e estreita as relações entre a poesia e o mar.

É como se ao longo de 89 minutos, Fernando Spiner quisesse contar todo o passado entre ele e Aníbal, sem nos poupar dos detalhes que ninguém se importa. O diretor abre um diário íntimo recheado de momentos tediosos, que encontram conforto nas imagens do mar, com uma câmera subaquática (literalmente) imersa. Falando no mar, ele é um personagem que praticamente guia a história e é uma pena que ele permaneça calmo em sua maioria.

a boia

O que se vê é uma obra egocêntrica, pautada na imagem de um sucesso pessoal, que deseja ser simbólica para aqueles que a assistem. O falso inspirador, o arquétipo da lição de moral: “persista, você vai conseguir”, praticamente um coach cinéfilo. Trabalhando a subjetividade, o espectador nada com Fernando e Aníbal. Mas parece que, com exceção do mar, ambos não tem mais nada a oferecer.

“A Boia” é um relato lírico e poético dividido em estações. Ganha pela fotografia de cada período, mas perde por um texto que a todo tempo, tenta parecer profundo. Além de um ritmo vagaroso de quem morreu na praia, mesmo navegando em águas seguras.


Filme visto na 43ª Mostra de São Paulo

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La Boya

1.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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