AODISSEIA
Filmes

Crítica: 50 Tons de Liberdade

Agora ele não f*de. Ele faz amor.

8 de fevereiro de 2018 - 11:47 - felipehoffmann

50 Tons de Liberdade é o capítulo final dos jogos sexuais escritos por E.L. James, encerrando uma saga que passeia pelo romance mamão com açúcar, periga em sua mensagem e usa o sexo como muleta para resolver os problemas normais da vida de um casal.

Anastasia Steele (Dakota Johnson – Como ser Solteira) e Christian Grey (Jamie Dornan – Jadotville), agora estão casados e, dessa vez, a trama deixa um pouco de lado todo aquele BDSM e resolve mostrar um casal jovem, tentando se adaptar à rotina do matrimônio.

Um dos grandes problemas de 50 Tons de Liberdades – e de seus predecessores – é a montagem confusa, que não sabe desenvolver suas subtramas e simplesmente as expõe, sem motivo aparente. Isso causa uma confusão no espectador casual, sem saber o que tá acontecendo em tela. O vilão do filme, por exemplo, de repente aparece surtado, perseguindo Grey numa obsessão doentia que ninguém entende até os minutos finais.

James Foley (House of Cards) até tenta, mas não consegue fazer muito, quando o roteiro não ajuda.

 

 

É aí que entra o elemento mais estranho de 50 Tons de Liberdade. O filme simplesmente não sabe o que é um casamento, ou qualquer outro problema de um relacionamento. Christian Grey é sim, totalmente diferente de Anastasia, mas daí arrumar uma briga no meio da lua de mel por discordâncias em ter um filho é demais. O casal ficou junto por tanto tempo e nunca conversaram sobre crianças? Isso rende uma das situações mais absurdas de 50 Tons, quando Christian diz que não vai dividir a esposa com mais ninguém, nem mesmo um filho. (What?)

A sexualidade foi algo “problemático” durante toda a saga. A submissão romantizada que era pregada dentro do Quarto Vermelho sempre foi uma desculpa para amenizar comportamentos abusivos dentro de uma relação e pela obsessão por parte do milionário. Usar o sexo de vingança, por exemplo, é uma situação tão perigosa que qualquer escorregão poderia fantasiar algo realmente complicado.

Mesmo com seus problemas, 50 Tons de Liberdade é o filme mais suave para acompanhar. Quase todas aquelas frases de efeito que causavam sorrisos sem graça, foram retiradas. A trilha sonora combinada à uma belíssima fotografia faz bem o estilo de Foley, e o longa tem a medida certa de duração. 1h40m de exibição é tempo suficiente para encerrar uma história que juntou fãs pelo mundo inteiro. Não por sua complexidade, mas por ser uma simples história romântica, ancorada no sexo como resolução da vida.