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13 Reasons Why trata o adolescente com respeito e a maturidade que merece, possuindo uma ótima direção, fotografia, montagem e atuações acima da média

“Oi, Meu Nome é Hanna. Hanna Baker. Acomode-se porque vou contar a história da minha vida. Mais especificamente, porque minha vida terminou.”

E assim se inicia um dos maiores acertos da Netflix, em parceria com a Paramount Television em 2017. Baseada no best-seller de sucesso de Jay Asher, 13 Reasons Why (No Brasil, Os 13 Porquês) conta a história de Clay Jensen, um jovem nerd e tímido que um dia recebe algumas fitas cassete em uma velha caixa de sapatos. Posteriormente descobre que as fitas foram gravadas por Hanna Baker, sua amiga e paixão platônica, que acabara de se suicidar. As fitas contam os 13 motivos por quais Hanna tirou sua própria vida, e cabe a Clay honrar Hanna, fazendo algo a respeito e passando-as adiante.

Criada pelo ainda inexperiente na TV – mas ganhador do prêmio PulitzerBrian Yorkey, e produzida por Selena Gomez e Tom McCarthy (Spotlight), somos envolvidos em uma trama séria e cheia de mistérios, com personagens multifacetados e com boas doses de realismo. Já que estamos diante de uma série tão diferente, façamos isso também com a crítica, e lhe darei 13 motivos parar ver 13 Reasons Why:

 

1º A Direção

 

Sendo os dos primeiros episódios dirigidos pelo também produtor Tom McCarthy, a série já se destaca em sua direção intimista, sempre focando no rosto e nas reações de seu protagonista, e o acompanhando com uma câmera no ombro. Conversas aparentemente normais no saudoso café Monet’s, são filmadas com câmera na mão, mostrando o desconforto dos personagens com suas conversas. Apesar de sofrer uma pequena queda posteriormente em termos de direção – Jessica YuCarl FranklinGregg Araki e Kyle Patrick Alvarez seguem a ideia, entregando não uma cópia, mas uma linguagem particular a série, auxiliada pela fotografia.

 

2º A Fotografia

Se passando em dois momentos distintos – no presente e no passado – Ivan Strasburg e Andrij Parekh entregam fotografias diferentes para ambos. O passado com a presença de Hanna, é recheado de cores vivas e quentes, indo para um tom mais amarelado, enquanto o presente, sem Hanna, é frio, meio azulado e mostra o peso e a diferença que a ausência da jovem causou tanto na vida particular daquelas pessoas, como no todo.

 

3º A Montagem

Leo TrombettaDaniel GabbeMatthew Ramsey são responsáveis por realizar essas transições incríveis entre o passado e o presente. Utilizando panorâmicas e elementos de cena para realizar essas passagens. 13 Reasons Why apresenta uma de suas maiores qualidades – ao brincar com nossa perspectiva – sendo o único fator determinante para a distinção – a já citada fotografia e o corte na testa de Clay, que nunca sara – uma importante ironia.

 

4º A Narrativa

Apesar de abordar temas bastante pesados e complexos, 13 Reasons Why tem uma narrativa fluída e ironicamente gostosa de assistir. Tendo o criador Brian Yorkey como principal roteirista, a série tem uma história que te prende e não usa de clichês ou facilidades de roteiro – um roteiro que não é brilhante – mas usa de nuances bem vindas – apesar de as vezes apresentar alguns diálogos bastante expositivos.

A metalinguagem é outro fator importante – Hanna só queria ser feliz e viver em paz, mas os motivos não a deixavam seguir em frente – o mesmo acontece com Clay que passa a recriar os momentos de Hanna e não abandona a história – e o mesmo acontece conosco, que fomos fisgados e estamos loucos pra saber o que aconteceu. É um ciclo stalker vicioso.

 

13 reasons why

 

5º Os Personagens

Os motivos podiam muito bem cair em esteriótipos ou ser unidimensionais em 13 Reasons Why e, servindo com uma espécie de “vilão do episódio”, o que não acontece aqui. Os personagens são bem desenvolvidos, tridimensionais, e apesar de todos terem um papel no suicídio de Hanna, conhecemos suas vidas, anseios, paixões e suas famílias.

Além de Clay e Hanna (que falaremos melhor no próximo motivo) – Justin (Brandon Flynn), Jessica (Alisha Boe), Alex (Miles Heizer), Tyler (Devin Druid), Ryan (Tommy Dorfman), Zach (Ross Butler), Marcus (Steven Silver), Coutney (Michele Selene Ang), Sheri (Ajiona Alexus), o conselheiro Mr. Porter (Derek Luke) e até o escroto Bryce (Justin Prentice) apresentam tons de cinza. Apesar de alguns discursos narcisistas e de individualidades que falam mais alto na maioria do tempo – a série procura fugir dos esteriótipos impostos pela sociedade.

 

6º As Atuações

Formado em sua maioria por completos desconhecidos, é inegável e até surpreendente que o elenco de 13 Reasons Why seja um dos pontos altos da série. Com uma química incrível entre todos e um destaque maior ao primeiro grande trabalho da protagonista – Hanna – vivida por Katherine Langford. A jovem é um talento bruto, que foi moldada pra ser uma pessoa pra cima e alegre no início, que vai se deteriorando com o tempo.

Outro destaque é Dylan Minnette (Goosebumps/O Homem nas Trevas/o eterno filho de Jack em Lost) que vive Clay Jensen – o jovem consegue ser um rapaz tímido (quem já o viu em entrevistas, sabe que ele é bem diferente) e consegue entregar uma carga dramática ao seu personagem apenas no olhar e no pouco que diz. Alisha Boe (Jessica), Brandon Flynn (Justin) e Christian Navarro (Tony) são outras gratas surpresas.

 

7º Temas Importantes

13 Reasons Why – apesar de ser uma série adolescente – quebra tabus ao tocar em temas bastante sérios e adultos, alguns até difíceis de assistir. Bullying, machismo, sexismo,  racismo, assédio sexual, estupro, depressão, abandono dos pais e amigos – e principalmente o suicídio – tudo é tratado com maturidade e de forma crua, até na forma em que são filmados. Não há beleza em todas essas atitudes, e ressalto mais uma vez a junção dos trabalhos de direção, fotografia, montagem e atuação – ao retratar com perfeição, não só os temas citados – mas o que leva a eles e o que acontece depois deles – como em todo o trabalho de Hanna antes do suicídio – e a preocupação em deixar seu “legado”.

 

 

8º A Importância dos Pais

Segundo um amigo que leu o livro, uma das grandes mudanças positivas na adaptação televisiva foi o fato dos pais de Hanna e Clay ganharem mais espaço – algo que acontece não só com os pais deles – afinal – conhecemos um pouco do convívio familiar de cada um. A mãe de Hanna vivida pela experiente Kate Walsh, vive duas personagens em uma só, sempre linda e feliz quando Hanna está viva – para uma aparência pesada e de “cara limpa” no tempo presente. Brian d’Arcy James é o pai de Hanna, mais contido e menos emotivo – o ator passa através de pequenos gestos, a tristeza que sente – e mais do que isso, o sentimento de pena e amor pela esposa.

Os pais de Clay vividos por Amy Hargreaves Josh Hamilton demonstram a importância que a criação do jovem, teve em sua personalidade. A presença ou ausência dos pais dos outros jovens, também são questões fundamentais para nos gerar empatia. Coincidentemente, os pais de Bryce e Ryan nunca aparecem ou são poucos citados na série.

 

9º A Trilha Sonora

Bastante indie e intimista, estamos diante de umas das melhores trilha sonoras de séries. Casando perfeitamente com cada momento – com cada episódio terminando com um belo som – justamente para nos fzer refletir – 13 Reasons Why encontra a sonoridade perfeita com sons de Selena Gomez, Joy Division, The Cure, Vance Joy e etc. A trilha sonora está disponível no Spotify e você pode ouvi-la aqui:

 

 

10º O Fator Selena Gomez

Pra quem não sabe, 13 Reasons Why seria um filme – já que a Paramount juntamente com Selena Gomez, tinham adquirido os direitos da adaptação que seria protagonizada pela mesma. Com a entrada da Netflix no jogo, a atriz e cantora, permaneceu apenas como produtora executiva. Mas a importância de Selena em uma produção dessas vai além do seu nome e base de fãs. Pra quem não se lembra, Selena deu uma pausa em sua carreira em agosto do ano passado, cancelando vários shows de sua turnê, incluindo o Brasil, pois estava com depressão e ansiedade – ocasionados por sua doença – a lúpus. Sendo assim, o envolvimento da moça vai além e mostra que todos estamos sujeitos aos intempéries da vida.

 

11º Ritmo/Maratona

Este motivo pode ser interpretado como bom ou ruim, dependendo do seu ponto de vista. Devido a ausência de velocidade de Clay em ouvir as fitas (sendo que no livro o mesmo escuta todos em uma noite) – 13 Reasons Why acaba perdendo o ritmo em alguns episódios – e a duração de 50 minutos a 1 hora também não ajuda. Em contrapartida o excesso de choques e abordagem de temas muito pesados, faz com que uma “parada forçada” seja necessária – para que se possa digerir tudo o que aconteceu após o fim de cada episódio. Por isso, 13 Reasons Why, não é uma série recomendada para se maratonar ao modo Netflix.

 

12º As Discussões #NãoSejaUmPorque

Assim que foi lançada, 13 Reasons Why mobilizou a internet, mas especificamente o Twitter que criou a hashtag #NãoSejaUmPorque – pretendendo realizar uma campanha de conscientização sobre prevenção ao suicídio. A “brincadeira séria” foi responsável por gerar belos twittes de apoio, elogios, prevenir brincadeiras idiotas, defender um amigo, incentivar denúncias de abuso e até mesmo falar um “olá, tudo bem?” pra alguém.

É importante lembrar que existe, no Brasil, o Centro de Valorização à Vida – organização de voluntários que ajuda na prevenção do suicídio e oferece apoio para vítimas. O atendimento é anônimo e disponível através de várias mídias, como o site oficial e o telefone 141.

 

13 reasons why

 

13º Segunda Temporada (Necessidade x Possibilidades)

Apesar de adaptar todo o livro (mudando algumas coisas em seu final), e não ter mais uma base para continuar – a possibilidade de uma segunda temporada de 13 Reason Why se torna cada dia mais plausível, devido ao sucesso que a série está alcançando. Mas – realmente seria necessário uma segunda temporada? A história consegue terminar bem, e num simbólico Mustang 1968 rumo ao horizonte.

Apesar de não mostrar tudo o que aconteceu com alguns dos personagens. Entretanto, algumas questões ficam em aberto, principalmente as que se referem a Tyler. Ele teria atirado em Alex ou o mesmo realmente deu um tiro na própria cabeça? O que Tyler planeja fazer com aquelas armas? Será que teremos uma 2º temporada baseada no massacre de Columbine? O que significa as fotos de todos no estúdio de Tyler? Bryce será preso? E pra onde vai Justin?

13 Reasons Why consegue ser excelente e quebrar barreiras, porque não trata o adolescente como um ser inferior e não foca apenas em sua casca superficial – a série vai além e os trata com toda a complexidade e respeito que merecem – fazendo com que a adolescência seja muito mais do que apenas uma fase de transição entre a infância e juventude – em outras palavras, a série deu voz não apenas aos dramas – deu voz as pessoas.


Obs: Junto com a série, a Netflix lançou também um behind the scenes/making off de 30 minutos intitulado – Além dos Porquês. Assistam.


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13 Reasons Why | 1ª Temporada

9.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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2 Comments

  1. […] fácil afirmar que 13 Reasons Why é um dos maiores sucessos da Netflix. Apesar do serviço de streaming não revelar dados de […]

  2. […] tão rápido assim. Já Misha Collins (Timeless), Mark Sheppard (White Collar) e Mark Pellegrino (13 Reasons Why) se consagram com os melhores atores coadjuvantes que qualquer série de televisão pode ter, […]

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