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Filmes

Crítica: 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição

Mais sério e menos sádico, continuação erra ao mudar a sua essência.

6 de outubro de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

Quando Uma Noite de Crime (2013) foi lançado, era possível ver no horizonte um filme com grande potencial, afinal a ideia do diretor e roteirista James DeMonaco era no mínimo interessante e inovadora. Um pena que a execução não tenha sido tão boa quanto a premissa, apesar de trazer Ethan Hawke e Lena Headey no elenco. A continuação, Uma Noite de Crime – Anarquia, que chegava um ano depois do incrivelmente bem sucedido pontapé inicial, conseguiu ser melhor que o filme original, apresentando Sergeant (Frank Grillo) um personagem com certa profundidade e imponência em tela.

Pra quem não conhece a pequena franquia, nós estamos nos EUA em um futuro próximo, aonde em um dia do ano, é decretado “A Noite do Expurgo“, 12 horas, mas precisamente das 19h às 7h da manhã, aonde é permitido matar, sem punição alguma, e expurgar todos os seus males e desafetos adquiridos durante o ano. Com essa lei, os EUA, tiveram uma grande baixa na criminalidade. O governo, (protegido pela lei, afinal os políticos não podem ser mortos), e os ricaços se beneficiam, já que apenas quem não tem condições suficientes para se proteger, morre no processo.

Se o primeiro filme teve a visão de cima do tal expurgo, afinal vemos o drama de uma família rica de bairro nobre, no segundo tivemos mais personagens e a visão de baixo, de quem estava nas ruas. Além do sadismo que aumenta consideravelmente. No terceiro filme, vemos o lado político da trama, ao lado da senadora candidata a presidente Charlie (Elizabeth Mitchell), que após um trauma de infância vivido em uma noite de expurgo, quer vencer as eleições e acabar com a lei, fazendo inúmeros inimigos, já que a alta classe sabe que a cada ano, mais pobres morrem, fazendo com que o governo se preocupe menos.

Purge: Assassins

Convenientemente, a lei é mudada, e políticos podem ser expurgados, fazendo com que a ocorra uma exceção na regra. Mais uma vez temos uma história interessante, mas infelizmente, dispensável. Ao invés de continuar na pegada do segundo filme,  James DeMonaco resolve adotar um tom mais sério, com menos crítica social embutida pela auto-paródia que realiza.  A volta de Frank Grillo como segurança da senadora, é um gancho para ligar o segundo filme a esse, e fazê-lo mais badass, o que acaba se tornando um erro, afinal já sabemos tudo sobre ele. Além do ator, que parece totalmente desinteressado.

Os diálogos são ruins, e as cenas de ação são jogadas na tela no ato final, sem nenhuma função narrativa. Se nos filmes anteriores tínhamos equilíbrio, neste tudo se limita a algo desenfreado. Além disso, a tal Noite de Crime tem muito menos importância, é como se de repente todo o povo americano se cansasse daquilo. Na franquia o conveniente sempre deu as caras, já que sempre que alguém ia morrer, aparecia outro personagem e o salvava. Apesar de perdermos nomes importantes durante os longas, neste a conveniência beira ao extremo. Com tiros errados à queima roupa, o deus ex-machina está ligado no nível máximo.

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12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição tinha tudo pra fechar uma trilogia de forma bem sucedida. Com um filme médio, um filme bom e outro melhor, mas acaba voltando ao status quo das boas ideias e execuções falhas. Acho que chega de expurgar né.


Obs: Não vejo sentido da Universal mudar o nome do título no Brasil para: 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição, sendo que o título original é The Purge: Election Year, podendo permanecer com o nome dos longas anteriores, Uma Noite de Crime 3 – O Ano da Eleição, que atrairia bem mais os fãs.