AODISSEIA
Séries

Messiah mostra como nossa fé pode ser frágil

Acreditar ou não no que nossos olhos podem ver?


18 de janeiro de 2020 - 12:56 - felipehoffmann

Messiah propõe um debate interessante entre o que é ou não divino e o que pode ser mentira quando forçam a própria fé


O que é a fé?

Para o dicionário, formalmente dizendo, é a “confiança absoluta (em alguém ou em algo); crédito.” É crer fortemente em alguma coisa.  Para a bíblia cristã, segundo Hebreus 11:1 “[…] é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. 

Fé, portanto, é confiar naquilo que nem mesmo conseguimos entender. Por isso ser fiel é tão subjetivo. É fazer com que acreditemos em algo sem nem ao menos ver, mas que ainda assim tem toda nossa devoção.

Messiah é justamente isso. Uma série que a todo tempo brinca com a percepção da fé e a capacidade do ser humano em se apegar a algo pode ou não ser verdadeiro. Ela mostra o quão frágil é a nossa fé e o quão fundo por ir o ser humano quando algo sai do controle social.

 


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Messiah 1ª temporada

No centro de uma tempestade de areia, ele estava lá. De túnica amarela, pregava para os desesperados que fugiam da tormenta. Com semblante sereno e um olhar que passeia pelo horizonte, Messiah se impõe pela sua própria vontade de acreditar que é a encarnação de Jesus.

Entre seguidores e vídeos pela internet, o homem vai se transformando numa celebridade digital. Um blogueiro divino. E esse mistério que paira o ar do personagem escancara o grande trunfo da série. Te confundir a todo momento entre o charlatanismo de um homem qualquer, um anticristo provocando o caos na sociedade ou o próprio Messias que resolveu voltar.

O benefício da dúvida que Messiah provoca é o fator que prende as pessoas até o último instante da temporada. Não saber se ele é de fato o salvador deixa a gente com uma pulga atrás da orelha que a série sabe muito bem como instigar.

Por trás disso tudo, algumas histórias secundárias tentam preencher os 10 episódios que a Netflix propôs, mas sem tanto sucesso assim. É até inteligente colocar a CIA dentro desse contexto, pois é o elemento que tenta desmistificar a figura messiânica, e entre conversas árabes e inglesas, cada ponto milagroso tenta se desfazer.

Contudo, é o único ponto que consegue dar uma sobrevida aos personagens. Quando Messiah tenta expandir os dilemas para núcleos familiares, que é a base divina, a série se perde. São arcos desinteressantes e destoantes da premissa principal.

Se já é difícil se apegar a Cristo, imagina à fan base dele.

 

Messiah netflix

 

Por que assistir?

Dar uma chance pra Messiah, é entender como nossa fé pode ser frágil. Como a humanidade está disposta a acreditar em alguém que se intitula o Salvador. Projetar nossa crença no próximo talvez seja a forma de manter a própria fé, pois a primeira vista é a figura que deixa tudo palpável.

Paulo, em uma de suas epístolas para difundir o cristianismo pelo mundo, disse:

Já não há mais judeu ou grego, já não há mais homem ou mulher. Já não há mais distinção entre escravos ou livres, porque todos são um em Cristo Jesus.

Praticar a caridade é preceito básico para a salvação, segundo o cristianismo e o que a série impõe é exatamente o oposto disso. No mínimo sinal da aparição de Messias, a humanidade entra em conflito com ela própria e perde a própria fé.

Entre seguidores reais e virtuais, perdem-se todos em suas vaidades. Bem longe da divindade de Cristo.