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Crimes de Família é o novo filme argentino que promete prender muita gente nesse drama que estreia na Netflix


Um corredor estreito bastante claustrofóbico, completamente escuro e com uma porta nos fundos dele. Atrás de você, é possível sentir um movimento sinuoso, alguns barulhos indecifráveis e umas notas musicais que tomam o centro do palco. No final, sai uma mulher, vestida com uma camisola antiga e descalça, caminhando lentamente em direção à câmera. Ofegante, ela chega tão rápido quanto o medo de ler e ver essa cena. E tudo escurece novamente.

É assim que começa Crimes de Família, novo filme argentino original Netflix, que estreia nesta quinta, 20 de agosto, e que conta a história da decadência de Alicia, vivida por Cecilia Roth, uma mãe desesperada, que tentará de todas as formas possíveis impedir que seu filho Daniel, interpretado por Benjamin Amadeo, vá para a prisão, após ser acusado de uma tentativa de homicídio por sua ex-companheira.


Confira o trailer de Crimes de Família

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Em paralelo à história principal de Crimes de Família, temos Gladys, vivido por Yanina Ávila, a empregada de Alicia e seu marido Ignacio, interpretado por Miguel Ángel Solá, que também é julgada por um outro crime terrível, cujos detalhes vão sendo revelados à medida em que o filme argentino avança.

Além dessa premissa inicial, existe uma história cheia recheada de enigmas, mentiras e conflitos éticos e morais. Crimes de Família é um “filme sobre mulheres, uma história de três mães e o que elas são capazes de fazer pelo amor de seus filhos”, segundo o diretor argentino que comanda o longa, Sebastián Schindel.

“Os conflitos com que mais gosto de trabalhar são os que não têm solução, que são os da própria vida”,

Essas são as palavras de Schindel em entrevista ao portal Efe antes da estreia do filme.

Filme argentino Crimes de Família estreia na Netflix

O filme Crimes de Família é baseado em fatos reais

A trama de Crimes de Família, coloca Schindel como uma mulher “muito complexa em vários níveis”, a ponto da construção do roteiro levar alguns anos para adaptar todas as nuances da personagem, segundo o diretor.

Em parte, isso se deve ao fato do filme ser inspirado em dois crimes reais, sem relação entre si mas que tiveram um forte “vínculo afetivo” com os fatos, que, inclusive, foi o nome preliminar de Crimes de Família por um bom tempo.

“Decidi combinar estes dois casos que nada têm a ver com isso para que se passem no seio de uma mesma família, cuja chefe é Alicia, a personagem que é magistralmente interpretada por Cecilia Roth e que será a protagonista involuntária desta tragédia, onde ela, talvez agindo com as melhores intenções, acaba tomando as piores decisões ”, explica o cineasta argentino.

Na verdade, Schindel admite que o primeiro nome que lhe veio à mente na construção da personagem de Alicia foi o de Roth, uma das atrizes argentinas de maior sucesso e que ganhou dois prêmios Goya por seus papéis em ‘Martín’ (1997) e ‘Tudo sobre minha mãe’ (1999).

Porém, ajustar agendas com uma estrela do tamanho de Roth não foi nada fácil e até o último minuto sua participação no filme não tinha sido confirmada.

“A brincadeira é que ela dificilmente faria Crimes de Família, porque quando a produção finalmente estava montada, havia o financiamento e havia condições para fazê-lo em meados do ano passado, Roth já tinha outros compromissos. No último momento conseguimos liberar sua agenda, por isso estou muito feliz que tenha sido possível, que Cecília fizesse esse papel de Alicia”, diz Schindel.

Decisões difíceis para o elenco de Crimes de Família 

Alicia é o epicentro de toda a narrativa do filme argentino. É na personagem  que convergem todas as tramas e subtramas, pois ela é a protagonista inesperada de tudo o que se passa ao seu redor.

Contudo, a história corre paralelamente por outros caminhos, principalmente através dos personagens de Daniel (Benjamín Amadeo) e Gladys (Yanina Ávila).

Nesse sentido, o diretor de Crimes de Família reconhece que ambos os papéis correspondem a “decisões de elenco muito arriscadas”, embora por razões completamente opostas.

Para Amadeo, o maior desafio consistia em romper com a sua imagem pública de “bom menino”, colocando-se na pele de um personagem cheio de sombras e conflitos.

“Benjamín Amadeo foi muito corajoso ao aceitar este papel. Ele faz esse personagem sinistro, super complicado, muito dark. Tem muitos atores que não gostam de fazer esse tipo de papel, pois não querem estar naquele lugar, e ele só queria o contrário”, afirma o responsável pelo filme.

Já o caso de Yanina Ávila, nascida na região de Misiones (norte da Argentina), é ainda mais fascinante. Assim como a personagem de Gladys, Ávila também é empregada doméstica na vida real e só participou de um filme antes, então foi um grande desafio para ela.

“Foi preciso convencê-la e trazê-la para Buenos Aires, foi a primeira vez que ela viajou de avião e a primeira vez que esteve na cidade na vida (…). Eu não poderia estar mais feliz com a experiência que ela ousou desempenhar nesse papel e colocou muito de sua própria história pessoal nisso”, diz Schindel.

Essa trajetória pessoal está presente em muitas das cenas do filme, principalmente no diálogo entre a personagem de Ávila e Paola Barrientos na prisão, num momento que chocou todo todo mundo dada a emotividade da cena.

“Foi uma cena muito difícil para ela, porque é uma cena com muito texto e muito forte (…). Foi um momento muito emocionante, mesmo para todos os técnicos de filmagem, iluminadores, fotógrafos, assistentes, que estão acostumados, que já vivem essa rotina. Houve um silêncio mortal e você sentia a tensão que o espectador vê na tela”, diz o diretor do filme.

A corrupção judicial é outra questão chave do filme argentino

Da mesma forma que Crimes de Família retrata muitas questões atuais no cenário da atual Argentina, como o feminismo e com um aceno sutil à luta pelo aborto, também toca em pontos importantes, especialmente na corrupção dentro da Justiça.

E o fato de que a personagem Alicia, de família rica do bairro da Recoleta, em Buenos Aires, aproveita sua posição privilegiada para tentar se beneficiar legalmente do filho, acaba sendo reflexo de um problema em que “quase todos os argentinos estão de acordo” .

“Na Argentina, a Justiça está com muitos problemas. Tem uma coisa na nossa Justiça que não tá dando certo, não sei o que é e não sei como resolver (…) Acho que os dois lados da divergência política daqui concordam que isso não está indo bem”, reflete Schindel.

Crimes de Família sofreu com a pandemia

O filme também não ficou alheio à pandemia do coronavírus. Originalmente previsto para ser lançado nos cinemas locais no dia 21 de maio e com todo o investimento em publicidade já preparado, tudo teve de ser paralisado.

De qualquer forma, a estreia no serviço de streaming da Netflix representa uma nova oportunidade para a distribuição do filme, que foi de uma estreia em cerca de 150 cinemas da Argentina para os milhões de assinantes da plataforma.

“Felizmente, agora temos essa estreia na Netflix. A verdade é que o mundo mudou, não sabemos quando a normalidade vai voltar e como será essa normalidade, e como não há outra, não devemos ficar irritados com a quarentena, temos que aprender a conviver com ela e tirar o melhor dela possível”, completa o diretor do filme argentino.

Desta forma, Crimes de Família se junta às outras produções da Netflix na Argentina, com filmes como The hunch ou a série Almost Happy.

Crimes de Família está disponível na Netflix

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