AODISSEIA
Séries

Cobra Kai – 1ª Temporada

Quando a nostalgia é suficiente.

28 de maio de 2018 - 16:03 - Tiago Soares

Não é nenhum spoiler que a cena inicial de Cobra Kai, seja a luta final de Karate Kid: A Hora da Verdade (1984). O que vem a seguir talvez seja, já que não vemos um Daniel San vitorioso, mas sim uma Johnny Lawrence caído – para depois sermos transportados – 34 anos depois do torneio. A cena é emblemática, já que mostra que teremos uma subversão de valores e de narrativa.

Se o nome da série não deixa essa inversão clara, até a metade do episódio não vemos Daniel LaRusso, e acompanhamos a jornada de um fracassado Jhonny Lawrence, que não possui um emprego fixo, não tem uma boa relação com a mãe do seu filho e nem com o próprio. Do outro lado. vemos um Daniel La Russo bem sucedido, dono de uma rede de concessionárias, que ainda utiliza muitos dos ensinamentos do Sr. Miyagi, seja nos negócios, ou na vida.

Criada por Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg e Josh Heald, Cobra Kai é a primeira grande série de sucesso da plataforma de streaming Youtube Red, baseada (pelo menos na trilogia) Karate Kid de  Robert Mark Kamen. O que se vê logo de cara é o respeito com a obra original. Karate Kid não é nenhuma obra prima, mas toca demais na memória afetiva das pessoas. O remake de 2010 por exemplo, é amado por uns e odiado por outros.

Por isso ouve um cuidado especial não apenas da produção, mas dos atores, ao trazerem seus personagens mais famosos a tona novamente. A sensibilidade ainda está no Daniel La Russo de Ralph Macchio e a impulsividade está presente no Johnny Lawrence de William Zabka. Mesmo mantendo a essência, a evolução de ambos é sentida, já que Lawrence apresenta camadas antes nunca vistas e La Russo é presunçoso ao extremo.

Tudo que os personagens são, é passado para a nova geração. Miguel (Xolo Maridueña), Robby (Tanner Buchanan) e Samantha (Mary Mouser), claramente serão o futuro, caso a série venha a ter muitas temporadas. São personagens simples, e muitas vezes clichês, mas que se apoiam numa história pré-estabelecida. Reabrir o dojo Cobra Kai (como um dos personagens diz “um nome muito maneiro pra um dojo”), insurge uma nova filosofia, mantendo os 3 lemas principais: “Strike First” (Ataque Primeiro), “Strike Hard” (Ataque com Força) e “No Mercy” (Sem Misericórdia).

Depois de muita insistência, Lawrence foca nos outsiders, aqueles que sofrem bullying, que desejam contra-atacar. La Russo tenta manter e passar adiante todos os ensinamentos do Sr. Miyagi, ao mesmo tempo em que aprende mais sobre si mesmo e sua família, é um exercício constante sobre evolução. Aliás, a série homenageia bastante Pat Morita – especificamente o episódio 5 – todo dedicado ao mestre. Sua alma está presente em cada episódio, afinal karatê está em todos os lugares.

Visualmente, Cobra Kai nos transporta aos anos 80. Apesar de se passar mais de 30 anos depois da obra original, o visual da Califórnia permanece oitentista, com sua fotografia quente e uma trilha sonora que refresca o coração. As cenas de ação são empolgantes e a nostalgia é o que nos faz ter interesse na história. Com 10 episódios de pouco mais de 20 minutos cada, Cobra Kai é uma ode aos tempos nostálgicos que vivemos.

Sempre com muito bom humor, a série se sobressai justamente por não se levar tão a sério. É um produto dos anos 80 na atualidade, e já é uma das maiores surpresas do ano. Que a segunda temporada mantenha a essência em 2019.