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Depois de seis edições de CCXP, nós preparamos uma lista com as marcas que tem acertado em cheio nos seus estandes.


É claro que muita gente visita a CCXP apenas por conta dos convidados famosos que marcam presença com cada vez mais frequência, no entanto nem só de painéis vive um evento desse porte. A feira também é formada por um gigantesco universo paralelo de estandes que abrigam estúdios, canais de televisão, serviços de streaming, lojas especializadas e interações que garantem a diversão de quem não entrou no auditório (por escolha ou não).

Entretanto, se engana quem pensa que essa parte da CCXP funciona como uma espécie de segunda opção para quem não encarou os problemas de organização ou as noites mal dormidas nas filas. Na verdade, considerando que os auditórios reunidos não receberiam nem 10% do número diário de visitantes, o chão da feira é encarado pela maioria das marcas como uma oportunidade única de se conectar com milhares de pessoas de uma vez só, apresentando novidades e impactando o público através de abordagens que fujam da ideia de colocar algum ator de Hollywood para falar num palco.

Só que, como a edição de 2019 já chegou ao fim, nós decidimos usar as experiências adquiridas durante seis anos de feira para fazer uma lista quase futurista. Em outras palavras: vamos reunir alguns estandes que, graças aos acertos e/ou aprendizados desse ano, devem continuar chamando a atenção nas próximas edições. Afinal de contas, a tendência é que os erros sejam consertados e os investimentos ampliados com o passar do tempo.

Amazon

Responsável pelo melhor estande disparado da CCXP, a Amazon pegou carona no crescimento do Prime Video aqui no Brasil para dobrar o espaço ocupado pelo seu estande. Mas o serviço de streaming não parou por aí e realmente investiu em conteúdos que interagissem e conquistassem seus visitantes, apostando principalmente numa mistura incrível entre tecnologia, imersão e cuidado com os detalhes. Cada espaço foi preparado com o objetivo de transportar o espectador para o universo da série em questão através do texto e do visual.

Entre tantos acertos, os grandes destaques ficaram com o teatro interativo que ocupava o espaço de Carnival Row e o açougue que servia como uma base de treinamento típica de The Boys. O primeiro reunia apuro técnico, atores muito bem preparados e boas doses de sensualidade num passeio que terminava em um cabaré comandado por fadas dispostas a intimidar e flertar com qualquer visitante. Já o segundo, recriava um ambiente onde as pessoas pudessem treinar para enfrentar os super-heróis distorcidos que ocupam a trama da série.

No entanto, o que comprova que a Amazon realmente se esforçou nessa missão de disputar com o sempre elogiado estande da Netflix é o fato de que até mesmo os espaços menos elaborados acertavam em cheio nos detalhes técnicos, na escolha dos atores, no texto ou no uso da tecnologia. Em meio a possibilidade de se tornar um membro da Frota Estrelar, relaxar durante uma viagem espacial ou adorar os deuses em um belíssimo carrossel, o serviço de streaming conquistou a maioria absoluta dos seus visitantes e mostrou que pode sim bater de frente com a concorrência dentro e fora da internet.

Telecine

Parceiro de longa data da CCXP  quando se trata de liberar um mês grátis para quem compra o ingresso, o Telecine se tornou patrocinador master da feira nessa edição e fez sua primeira participação dentro da área de estandes. Como o objetivo era divulgar seu serviço de streaming cada vez mais completo, o canal não poupou esforços ou investimentos na hora de conquistar novos assinantes através da boa e velha interação.

Seu grandioso espaço era composto por diversos jogos relacionados aos principais gêneros da sétima arte, brindes que fugiam dos típicos adesivos distribuídos em qualquer estande da feira e um mirante voltado para produção de conteúdos como vídeos e podcasts. Um sistema que beneficiava a imprensa, os criadores de conteúdo voltados para qualquer mídia e os visitantes que ansiavam por participar de todas as brincadeiras com o objetivo de colecionar os bottons que possibilitavam a conquista de presentes cada vez melhores.

Nós só conseguimos participar da área voltado para o terror, mas a experiência mostrou que o canal estava realmente disposto a interagir com seus possíveis espectadores de maneiras criativas e divertidas. Por mais que eu – graças ao meu medo – não consiga recomendar a combinação assustadora entre realidade virtual e o cabelo da Samara que me atingiu naquela sala, posso garantir que a expectativa foi superada com bastante folga. Valia a pena ficar na fila para brincar e os próximos só devem melhorar isso.

Warner

Apesar de manter o mesmo layout dos últimos dois anos, o estande da Warner se mantém como um dos destaques absolutos da feira por conta do seu tamanho descomunal e da quantidade de produtos diferentes que podem ser encontrados no espaço. Afinal de contas, a Warner sempre leva suas principais estreias cinematográficas, algumas séries (do passado e do presente) que fazem muito sucesso e uma loja cheia de coisinhas exclusivas. Isso sem contar com o Cartoon Network que se juntou com o estúdio nesse ano pela primeira vez.

Logo, por mais que algumas experiências sejam tão simples quanto entrar em um cenário do filme para tirar foto com uma hiena de papelão, as opções abundantes fazem com que o estande mereça sua atenção. Esse ano era possível dançar músicas dos anos 80 por conta da estreia de Mulher-Maravilha 1984, acertar sanduíches na boca do Scooby, tirar fotos com a Máquina de Mistério, testar sua honestidade em um polígrafo inspirado no laço da verdade, aparecer no jornal de Riverdale e mais uma porção de sacadas bem interativas. A Warner mostrou que sabia como utilizar seu espaço e conquistar seu público, adicionando alguns brindes razoavelmente elaborados às experiências.

Algo comprovado pela maneira como o estúdio mexeu com os corações do fãs de Friends e Supernatural através da recriação de ambientes icônicos de ambas as séries. Eu, como um fã que sobreviveu a quinze temporadas ao lado dos Irmãos Winchester, admito que precisei me segurar na hora de visitar o bunker muito bem recriado no estande. Em tempos de despedida, uma escolha certeira que mostra um pouco do carinho que a marca injeta no seu espaço.

AMC

A AMC não chega nem perto de ser uma das principais marcas da CCXP, logo também não tem um daqueles estandes gigantescos. No entanto, a empresa comprovou esse ano que é possível usar seu pequeno espaço com inteligência, substituindo alguns metros quadrados por experiências que deem um passo a mais quando se fala em interação com os visitantes. Inclusive, o que mais me chamou atenção foi o fato da atração não excluir as pessoas que estavam nas filas de espera ou nos corredores.

E eles realmente precisavam conquistar uma grande quantidade de possíveis espectadores, já que seu carro-chefe nesse ano era The Walking Dead: World Beyond, spin-off adolescente da série de zumbis que vai exibido de maneira independente pelo próprio canal. Ou seja, nada de usar a Fox ou a Netflix como intermediárias na hora da exibição ou da divulgação.

A principal consequência disso em termos de CCXP foi não fazer parte de um grande estande como acontecia até então, mas, como eu disse, a AMC superou essa queda no investimento com muita criatividade e atenção aos detalhes na hora de criar seu pequeno apocalipse zumbi. Uma experiência marcada por trailers exibidos em ambientes de realidade virtual, buscas por comida dentro do universo da série e, principalmente, a possibilidade de ver zumbis saindo dos limites do estande após o toque da sirene. Um momento que merece destaque justamente por incluir na brincadeira tanto quem está na fila esperando, quanto aquelas pessoas que não haviam “escolhido” o estande do canal, criando um ambiente imersivo que interagia com muito mais gente de uma vez só.

HBO

Dona de um dos estandes mais disputados da feira, a HBO fica dividida entre uma grandiosidade que mostra o quanto o canal se interessa pela CCXP e o desperdício de oportunidades dentro de um painel que baseia suas interações na possibilidade de tirar fotos em cenários relacionados a Watchmen, Westworld e His Dark Materials. Ainda assim, a alegria da maior parte dos visitantes faz com que o local mereça algum destaque no nosso texto.

Digo isso porque é muito importante entender que nem todo mundo que entra no estande esteve em todas as edições do evento ou está ali para comparar os espaços em busca de um texto como esse. A grande maioria não se enquadra em nenhuma dessas características isoladas, logo pode se divertir tranquilamente com a já citada possibilidade de tirar fotos com objetos, figurinos ou cenários que preencheram sua imaginação nos últimos meses. Eu mesmo preciso admitir que me impressionei e fiz questão de tirar fotos com algumas dessas coisas durante a vista.

Só que isso também não pode me impedir de deixar claro que o estande da HBO ficou um pouco abaixo de outros espaço que apostaram em interações mais eficientes e entregaram recompensas mais “sólidas” para o público que ficou horas na fila. Uma comparação necessária, mas que não muda o fato de que o canal tem se destacado como seus investimentos na CCXP. Eles sabem a importância da feira e só precisam encontrar formas de oferecer aquele “algo a mais”.

OBS: Se você ficou satisfeito com o estande do canal, saiba que esse texto ´e baseado apenas em opiniões e comparações pessoais. Muita gente curtiu e eu não estou criticando isso…

Globoplay

Em sua segunda participação no chão da feira, a Globoplay manteve o bom trabalho com mais um daqueles estandes completos e gigantescos. Tudo preparado para, assim como no ano passado, divulgar diversas séries exclusivas do seu serviço de streaming, abrigar seus próprios painéis no pequeno auditório que marca o centro do estande e oferecer interações ligadas aos projetos mais importantes da casa.

Dessa vez, o destaque ficou com uma tirolesa que oferecia alguns segundos de aventura para os visitantes, uma máquina cheia de prêmios que iam de bancos biodegradáveis até lindos copos, e alguns espaços focados no uso da realidade virtual. Esse era o caso do cenário ligado a série Evil (produção americana que será distribuída com exclusividade aqui no Brasil) e da casa de madeira usada para divulgar a assustadora Desalma. Boas oportunidades para conquistar possíveis assinantes através da boa e velha imersão.

Netflix

Elogiada desde a primeira edição graças a grandiosidade de seus estandes, a Netflix já se firmou como uma das principais parceiras da CCXP dentro e fora dos auditórios. É verdade que dessa vez precisou disputar espaço com uma Amazon preparada para extrair o melhor de suas ativações, porém nunca deixou de estar entre uma das marcas mais procuradas e abarrotadas. Todo mundo sabia que precisava sair da entrada direto para a fila da Netflix, caso quisesse visitar algum dos espaços preparados pelo serviço de streaming.

E olha que as opções não eram poucas… Os milhares de visitantes que chegavam à feira diariamente poderiam acompanhar aulas de ginástica saídas diretamente dos anos 80, visitar uma recriação do shopping onde se passou boa parte da terceira temporada de Stranger Things, tirar fotos com veículos marcantes de Breaking Bad e/ou El Camino, visitar um museu com várias referências a Black Mirror e muito mais.

Um tour completo bastante valioso, mas que ainda pecava pela falta de interatividade quando comparado com os estandes criados por rivais como AMC, Telecine e a própria Amazon. Algumas marcas estão aprendendo a recompensar quem fica tanto tempo na fila para participar de suas ativações, enquanto outras estão precisando sair da sombra deixada pelo sucesso dos anos anteriores para evoluir. A Netflix está nessa lista, mas não deve ter dificuldades para melhorar nos próximos anos.

Disney

Seja dominando o sábado dentro do auditório ou chamando atenção graças ao seu estande nada modesto, a Disney nunca passa despercebida pela CCXP. No entanto, por mais que isso continue acontecendo sem nenhuma discussão, as ativações preparadas pela empresa para essa edição soaram um pouco repetitivas e não impressionaram tanto quanto nos anos anteriores. E olha que o espaço reunia todos os braços da empresa, incluindo as recém adquiridas Fox e Blue Sky Animations.

O estande em si merece um espaço nesse texto, porque realmente atrai os olhares com sua opulência dividida entre duas quadras de evento. O problema estava realmente naquilo que as ações ofereciam para os visitantes após horas de espera nas filas. O espaço dedicado a Viúva Negra não passava de um pequeno labirinto com obstáculos básicos, a ativação de Mulan oferecia uma tirolesa que menos impactante do que aquela disponibilizada pela Globoplay, a área das animações permitiam que as pessoas tirassem fotos pouco elaboradas como DJ’s ou espiões, e Star Wars repetiam os típicos retratos ao lado de Stormtroppers ou dróides.

O que mais chamava a atenção era o tobogã de “gelo” usado para divulgar Frozen 2 e um treinamento Jedi bastante básico, mas ambos ofereciam experiências muito rápidas quando comparadas com o tempo gasto na fila de espera. Isso quando a imersão de alguma dessas ativações não era destruída por uma janela onde os participantes poderiam ser fotografados por estranhos do lado de fora. Um combo que colocou o estande da Disney como um dos mais decepcionantes desse ano, mas não o tirou daqui pelo simples motivo que vale a pena ficar de olho e torcer por ativações melhores no futuro.

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