Capitães de Zaatari | Muito mais do que um jogo

Capitães de Zaatari
Foto: Divulgação

Sem reinventar a roda, Capitães de Zaatari coloca a amizade, o esporte e a expectativa de um futuro melhor para jogar uma inesquecível partida de futebol.


Que o futebol é uma paixão nacional, todo mundo já sabe. O que costuma passar despercebido é o fato do brasileiro colocar o esporte em um pedestal tão imponente que se esquece da importância que um campo com onze jogadores de cada lado possui em outros países desse mundão.

Uma realidade que só muda quando nos deparamos com reportagens sobre a superação de astros internacionais ou filmes como Capitães de Zaatari. Obras que não revolucionam o jogo, mas repetem com força um dos ditados mais adorados pelos amantes de futebol: “não é só um jogo…”

E, de fato, o futebol pode ser muito mais do que isso. Em muitos casos, lutar pelo sonho de se tornar um profissional é uma saída, uma solução ou uma oportunidade única de deixar de ser reconhecido apenas como refugiado.

Qual é a história de Capitães de Zaatari?

Mahmoud e Fawzi são dois amigos que vivem no campo de refugiados Zaatari, localizado na Jordânia. Embora não saibam o que vai acontecer no futuro, eles se concentram em sua principal paixão: o futebol. Os dois treinam diariamente, enfrentando a situação adversa em que vivem na esperança de que o esporte seja um passaporte para a liberdade.

Capitães de Zaatari
Foto: Divulgação

Quando uma renomada academia esportiva chega ao local com o objetivo de selecionar jogadores para um torneio internacional em Doha, o talento de Mahmoud e Fawzi é imediatamente reconhecido. No entanto, os caminhos deles podem enfrentar obstáculos diferentes…

O que achamos de Capitães de Zaatari?

Se pensarmos nas convenções do gênero em que se encaixa, não existe nada muito diferente em Capitães de Zaatari. O longa não é exatamente inventivo, poético ou inovador em relação aos valores estético. No entanto, assim como acontece em Sr. Bachmann e Seus Alunos, sua principal virtude é ser uma obra direta que conduz o espectador por uma jornada de emoções reais.

Além de filmar o futebol de uma forma que gera expectativas, o diretor Ali El Arabi sabe a hora de se aproximar e se afastar dos personagens, colocando os sentimentos na tela com uma dinâmica que nos ajuda a sentir o que aqueles jovens estão sentido e, automaticamente, torcer pelo sucesso deles.

Só que isso depende de uma preparação que também pode ser considerada um acerto de Capitães de Zaatari. Interessando em fugir do didatismo para explicar a situação sociopolítica da Jordânia, o filme seleciona diálogos e imagens que traçam um panorama dos campos de refugiados, situam o espectador na realidade e, acima de tudo, escancara os riscos envolvidos no torneio retratado durante o terceiro ato. É um momento único que pode mudar a vida deles para sempre.

Capitães de Zaatari
Foto: Divulgação

Uma verdade que ganha mais força por conta dos protagonistas. Não sei como foi o processo de seleção dessas histórias, mas o relacionamento de Mahmoud e Fawzi é essencial para o sucesso da produção. A amizade e os sonhos são retratados através de diálogos singelos e imagens honestas, incluindo um final que chega rápido demais. Eu veria os dois por mais uma hora, sem nenhum problema.

Eu entendo que a maior parte dessas virtudes que marcaram minha experiência têm uma relação mais próxima com a temática do que o bom uso da linguagem cinematográfica, mas nem sempre isso é um problema.

Eu vi o André Henning falar em uma entrevista recente que as melhores narrações esportivas são aquelas que contam uma história. Não interessa se vai ser uma história de superação sobre o time que nunca ganhou títulos internacionais ou uma narrativa melancólica sobre o jogador que não faz gols, porque o importante é transmitir o peso daquele momento para quem está do outro lado da tela.

Para mim, Capitães de Zaatari é um exemplo disso. Um documentário simples e direto que, apesar das similaridades com uma reportagem do Esporte Espetacular, sabe apresentar as histórias, os riscos que cercam os personagens e as emoções de uma maneira que nos faz repetir o ditado como mantra.

Muito mais do que um jogo… Muito mais do que um jogo…


Capitães de Zaatari foi conferido nas cabines de imprensa da Mostra de São Paulo 2021


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