Bom Dia Verônica
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Fique por dentro da história, do elenco e das primeiras impressões de Bom Dia Verônica, nova série brasileira da Netflix


Desde a estreia de 3%, lá em 2016, a Netflix investiu em algumas produções nacionais. Algumas questionáveis (O Mecanismo e Spectros), algumas com potencial (Samantha! e Coisa Mais Linda) e outras realmente incríveis (Sintonia, Boca a Boca e Ninguém Tá Olhando).

Eu já assisti os três primeiros episódios de Bom Dia Verônica, e passei aqui pra dizer com toda a humildade que a nova produção nacional da Netflix tem tudo pra encontrar um lugar na parte mais alta dessa lista.


O que é Bom Dia Verônica?

Bom Dia Verônica é a adaptação de um romance de mesmo nome, escrito pelo escritor Raphael Montes (Suicidas, Uma Mulher no Escuro) ao lado da jornalista Ilana Casoy (responsável pelo livro que dissecou o caso de Suzane von Richthofen). Dois especialistas em histórias criminais – fictícias e reais – que se uniram com o intuito de escrever um livro incrível.

Bom Dia Verônica

Nele acompanhamos duas histórias paralelas: a de Verônica Torres, uma escrivã da delegacia de homicídios de São Paulo, e a de Janete, uma mulher simples que vive um relacionamento abusivo com seu marido.

A primeira está envolvida numa investigação relacionada a um golpista que seduz mulheres através de um aplicativo de relacionamentos. Mas sua rotina muda quando recebe uma ligação anônima da segunda, iniciando uma investigação que pode revelar mais do que abusos domiciliares por parte de Cláudio Brandão, um coronel da polícia militar.

Quem trabalhou em Bom Dia Verônica?

A parte mais curiosa da produção de Bom Dia Verônica é a adaptação seriada foi conduzida pelos próprios autores do livro. Raphael e Ilana (que também são creditados como roteiristas do filme A Menina que Matou os Pais) trabalha ao lado dos roteiristas Gustavo Bragança, Davi Kolb e Carol Garcia na empreitada. Já a direção geral fica por conta do ótimo José Henrique Fonseca (Heleno).

Bom Dia Verônica

Enquanto isso, o elenco conta com nomes reconhecidos do audiovisual brasileiro. Entre eles: Tainá Muller (Tropa de Elite 2 e Bingo – O Rei das Manhãs) como Verônica; Camila Morgado (Olga e O Animal Cordial) como Janete; Eduardo Moscovis (O Que É Isso, Companheiro? e O Doutrinador) como Brandão; Antônio Grassi (Carandiru) como Wilson Carvana; e Elisa Volpatto (Assédio) como Anita.

Primeiras Impressões de Bom Dia Verônica

Antes de falar qualquer coisa, preciso dizer que Bom Dia Verônica não é uma série pra qualquer um. É um produto que toca em temas sensíveis tendo como objetivo chocar o espectador.

Mas, pra quem tiver estômago, esse é um choque muito bem-vindo. Afinal de contas, é esse impacto que conduz boa parte das discussões sobre machismo. abuso e autoridade que povoam as duas tramas principais da produção.

Algumas delas, como é o caso de alguns diálogos sobre a filha da personagem-título, são mais sutis, mais “tranquilas”. O que não significa que elas são menos importantes, considerando que todos esses momentos ajudam a ditar justamente essa construção temática da série.

Bom Dia Verônica

E é inegável que Bom Dia Verônica, no meio de todos os estereótipos típicos das tramas policiais, tem algo a dizer sobre todos esses assuntos. Ainda não posso afirmar se as peças se encaixam de maneira satisfatória, porém consigo garantir que o grande diferencial da série está nesse subtexto.

Portanto, acho muito válido que a série invista em tais elementos. Mesmo que precise recorrer a certos padrões pra não criar uma trama extremamente confusa e embolada.

Em outras palavras: é uma série simples que apela para diversos clichês na construção do mistério ou dos personagens, mas acerta em cheio quando o objetivo é escancarar o machismo estrutural, o abuso doméstico e os pedestais que protegem as autoridades.

Uma grande parte do tempo de tela que Verônica Torres possui durante os três primeiros episódios se dedica sem medo a esse trabalho, mostrando inclusive como a abordagem policial pode influenciar na falta de denúncias. Quem já assistiu a série Inacreditável (que também é da própria Netflix) vai notar algumas similaridades na forma como o depoimento busca desacreditar a vítima somente pelo fato dela ser mulher.

Ao mesmo tempo, a trama de Janete e Brandão mostra o lado da vítima de maneira direta e bastante cruel, destrinchando as estratégias – muito bem pensadas – que um companheiro abusivo tira da manga com o objetivo de fazer a mulher sentir culpa e medo a cada instante. E eu digo isso porque não é fácil ver Camila Morgado presa nesse ciclo de abusos, assumindo ser a culpada pelos crimes de um Eduardo Moscovis extremamente asqueroso.

Bom Dia Verônica

Só tem um porém; ou melhor, um além, já que esse ciclo é encorpado por alguns detalhes muito surpreendentes. Quem assistir o trailer vai ter alguma ideia de como funciona o relacionamento abusivo entre Brandão e Janete, mas eu garanto que alguns pontos específicos desses artifícios que ele usa pra deixá-la culpada ou acuada são assustadores.

Por mais que o trabalho de Tainá Muller como Verônica demore um pouco mais pra impactar com a mesma força, a construção compassada das crenças que controlam suas decisões ajudam a transformá-la numa personagem poderosa antes mesmo do terceiro episódio.

Tudo graças a uma direção que acerta bastante na condução das sequências de ação e suspense, enquanto mexe com os brios do espectador através da “transmissão” de inúmeros sentimentos. O destaque, na minha opinião, fica pro ódio que impossível não sentir a cada passo dado dentro da delegacia e do subúrbio paulista.

E, como eu já disse, esse é o ponto forte de Bom Dia Verônica. É o que permite que, mesmo sem reinventar a roda, a série deixe o público com aquele nó na boca do estômago. Uma sensação que cria aquela necessidade de maratonar ao mesmo tempo em que insere reflexões importantes na mente do público.


Bom Dia Verônica chega a Netflix no dia 01 de Outubro

Confira o trailer oficial da série


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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