Bom Dia Verônica Raphael Montes
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Ansioso pra assistir Bom Dia Verônica? Confira uma entrevista com Raphael Montes, o criador da nova série brasileira da Netflix


Nessa altura do campeonato, vocês já sabem que a próxima grande estreia da Netflix é Bom Dia Verônica. Uma série policial onde a personagem-título, uma escrivã de São Paulo interpretada por Tainá Muller, vê sua vida virar do avesso quando começa a caçar um serial killer bastante violento.

Os três primeiros episódios (que nós já assistimos) são ágeis, bem construídos e assustadores. Um resultado alcançados graças a maneira como a ficção e a realidade se chocam para falar sobre machismo, violência doméstica e autoridade.

Uma mistura que nasceu da mistura entre duas mentes extremamente criativas: Raphael Montes e Ilana Casoy. Um escritor de ficção bem sucedido e uma criminóloga que se uniram tanto nas páginas, quanto nas telinhas. Afinal, os dois colecionam, ao mesmo tempo, os créditos de autores do livro e criadores/roteiristas da série.

O Raphael Montes – carioca de apenas 30 anos que já venceu vários prêmios como escritor – bateu um papo com a gente pra falar sobre as ideias por trás de Bom Dia Verônica, o processo de adaptação para uma série da Netflix e o futuro do projeto.


Bom Dia Verônica Raphael Montes

 

A Odisseia – Como surgiu a história de Bom Dia, Verônica?

Raphael Montes – Antes de ser autor de histórias policiais, de crime, de mistério, eu sou um leitor de histórias policiais, e um espectador também de séries de crime. E eu percebi que não havia, no Brasil, nenhuma história de uma caçada a um serial killer, um jogo de gato e rato. Isso me interessava muito. Sempre gostei de O Colecionador de Ossos, O Silêncio dos Inocentes, Seven – Os Sete Pecados Capitais.

Eu sempre gostei desse tipo de história, e quando eu encontrei a Ilana Casoy, que é uma criminóloga especializada em serial killers e autora de livros de não-ficção sobre crimes reais, eu propus a ela que a gente criasse uma espécie de O Silêncio dos Inocentes brasileiro que teria uma personagem (a Verônica) que investiga e caça um serial killer que mata mulheres com a ajuda da esposa. E assim a Ilana também foi trazendo vontades que ela tinha de fazer uma ficção, alguns elementos, e a história foi surgindo.

A Odisseia – Como foi essa união com a Ilana Casoy? Rolou muita troca entre realidade e ficção?

Raphael Montes – Sim! Como eu estava falando, essa troca com a Ilana foi muito importante durante todo o processo. A Ilana tem uma bagagem incrível de casos reais e era meu papel, em diálogo com ela, encontrar a melhor maneira de contar. Então, por exemplo, havia a história real de uma mulher que por anos foi casada com um assassino em série e ela nunca contou para ninguém. Ela sabia que ele era um assassino em série, mas nunca contou. E esse drama me pareceu muito interessante, muito dúbio, muito complexo.

Além disso, a série acaba tratando do ciclo da violência doméstica, que é um drama tão real, infelizmente, e tão atual. Então sim, em vários momentos, a realidade entra em Bom Dia Verônica, mas sempre com uma roupagem ficcional em prol de contar uma boa história que enganche o leitor. E, no caso da série, o espectador.

A Odisseia – Por que vocês decidiram lançar o livro (Bom Dia Verônica), inicialmente, sob um pseudônimo?

Raphael Montes – A vontade de fazer um pseudônimo foi minha, na verdade. Porque eu já tinha uma carreira sólida com os livros, eu comecei a publicar muito cedo. Meu primeiro livro saiu em 2012, quando tinha 22 anos, e o segundo em 2014, quando tinha 24. São Suicidas e Dias Perfeitos. O Dias Perfeitos fez muito sucesso e eu queria ter uma sensação de começar de novo. Pra mim, era muito importante lançar um livro sem o meu nome na capa e ver o que aconteceria.

E pra Ilana era muito novo escrever ficção, então ela também ficava de algum modo protegida pelo pseudônimo. Então eu propus e a Ilana aceitou essa ideia da gente publicar como pseudônimo que era Andrea Killmore. Andrea porque um nome masculino e feminino, e Killmore porque é “matar mais” (tradução do inglês).

Bom Dia Verônica

A Odisseia – E como foi a evolução do projeto para uma série da Netflix?

Raphael Montes – Olha, eu sempre tive uma vontade muito grande de comunicar. Eu sou um autor que gosta de ter contato com o meu público, com os meus leitores. Nas redes sociais, eu sou muito presente. No Instagram, eu recebo mensagens, respondo e gosto desse diálogo que estabeleço com meu público. Então eu sempre tive o desejo de comunicar muito, de fazer as minhas histórias chegarem a muitas pessoas. Nunca tive vergonha ou medo de ser um autor lido ou popular, ou conhecido por histórias viajantes e humanas. Porque, ainda que sejam histórias policiais de crime e mistério, são, antes de tudo, histórias humanas. São histórias com dramas humanos e universais.

Então eu passei a me dedicar, lá por 2015, a roteiro, porque o audiovisual tem essa potência da imagem, de alcançar as pessoas de maneira muito mais direta, muito mais eficiente e muito mais ampla. Eu fui roteirista da TV Globo por alguns anos, fiz novela como colaborador do João Emanuel Carneiro, e, na novela, pude ver a potência que a narrativa tem. A narrativa faz as pessoas repensarem seus preconceitos, suas manias. A narrativa é uma maneira que fazer crítica à sociedade, de levantar problemas, de denunciar e fazer alertas. E eu entendi ali que o audiovisual era um lugar que eu queria continuar trabalhando além da literatura.

Em 2017, os executivos da Netflix me procuraram querendo uma série de suspense, um thriller investigativo que tivesse a pegada dos meus livros, e eu propus adaptar Bom Dia Verônica, que era um livro da Andrea Killmore. Eu não falei que era um dos autores do livro. Eles leram o livro, perguntaram qual era a minha abordagem de adaptação. Eu fiz uma proposta, dividi em oito episódios, falei quais eram os ganchos, quais as principais mudanças do livro para a série e eles aceitaram. E foi só aí que o contei que eu era um dos autores do livro em parceria com a Ilana Casoy.

A Odisseia – O que te motivou a participar de maneira tão próxima da adaptação de Bom Dia Verônica? Foi uma tentativa de garantir fidelidade ou você não tem esse lado Stephen King de proteger o material original?

Raphael Montes – Eu aprendi, no meu trabalho como roteirista, que adaptar requer mudanças. Um dos meus primeiros trabalhos no audiovisual foi a adaptação de um livro de um outro autor. Eu adaptei um livro chamado Uma Janela de Copacabana, do Luiz Alfredo Garcia Rosa, pra uma série que passou no GNT chamada Espinosa. Eu sempre foi apaixonado pela pela obra do Luiz Alfredo e ali eu entendi que pra adaptar era preciso manter a essência, mas mudar alguns detalhes, alguns pontos da narrativa.

Então a minha vontade de fazer parte da adaptação de Bom Dia Verônica… E, nesse sentido, a Netflix foi muito parceira, porque eu fiz parte não só comandando a sala de roteiro, mas também nas fases seguintes de pré produção – na seleção do elenco, nas leituras, na seleção da locação -, na produção durante as filmagens, e na pós produção. Na montagem dos episódios, nos vários cortes, enfim. E o que eu sempre tentei, e acho que o resultado é muito feliz, é manter a essência da história. A alma da história não se perdeu. Ela continua ali, muito presente.

Agora, mudanças pontuais foram feitas sim. Porque se você não muda, não fica bom. As plataformas são diferentes, a literatura e o audiovisual são diferentes.

Bom Dia Verônica

A Odisseia – E como foi o processo de adaptação em si? Foi muito difícil cortar ou modificar algum elemento?

Raphael Montes – É claro que quando eu falo agora, depois de tudo pronto, parece uma coisa fácil. Mas não é fácil deixar o Raphael escritor de lado e colocar em cena o Raphael roteirista. Ou seja, eu tive sim que abrir mão de algumas vaidades, algumas ideias ou acontecimentos pelos quais eu era muito preso, que eu adorava, achava que eram muito importantes, e precisei olhar com um olhar novo que é o olhar de quem quer contar essa história de maneira eficiente no audiovisual.

Então não vou dizer que foi fácil, mas tive o apoio da minha equipe na sala de roteiro, composta não só pela Ilana, que também foi uma das roteiristas, mas pelo Gustavo Bragança, pelo Davi Kolb, pela Carol Garcia. E também o apoio da equipe de executivos da Netflix, a Maria Ângela e a Mariana Ferraris, que faziam comentários muito pontuais e ajudavam justamente nessa maneira de enxergar as mudanças necessárias do livro pra série para que ficasse um produto, um show sólido.

A Odisseia – Considerando que o livro (Bom Dia Verônica) vai ganhar duas continuações, podemos esperar novas temporadas na Netflix?

Raphael Montes – Olha, eu espero que sim, Sem dúvida, a gente tem muitas histórias para contar com a Verônica. Toda a Bíblia, que é como se chama o documento que a gente faz com a ideia da continuação, está pronta. Nós temos muita história para contar. Agora, é torcer para que o público abrace esse suspense cheio de ação, cheio de viradas, e a série seja renovada para as próximas temporadas.

A Odisseia – E mais importante: essa temporada pode acontecer antes do lançamento de Boa Tarde, Verônica?

Raphael Montes – É curioso porque agora os caminhos continuam paralelos, ainda que sutilmente diferentes. Ou seja: o segundo livro, o Boa Tarde Verônica, que nós estamos escrevendo agora, tem relação com uma eventual segunda temporada, ainda que os caminhos sejam diferentes, Isso significa que quem não leu o livro, pode ver a série Bom Dia Verônica tranquilamente, e depois de ter visto a série, se tiver curiosidade, pode ir atrás do livro, porque as histórias são diferentes e complementares mantida a essência.

As pessoas que já viram me disseram que é realmente impossível parar de ver, o que me deixou muito feliz. Então convido todos vocês a maratonarem Bom Dia Verônica na Netflix. Beijos!


Se preparem porque Bom dia Verônica estreia no dia 01 de outubro na Netflix

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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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