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Drama belga, “Uma Lição de Amor” fala sobre a importância da figura paterna e de laços maiores que os de sangue


O cinema belga é influenciado diretamente pelo cinema francês. Ambos trazem historias ordinárias, com certo tom natural, tornando tramas simples, verdadeiras epopeias. “Uma Lição de Amor” segue a cartilha, ao acompanhar Antoine, que retorna a sua cidade natal na Bélgica depois de 5 anos. Chegando lá, ele encontra a ex-namorada Camille e a filha Elsa, que nunca conheceu antes.

Camille tem uma reunião importante e desesperada com a ausência da babá, acaba deixando sua filha com Antoine. Depois de um tempo, a babá de Elsa não chega e Antoine precisa cuidar da filha, ao mesmo tempo em que estreita laços com a pessoa que tanto ama sem conhecer. Em seu segundo filme, a sensível obra de Amélie van Elmbt exalta a relação de Antoine e Elsa e a poderosa química de pai e filha que possuem.

uma lição de amor

Fofa, a atriz mirim Lina Doillon é o coração de “Uma Lição de Amor”. A relação com Antoine (Thomas Blanchard) é de cumplicidade e muitos momentos edificantes. Estamos diante de um clássico drama, com direito a todos os debates sobre paternidade, abandono, conexões restabelecidas e belas cenas, tanto do ponto de vista visual, como emocional.

Em nenhum momento sabemos o que aconteceu no passado entre Antoine e Camille (Judith Chemla). Calmo, o rapaz não parece ter o estilo bad boy que poderia associa-lo a homens sem compromisso. É como se a diretora quisesse demonstrar que apenas o presente e tudo o que virá a seguir importa. Pai e filha, que na maioria do tempo nem sabem o grau de parentesco, se conectam de maneira única.

Ao lerem o livro “The Elephant and the Butterfly” (título em inglês do longa), encontram certas similaridades com a historia de um elefante que está sozinho e tem sua vida transformada, quando encontra uma borboleta, que resolve não sair mais do seu lado. Antoine e Elsa aprendem a sentir coisas e a colocar pra fora aquilo que já estava dentro deles.

É um aprendizado. Ambos aprendem a ser pai e filha tranquilamente. Elsa é uma criança autêntica, sem medo de ser criança. Antoine começa a se tornar um pai. Ele não tem o instinto. Falha constantemente. Mas evolui com o tempo. Pela primeira vez, ele escuta filha e de certa forma abdica de sua opinião em prol da felicidade de Elsa.

Real, “Uma Lição de Amor” não cai em conveniências ou grandes enredos para prender o espectador, mas decide fazer isso por meio de sua simplicidade doce e naturalista. É uma jornada em busca de um vínculo que nunca existiu, uma pureza reflexiva e um desafio repleto de leveza.


Filme visto no 7º Festival de Cinema Internacional de Brasília, que está online e gratuito.


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Uma Lição de Amor

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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