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Sensível e onírico, Mapa de Sonhos Latinoamericanos é um lindo documentário sobre frustrações, esperança e amor ao próximo


Falar de sonhos é sempre emocionante. Registra-los então é muito mais. É isso que fez o fotógrafo e documentarista Martín Weber. Entre os anos 1992 e 2008, o fotógrafo pediu que as pessoas anotassem seu sonhos com giz em uma pequena lousa, e começou a fotografa-las. As fotos desas pessoas foram eternizadas num livro com o mesmo nome deste documentário, que mostra o diretor voltando ao local das fotos, 15 anos depois.

Sendo assim, “Mapa de Sonhos Latinoamericanos” percorre boa parte de países latino-americanos (o Brasil inclusive), para saber se os sonhos foram realizados. O que Weber faz é um exercício de empatia e esperança, ao mesmo tempo em que esbarra em pessoas frustradas, que não conseguiram realizar aquilo que queriam, ou apenas morreram antes de acontecer.

mapa dos sonhos latinoamericanos

O romantismo narrativo passeia por Argentina, Peru, Nicarágua, Cuba, Brasil, Colômbia, Guatemala, México e retorna a Colômbia, nessa ordem, mostrando que sonhos mudam e que de certa forma estes sonhos e desejos estão conectados, por uma desejo de mudança. Muitos deles inclusive, não são de benefício próprio.

O sonho esbarra na realidade, e “Mapa de Sonhos Latinoamericanos” se permite julgar o sonho alheio através da figura do outrem. Sonhos também atravessam gerações, e se uma pessoa se vai, o sonho continua. Se permitir sonhar é um privilégio, e o documentário mostra que muitos já abandonaram os seus sonhos, e hoje só querem sobreviver.

Claro que pessoas mais carentes são o foco de “Mapa de Sonhos Latinoamericanos”, já que é muito mais difícil que seus desejos mais íntimos se realizem. Assim, seja o desejo da própria morte, ou de uma simples casa, ou a paz no mundo, são retratados com tamanha verossimilhança e respeito. Weber intercala as fotografias com filmagens da ruas no tempo atual, para demonstrar a diferença dos tempos de outrora.

Se nem todos os sonhos foram realizados, pelo menos o pano de fundo parece ter melhorado. A vantagem é ter um fotógrafo na direção, que explora bastante as paisagens, deixando o espectador assimilar tudo. Sem narração como documentários convencionais, a voz dos retratados ecoa por todo o filme, é bonito e simbólico, os sonhos falam por si.

Natural e espontâneo, “Mapa de Sonhos Latinoamericanos” deixa rolar. Weber pouco interfere nos entrevistados, fazendo perguntas pontuais. O tempo é o principal vilão ou mocinho de sua obra, dependendo dos sonhos realizados ou não. Isso importa?


Filme visto no 7º Festival de Cinema Internacional de Brasília, que estava online e gratuito, entre os dias 21 e 26 de abril.


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Mapa de Sonhos Latinoamericanos

9.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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