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Documentário fruto de uma parceria entre França e Brasil, “Encantado, o Brasil em Desencanto” mostra um país melancólico e sem esperança


A nostalgia é um sentimento avassalador. Ela é responsável por nos lembrar de momentos maravilhosos. Quando uma pessoa mais velha afirma que “antigamente era melhor”, talvez para ele, realmente tenha sido. Antes de um Brasil polarizado, havia um país esperançoso e cheio de vida. De 2013 pra cá, podemos dizer que o país perdeu o encanto e esse é a grande narrativa do documentário “Encantado, o Brasil em Desencanto”.

A parceria entre o canal francês Public Sénat e por LaClairière Ouest, ao lado do brasileiro que vive na França, Filipe Galvon, pega o bairro do Encantado no Rio de Janeiro e uso como uma espécie de metalinguagem para um momento de desencanto do brasileiro. Narrado por políticos, filósofos, especialistas, moradores do bairro e pessoas que saíram do país como Jean Willys, o filme se assemelha bastante ao documentário de Petra Costa indicado ao Oscar, “Democracia em Vertigem”.

A diferença é que aqui, Galvon é mais lento e muito mais melancólico. Há poucos momentos de felicidade (como a eleição de Lula), mas tudo se torna aos poucos, apenas uma vaga lembrança. As mudanças de comportamento, as bolhas em que a esquerda brasileira se fechou, as manifestações, tudo é retratado de uma maneira particular.

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Mesmo assim, Encantado usa de vários dados e pesquisas, tornando-se um produto mais jornalístico do que sentimental, o que o diferencia do trabalho de Petra. A grande abordagem é uma sensação de ressentimento do outro lado, que não aceitou a derrota. O fato de estarem todos juntos nas manifestações de 2013, não simboliza que todos queriam a mesma coisa.

Uma onda conservadora e religiosa tomou conta do país, e Galvon aborda o aumento das igrejas evangélicas no Brasil como uma espécie de câncer, que aos poucos foi tomando conta. O racismo e a xenofobia foram se alastrando e ganhando voz, assim como opiniões controversas da classe média (que estão no documentário).

A participação de brasileiros que moram no exterior é importante, mas aumenta a melancolia, que por vezes parece deixar a população mais desesperançosa, tanto em relação a política, como a democracia. A última frase de “Encantado, o Brasil em Desencanto”, é que um colégio foi demolido para dar lugar a um condomínio fechado, e eu não imagino relato melhor para definir um Brasil doente.


Filme visto no 7º Festival de Cinema Internacional de Brasília, que estava online e gratuito, entre os dias 21 e 26 de abril.


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Encantado, o Brasil em Desencanto

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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