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Nunca tinha escrito sobre nenhuma HQ até me deparar com um belo encadernado do primeiro arco do Batman nos Novos 52, A Corte das Corujas. Acabei comprando essa bela compilação em 180 páginas das sete primeiras edições escritas pelo ótimo Scott Snyder e devorei tudo em tão pouco tempo que decidi escrever um pouquinho simplesmente para recomendar um ótimo arco.

Para quem não sabe, os Novos 52 é o nome dado para o reboot total feito pela DC Comics em 2012, então devo já começar dizendo que me surpreendi com uma história tão ousada para o reinício de um personagem clássico com o Batman. Scott Snyder mostra que um reboot não está necessariamente ligado a recontar o passo a passo da origem de um personagem e usa uma boa história para balancear entre algumas coisas do passado e um presente nebuloso do Batman.

Para quem nunca ouviu falar, o arco segue um conjunto de mortes que apontam para um grupo, chamado Corte das Corujas, que aparentemente existe desde a criação Gotham há quase séculos, mas sempre foi tratado como uma mera lenda. A investigação do Batman acaba revelando segredos do passado e colocando a vida de seu alter-ego, Bruce Wayne, e de muitas pessoas em perigo, mas o maior problema é que o herói se sente o dono de Gotham e não consegue aceitar que sua cidade pode pertencer a outra lenda sem ser a sua própria história.

 

 

A história é muito bem escrita, desenvolvida e recheada de cenas tensas, guardando coisas interessantes em cada sombra. Entretanto, tem algumas coisas que se destacam. A primeira dessas coisas são as ligações que ela consegue fazer com o passado da família Wayne e até com alguns momentos logo após a morte dos pais de Bruce em um pequeno plot que poderia tranquilamente ser usado na série Gotham.

Como já disse, Snyder não chega nem perto de recontar as mortes dos pais do protagonista, mas arranja um bom jeito de apresentar algumas questões relacionadas ao luto e a personalidade do personagem adulto, como suas aptidões dedutivas e sua relação com a tecnologia. Isso é importante, porque – querendo ou não – estamos sendo apresentados a um novo Batman.

Também interessante ver o Batman ser levado ao seu limite físico e mental de uma maneira que poucos arcos fizeram com o herói enquanto ele lida com as investigações e os confrontos com o Garra, o principal assassino da corte. Toda essa parte é muito bem trabalhada por Snyder, mas é aqui – junto com as cenas de luta bem movimentadas e violentas – que o desenho de Greg Capullo se destacam, usando muitos artifícios para trabalhar toda a loucura vivida pelo personagem.

Não sei muito mais o que falar sobre A Corte das Corujas, porque nunca tentei escrever sobre isso, mas gostei muito do arco que passa muito rápido e funciona muito bem dentro da história do Batman e dessa recriação do universo, que por sinal já vai ser reiniciado outra vez. É uma história intensa e muito boa, que me fez ficar com vontade de buscar outros encadernados, inclusive porque a história não é completamente fechada. Vale a pena ler A Corte das Corujas e apreciar o início de uma boa fase do Batman.


OBS 1: A saga A Corte das Corujas começa com uma ótima cena (não sei se esse é o termo correto para HQ’s…) no Asilo Arkham, que tem boas referências aos vilões clássicos em recriações bem legais de Capullo.

OBS 2: Uma coisa muito foda na escolha das corujas para serem as vilãs é que essa ave carnívora é uma predadora natural dos morcegos.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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