Bahman Tavoosi
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Confira nossa entrevista com o iraniano Bahman Tavoosi, diretor de Os Nomes das Flores


Uma das coisas mais legais de festivais de cinema, incluindo a Mostra de São Paulo, é a oportunidade de conhecer pessoas. De respirar o mesmo ar de atores e diretores consagrados, dispostos a conversar sobre seus filmes e suas carreiras.

Esse ano, por conta da pandemia, as entrevistas coletivas onde o Tiago esteve próximo de nomes como Fernanda Montenegro e Willem Dafoe não puderem ser realizadas. Mesmo assim, nós fizemos entrevistas por e-mail com alguns diretores internacionais.


+++ Texto sobre a coletiva de A Vida Invisível
+++ Texto sobre a coletiva de O Farol
+++ Cobertura da Mostra de São Paulo

A missão

Conversar com artistas que estavam exibindo seus primeiros filmes na Mostra de São Paulo, aproveitando alguns destaques da Competição de Novos diretores.


O filme

Os Nomes das Flores

Foto: Divulgação

Drama multinacional produzido por diversos países, Os Nomes das Flores é um belo e lento conto político sobre o desamparo que cutuca algumas feridas ao mesmo tempo em que constrói momentos tocantes.

Confira a crítica completa


O diretor

Bahman Tavoosi iniciou a carreira de cineasta e jornalista aos 18 anos em Teerã, no Irã. Depois de ter feito alguns curtas-metragens, ele se mudou para o Canadá, onde dirigiu o documentário Dress Rehearsal for an Execution, exibido em vários festivais pelo mundo. Os Nomes das Flores é seu primeiro longa de ficção.

Descrição retirada do site da 44ª Mostra de São Paulo


A entrevista com Bahman Tavoosi

Bahman Tavoosi

Foto: Víctor Gutiérrez / Página Siete (2018)

A Odisseia:

Antes de mais nada, preciso dizer que adorei o filme. É por isso que queria fazer a entrevista. Para curar minha curiosidade sobre algumas coisas.

E a primeira pergunta que gostaria de fazer é o que o levou – como um artista iraniano que mora no Canadá – a escolher essa história. Por que você decidiu contar a história de uma senhora boliviana em seu primeiro longa-metragem de ficção?

Bahman Tavoosi:

Eu nasci no Irã, na era pós-revolução, perto do final do século 20, quando muitas grandes narrativas políticas estavam chegando ao fim, incluindo o regime soviético. Por mais que tenha crescido pensando nessas narrativas e figuras ideológicas de nosso tempo, não tive muita chance de fazer filmes sobre elas no Irã.

Quando saí do país pra morar no Canadá em 2006, fui aprendendo aos poucos sobre a morte de Che Guevara na Bolívia. Mais tarde, tive a oportunidade de viajar ao país e ver a aldeia onde ele foi morto e encontrar as testemunhas de sua morte. Achei aquela Bolívia da época, muito parecida com o país em que cresci, e isso me interessou tremendamente. Então, comecei a desenvolver as coisas gradativamente a partir daí.

A Odisseia:

Outra coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de países envolvidos no filme. Como foi esse processo de produção?

Bahman Tavoosi:

O filme foi financiado pelos Estados Unidos, Canadá, Catar e a própria Bolívia. Um filme, com o tema central de Che Guevara, sempre terá seus próprios desafios de financiamento e o meu não foi exceção.

Bahman Tavoosi

Foto: Meet the Filmmakers – Bahman Tavoosi | PÖFF 2019

A Odisseia:

E o que te motivou a compor um elenco com atores inexperientes?

Bahman Tavoosi:

Como esse era meu primeiro longa-metragem [de ficção], foi importante para mim representar um certo espírito do cinema iraniano que aprendi durante meus primeiros anos no país. Entre eles, o conceito de trabalhar com não atores sempre me interessou, então tentei introduzi-lo neste filme.

Claro que trabalhar com não atores sempre tem seus próprios desafios. Especialmente se esses não atores pertencerem a uma cultura diferente da sua. Só que a experiência de trabalhar com não atores bolivianos, porém, tornou-se um elemento agradável e surpreendente, já que a comunicação e a conexão com eles foi fácil e sem esforço.

A Odisseia: 

Por fim, como você se sente ao ver seu filme no festival? E como é acompanhar a recepção dos brasileiros de tão longe?

Bahman Tavoosi:

Todo filme é eventualmente feito e planejado para as telas grandes, com o público dentro dos cinemas. No entanto, devido às dificuldades criadas pelo COVID neste ano, tivemos de ser criativos e encontrar uma solução para partilhar filmes com o público. No momento, estamos entusiasmados em poder compartilhar Os Nomes das Flores com o público brasileiro por meios virtuais.


OBS: A foto de capa foi retirada da entrevista que o diretor concedeu para a 44ª Mostra de São Paulo.


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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