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Não postei nada sobre o ataque aos servidores da Sony, porque sabia que ia ter algo maior para falar em pouco tempo. Pra quem não acompanhou tudo, a Sony foi atacada pela Coréia do Norte – como todas as teorias indicam – por causa do filme A Entrevista, onde Seth Rogen e James Franco são contratados para matar o ditador do país. Nem é uma ideia tão mirabolante supor que o país está no comando do ciberterrorismo, mas o que importa é que agora as consequências começam a aparecer com mais força.

É lógico que as consequências surgiram desde o início, afinal tivemos filmes inéditos liberados na internet, e-mails pessoais e negociações em andamento divulgadas. Já gerou um enorme prejuízo econômico e moral para a empresa (chamar atores do calibre de Angelina Jolie e Leonardo DiCaprio de desprezíveis e outros nomes baixos não deve ser bom para a empresa), entretanto agora a Coréia – se for realmente ela a responsável por essa bagunça – atingiu seu objetivo.

Dessa vez, a Sony cancelou oficialmente o lançamento de A Entrevista, usando a desculpa de que os cinemas não queriam exibir o filme por conta de ameaças de bombas nas salas. Esse é um bom motivo para não exibir o longa, mas a questão é que com isso a Sony perde todo o investimento de orçamento, múltiplas edições (sim, o filme já vinha dando problemas e causando polêmicas antes) e divulgação, sendo que a até a CCXP fez parte desse trabalho.

Não se sabe se o filme vai sair em DVD ou qualquer outro modo no futuro, mas, por enquanto, a Sony perdeu um bom dinheiro e o público um possível bom filme. Talvez uma saída seria entrar na onda e soltar o filme na internet. E não digo para soltarem no iTunes ou Amazon, como sugeriram jornalistas norte-americanos, e sim liberar de uma vez e ainda dizer que foram os hackers. Isso poderia iniciar uma espécie de cyber guerra, entretanto eu não vejo o que a Sony tem a perder. Não vai lucrar com o filme mesmo e as informações roubadas vão acabar vazando de qualquer maneira, então responder com a mesma moeda pode ser uma saída inteligente.

E as consequências para a Sony não ficaram restritas ao filme de Seth Rogen. Para evitar problemas futuros, a mesma barca levou embora o longa Pyongyang: Uma Viagem à Coréia do Norte. Essa seria uma adaptação de uma HQ de Guy Delisle que seria dirigida por Gore Verbinski (Piratas do Caribe) e estrelada por Steve Carell. A história, adaptada por Steve Conrad, levava um animador ao país mais fechado do mundo. Considerando as grandes tretas que aconteceram agora, essa é uma sábia decisão da Sony.

Não dá pra avaliar quais serão os próximos danos, mas é certo que não veremos muitos filmes sobre a Coréia em qualquer estúdio ou distribuidora. Como ironizou Michael Moore, agora é a Coréia que comanda Hollywood. Mas a real é que a partir desse momento, A Entrevista tem fôlego para ser um dos filmes mais famosos da Sony, porque quem não quer ver o longa que gerou toda essa confusão. Dizem que os americanos não negociam ou aceitam as requisições de terroristas, então está na hora da Sony virar o jogo.

OBS 1: O longa já tinha tido seu lançamento cancelado na Ásia, mas agora é mundial.

OBS 2: “É idiota que qualquer um – inclusive os hackers – pensem que “A Entrevista” vá simplesmente desaparecer ou que a vida de um filme comece e termine no cinema. As coisas vazam. E depois se espalham.” – Bryan Bishop, The Verge

OBS 3: Pra quem não está por dentro de tudo o que foi liberado, procure na internet porque vale a pena. Já descobrimos que A Sony está realmente negociando uma participação de Homem-Aranha na Marvel, Andrew Garfield (que é o menor dos meus problemas…) está com a corda no pescoço, Avi Arad está querendo fazer uma animação do Mario Bros, um absurdo crossover de Anjos da Lei e MIB chegou a ser cogitado, Bill Murray quase foi processado – sigilosamente – para participar de Caça-Fantasmas 3 e muitas outras bombas fresquinhas.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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1 Comment

  1. […] “A Entrevista” na internet e nos cinemas. Não precisou ser do jeito que eu sugeri aqui, por que o presidente Obama falou que queria que eles lançassem o mesmo e garantiu a integridade […]

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