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Preso entre a seriedade do diretor e sua montagem inchada, Army of the Dead é um filme genérico que existe para preencher os vazios internos de Snyder


Diretor de carreira majoritariamente divisiva, Zack Snyder tem poucos filmes elogiados em uníssono. Considerando que Madrugada dos Mortos é um dos mais marcantes, não é tão estranho vê-lo retornando ao gênero.

Após vários anos envolvidos com adaptações de quadrinhos e super-heróis, o diretor conseguiu tirar Army of the Dead do papel com o apoio da Netflix. O resultado é um longa grandioso e de proposta ousada que reúne zumbis, assaltantes e uma Las Vegas pós-apocalíptica.


A História de Army of the Dead

O filme começa com um carregamento da Área 51 que acaba sendo comprometido por um acidente bizarro. O resultado é uma infestação zumbi que se espalha pelos cassinos lotados de Los Angeles.

Depois de um batalha violenta, o local é cercado e os monstros contidos no deserto americano, esperando pelo final derradeiro proporcionado pela explosão de uma bomba atômica. O problema é que, antes disso acontecer, um grande empresário precisa recuperar o dinheiro que manteve escondido num cofre super seguro.

Army of the Dead

Foto: Clay Enos / Netflix

É nesse momento que entram em cena Scott Ward (Dave Bautista) e sua antiga equipe de mercenários. Eles se reúnem e aceitam a missão de recuperar a grana em troca de 50 milhões de dólares.

Uma missão dificultada por fantasmas do passado, relacionamentos quebrados, armadilhas mortais e uma espécie evoluída de zumbis com poderes dignos das histórias em quadrinhos.


O que achamos de Army of the Dead?

Eu falei no Twitter que Zack Snyder sabe fazer ótimas sequências de abertura. Não retiro uma palavra disso, porque de fato a cena inicial utiliza o terror com eficiência enquanto os créditos dão o tom descompromissado e sarcástico que parece alimentar o longa.

No entanto, a verdade é que essas cenas são boas por conta da entrega do diretor. Esses são os únicos em que ele se entrega ao gênero e consegue passar mais de cinco minutos sem “se levar a sério”.

No restante do filme, ele faz o exato oposto. Ele se leva a sério e entrega um filme que passa longe de brincar com o gênero da forma como promete. Existe a vontade expressa de desconstruir o gênero de zumbis, mas a postura do “maquinista” nunca permite que isso saia do papel.

Tudo que ele faz, na verdade, é reunir um bando de subtramas desnecessárias, relações emocionais batidas e sacrifícios óbvios. Só engana porque, apesar da seriedade exagerada, Snyder se esforçar para disfarçar tudo com sacadinhas que existem apenas para justificar o suposto descompromisso.

Army of the Dead

Foto: Divulgação / Netflix

Ainda assim, preciso admitir que me diverti em momentos pontuais. Army of The Dead entrega boas doses de entretenimento entre sequências de violência e pancadaria contra zumbis inteligentes, mas não consegue criar uma experiência marcante. Faz uma boa maquiagem e satisfaz com isso.

Tanto que, no final das contas, temos o típico filme de Zack Snyder: longas tomadas estilosas que só servem para disfarçar a ausência de alguma coisa. O que me faz pensar que a necessidade de preencher espaços pode explicar os motivos pelos quais ele insiste em fazer filmes que flertem com o luto.

E eu nem estou brincando quando sugiro isso. Realmente estou começando a pensar que os vazios que Snyder sente funcionam como guias do seu trabalho. Inclusive, podemos incluir aqui o trauma de ter seus filmes picotados por executivos de estúdio.

Por mais que as duas horas e meia passem longe de ser o maior problema de Army of The Dead, é impossível negar que estamos diante de um filme inchado por tramas sem graça, personagens demais e sequências desnecessárias.

Um filme que ensaia subverter gêneros de maneira divertida, porém só faz uma coisa: tira proveito do fato da Netflix não impor limites para entregar um “mais do mesmo” criado com o objetivo de saciar os anseios sádicos de Snyder por mais tempo.


Army of the Dead está disponível no catálogo da Netflix


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Army of the Dead (2021)

5

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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