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Com a estreia do The Circle França, analisamos as edições do Brasil e dos EUA, suas diferenças, similaridades e exageros


As relações humanas são o ponto alto de qualquer reality show. Com o tempo, essas relações evoluíram para relações digitais, e nada mais justo que os programas de convivência também se adaptassem. Buscando tal realidade, o “The Circle” estreou no Reino Unido.  Produzido pelo Studio Lambert e Motion Content Group, o programa estreou no Channel 4 (mesmo canal de origem da série “Black Mirror”) no Inglaterra e depois foi adquirido pela Netflix, que fez as versões US e BR.

Nele, 12 participantes se comunicam por uma plataforma online chamada “Circle”. Eles nunca se veem e moram cada um em seu apartamento. O objetivo é classificar, observar e até julgar os jogadores, avaliando-os entre o mais e o menos popular. Os dois mais populares se tornam influencers e podem bloquear um jogador (na maioria das vezes o menos popular ou um desafeto de ambos). Vence o jogo quem conseguir não ser bloqueado e consequentemente se tornar o melhor e mais popular jogador.

Meio parecido com a realidade né? Principalmente se você associar o mundo recheado de influencers e que o bloqueio pode ser uma espécie de “cancelamento”. Repleto de reviravoltas, ambas as edições do “The Circle” possuem muitas semelhanças, mas também particularidades que os tornam bem diferentes. Se liga:

Os Jogadores

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Começando pelas semelhanças, a equipe parece escolher a dedo os participantes de ambas as edições e seus perfis. Na americana temos o gay afeminado, o hétero fortão de academia, a menina bonita que valoriza sua bunda mas também é inteligente, a supermodelo, o catfish que se passa por uma mulher e por aí vai.

A versão tupiniquim tem tudo isso, só que com muito mais carisma e jeitinho brasileiro. Por exemplo, Chris é o gay estiloso da versão EUA, enquanto Dumaresq traz seu sotaque e seus falsetes a versão brasileira. Joey é o hétero top que se redimi no fim, uma saga parecida com de JP por aqui. Sammie é linda, inteligente e um pouco forçada, personalidade que é idêntica a de Marina.

São biotipos que de certa formam refletem a sociedade, e pessoas com quem já convivemos em alguma fase da vida.

 

Regionalismo e representatividade

“Nossa Sinhora da Abadia!!!” Se você viu “The Circle Brasil”, essa expressão do Akel pode ter ficado na sua memória. É inegável que o fator regionalismo é um diferencial na versão nacional do programa. O sotaque, as histórias de vida e a região de cada um dos participantes, são fatores cruciais de suas personas.

Se o americano por vezes é mais passivo, apesar da diferença das pessoas que moram no Sul e ao Norte do país, o brasileiro é muito mais vasto, e a simples mudança de cidade é um fator importante para gerar empatia e identificação entre os participantes. Os brasileiros estão sempre ativos, seja cozinhando, fazendo atividades físicas ou interagindo, enquanto os americanos esperam.

É como se nosso povo estivesse mais atento e disposto a jogar, e lá, a apatia tomasse conta de boa parte do grupo. Mesmo assim, é importante ressaltar a representatividade e diversidade de ambos os realitys. Se é uma decisão estritamente comercial não importa, mas há espaço para o negro, o branco, o gay, a lésbica, o ou a bissexual, o hétero, enfim, como Dumaresq disse: “o Circle é igual coração de mãe, sempre cabe mais um”.

 

As apresentadoras

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As apresentadores e narradoras do “The Circle” são igualmente piadistas e ácidas em suas versões “não exibidas”, mas quando vão para o encontro pessoal, são diferentes não apenas fisicamente, mas na relação com os jogadores.

A comediante, atriz e podcaster Michelle Buteau, que apresenta o The Circle US é uma mulher negra e gorda que revela todo seu carisma no episódio final, não deixando pedra sobre pedra, ao mesmo tempo em que não poupa ninguém. Já a atriz, modelo e repórter Giovanna Ewbank se torna mais tímida em suas interação com os confinados.

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O prêmio

Se na versão americana as pessoas foram mais autênticas e sentimentais ao premiar o merecido vencedor, na versão brasileira a estratégia falou mais alto, fazendo com que um ranking surpreendente e contra os favoritos do público fosse criado.

Na versão americana o prêmio é de 100 mil dólares (além do favorito do público levar 10 mil para casa) e na brasileira o valor é de 300 mil reais. Na versão inglesa e ainda não vista pela redação, o prêmio foi de 50 mil euros na primeira temporada e de 70 mil euros na segunda.

Apesar de ter imagens de seu país em cada versão, ambas as temporadas do “The Circle” foram gravadas em um condomínio na cidade inglesa de Saltford, na Inglaterra.


Ps: A versão inglesa do programa infelizmente não está disponível em nenhuma plataforma de streaming.

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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