a volta da parafuso
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Clássico de Henry James, A Volta do Parafuso será adaptada na continuação da nova antologia da Netflix


  • Título: A Volta do Parafuso
  • Autor: Henry James
  • Tradução: Francisco Carlos Lopes
  • Ano: 1898
  • Edição: Bilíngue 2012
  • Editora: Landmark
  • Páginas: 192
  • Gênero: Romance/Horror Gótico

Apesar de Mike Flanagan, criador de “A Maldição da Residência Hill” dizer que “A Maldição da Mansão Bly” será levemente baseado na obra original, utilizando apenas a casa como pano de fundo de terrores maiores, os personagens que veremos na série serão os mesmo do livro, A Volta do Parafuso de Henry James.

Lançado em 1898 em formato de folhetim, com edições semanais no jornal da revista Collier, a obra do escritor britânico foi uma das precursoras do “terror de fantasmas”, além de ser classificada como uma das primeiras novelas, já que já que era curto demais para ser um romance e longo demais para um conto.

Causou polêmica na época de lançamento,  por não ser claro o suficiente, com uma visão ambígua e bastante sugestiva, algo que a maioria dos leitores do gênero não estavam acostumados.

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Mas, sobre o que é A Volta do Parafuso? 

Na véspera de Natal, um narrador não identificado, ouve um jovem chamado Douglas, ler ao redor de uma lareira, um manuscrito escrito por uma antiga governanta que Douglas afirma ter conhecido, mas que agora está morta. O manuscrito conta a história de uma jovem preceptora, contratada no passado por um homem que era responsável por duas crianças, seus sobrinhos.

Depois da morte dos pais das crianças, o tal tio nunca teve interesse em cria-los, preferindo deixá-los a cargo de uma governanta. Ele vive em Londres, mas também tem uma casa de campo chamada Bly, no condado de Essex, na Inglaterra.

O menino, Miles, frequenta um colégio interno, enquanto sua jovem irmã, Flora, vive na casa de campo, aos cuidados da senhora Grose, a caseira . O tio de Miles e Flora, dá a jovem (não nomeada no livro), o controle completo da educação das crianças, deixando-lhe ordens explícitas de não incomodá-lo com qualquer tipo de informação, em nenhuma circunstância, e a governanta então se muda para a casa de campo para iniciar seu trabalho.

Chegando lá, a governanta estranha as crianças super educadas, que possuem um linguajar por vezes “adulto” demais, além de parecerem distantes. O menino Miles ainda foi expulso do colégio e retorna para Bly, aparentemente tranquilo e sem contar o que ocorreu. Junto a isso, a governanta começa a ver aparições de duas pessoas, e logo descobre que uma delas é o ex-criado da casa, Peter Quint, e a outra é de sua predecessora no cuidado das crianças, a Senhorita Jessel, ambos já falecidos.

O que achamos do livro…

Começando com a história dentro da história, A Volta do Parafuso é narrado em primeira pessoa, e apresenta uma narradora suspeita, afinal, muito se baseou a personagem da governanta na repressão sexual da época vitoriana. O romantismo exagerado e a pouco experiência amorosa, podem ser percebidos em cada diálogo que a moça tinha com a Senhora Grose.

O fato da preceptora ler o livro “Amelia”, escrito por Henry Fielding em 1751, dá pistas de sua personalidade, já que o clássico de Fielding condenava o casamento como forma de produto e ganhos materiais, e defendia a união por amor, mas também alertava sobre os perigos da paixão. “Amélia”, exaltou a inteligência feminina, algo raro para a época.

Essa sugestão constante, dá ares de terror psicológico ao livro de James, ao mesmo tempo em que o leitor se questiona se o enredo pode ser provindo de um trauma coletivo. A governanta realmente viu as aparições? As crianças estão sendo influenciadas pelos espíritos de Peter Quint e Jessel? A cuidadora está louca?

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Vale a pena ler A Volta do Parafuso?

Por ser lançado no século 19, a escrita de A Volta do Parafuso é bem diferente do que os leitores recentes estão acostumados. As descrições por exemplo, são bem detalhadas, e o fato de termos apenas a visão da governanta sobre a situação, pode cansar um pouco.

Quando vai para os diálogos, A Volta do Parafuso é mais fluído, não abrindo mão de expressões e palavras que não são mais usadas recentemente, ou que caíram em desuso.

Mesmo assim, o suspense crescente de A Volta do Parafuso cria uma tensão instantânea, que vai ganhando fôlego a cada capítulo. O fato da governanta não ter um background e poucas citações (quase nenhuma de fato), a sua vida fora dali, causa dúvida no leitor, e no que de fato pode ter acontecido no poderoso e abrupto final.

Somos duplamente manipulados, seja pela governanta, ou por Henry James e sua ousada história. Como diz a governanta:

“[…] neste navio, estou segurando o leme”

Mas, será que está?


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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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