AODISSEIA
Filmes

A serenidade de Thanos

Este texto contém spoilers de Vingadores: Guerra Infinita

27 de Abril de 2018 - 11:33 - Tiago Soares

Significado de Serenidade

substantivo feminino

– Que expressa tranquilidade diante de situações complicadas: enfrentou as adversidades com serenidade.

– Que se apresenta de maneira serena; sem agitações ou perturbações.

– Característica ou particularidade do que é sereno.

Etimologia (origem da palavra serenidade). Do latim serenitas.atis.


Sim, todas as características acima estão presentes no mais novo vilão do MCU. Thanos, um Titã, o ser mais poderoso do universo, é um ser sereno.

Quando todas a notícias sobre Thanos e declarações dos diretores do filme começaram a pipocar pelos sites, achamos que seria apenas uma forma de chamar o público para os cinemas – atiçar sua curiosidade – quando na verdade tudo que foi dito, de certa forma foi cumprido.

“Thanos não tem fraquezas”. Thanos é uma mistura de crueldade com empatia”. “Serão todos contra Thanos”. “Queremos criar um vilão tão icônico quanto Darth Vader”. “As motivações de Thanos ficarão claras e serão plausíveis”.

Quando Thanos mata Loki, lançando a velha cartilha do “velho precisa morrer, para que o novo possa nascer“, se tem a consciência imediata de que o vilão não está ali para brincadeira. Além disso, o filme mostra a que veio, deixando claro que ninguém será poupado. É claro que Loki já morreu inúmeras vezes e retornou, mas o peso de sua partida continua presente durante todo o filme e parece ter sido definitiva.

No decorrer do longa, Thanos mostra nuances e trejeitos do vilão “menos vilão” do Universo Marvel. Ao sair da sessão, uma amiga disse que acreditou e entendeu as motivações do Titã, ao mesmo tempo em que questionou se sua maneira de ver o universo – acabando com metade dele – não seria plausível. Afirmei que entender é uma coisa, concordar é outra completamente diferente.

Cinquenta porcento disso, se deve ao quarteto Joe e Anthony Russo (diretores) e aos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely. Deixar o antagonista mexer com o público e permitir uma sensação de dúvida, não é uma tarefa fácil.

Ryan Coogler fez isso com seu Killmonger em Pantera Negra (aliás que fase boa dos vilões da Marvel hein) – mas aqui é diferente, já que Thanos vinha desde o primeiro Vingadores, ameaçando ser um dos vilões mais unidimensionais que veríamos, daqueles que deseja apenas destruir tudo, o que felizmente não se tornou verdade.

Os outros 50% estão em Josh Brolin. O ator está num elenco com nomes de peso, talentosos – além daqueles que são “estrelinhas” – mas ele toma o filme pra si. O filme é dele, que ocupa a maior parte da tela e sua relação com Gamora é uma das melhores coisas da produção. A forma como ele toca e fala com a filha, as expressões faciais, que devo ressaltar, são impressionantes (é possível até relevar erros anteriores da Marvel no quesito CGI, porque parece que todos estavam concentrados em Thanos).

Brolin é gigante em todos os sentidos, e parece ter agarrado o papel com vontade, trazendo sutileza e serenidade ao vilão. Quem diria que Thanos queria destruir metade do universo para apenas ver o que fez e relaxar sentado em seu trono. Ele acredita ser o herói em Guerra Infinita e isso é maravilhoso. Quando o personagem acredita naquilo que fez, o público também acaba acreditando, trazendo um peso gigantesco ao final da produção.

O dublador brasileiro do vilão, Leonardo José – disse que Thanos “se acha um benfeitor – apesar de ter uma maneira estranha de demonstrar isso”. O fato é que, passamos 6 anos esperando a vinda de uma promessa: “o melhor vilão da Marvel no cinema” – e ganhamos mais do que isso – ganhamos um dos melhores de todos os tempos.