AODISSEIA
Filmes

A Morte Te Dá Parabéns 2 é menos terror e mais galhofa, e isso não é ruim!

Filme abandona de vez o gênero inicial e abraça a comédia e ficção científica.

22 de fevereiro de 2019 - 16:39 - Tiago Soares

A maioria das ficções científicas recentes tem abandonado o termo “ficção”, não se permitindo criar coisas inovadoras e totalmente fora da casinha. A cada nova produção, mais e mais estúdios estão abarrotados de cientistas e consultores, que visam dar verossimilhança e senso de realidade a estes filmes. “A Morte Te Dá Parabéns 2” abraça completamente as sensações de insanidade – sem se preocupar com aquilo que pode ou não ser possível e se liberta completamente do gênero que fez a primeira parte ser um sucesso.

O filme começa imediatamente após o primeiro, quando Three morre inúmeras vezes e é sempre assassinada por um estranho com uma máscara de bebê – que logo acaba se revelando sua melhor amiga, acabando com o ciclo. A sequência já se inicia de uma nova perspectiva, do ponto de vista de Ryan (Phi Vu), também conhecido como o inconveniente amigo de Carter (Israel Broussard). Aos poucos toda a narrativa mirabolante se revela muito mais que um mero acaso, com teorias científicas, linhas do tempo e multi-versos.

Christopher Landon retorna a direção e é o responsável por mudar completamente o estilo do segundo filme. Sai o terror e o clima slasher, entra a comédia com picos de ficção científica. Tal mudança cai como uma luva nas mãos de Jessica Rothe, que já tinha mandado bem no primeiro filme e aqui esbanja carisma, diversão e certo viés dramático. O extremo melancolismo que permeia boa parte do dilema da personagem – que vai parar em outro universo e passa a viver uma vida que não é sua – talvez seja o grande problema do filme, pois deseja forçar um choro no espectador, com a trilha sonora sendo bem presente, por vezes didática.

O elenco de apoio também vai bem quando é exigido com as boas adições dos cientistas vividos por Suraj Sharma e Sarah Yarkin. Landon (que também escreve a sequência), consegue tornar seus personagens empáticos, mesmo com uma trama recheada de diálogos bobos e cenas que poderiam ser ridículas, mas encontram coerência e beleza no jeito brega e galhofa de ser. O diretor e roteirista confia tanto no próprio taco que foge de situações que seriam convencionais em outras produções e acaba as estendendo, como se mascasse um chiclete mesmo depois do açúcar acabar, simplesmente pelo prazer.

A Morte Te Dá Parabéns 2 termina com a ambição de ser uma franquia e mostrou que tem potencial para tal. Conseguindo se reinventar, as próximas produções podem ousar mais e aparar algumas arestas assim como este filme fez com o primeiro. A franquia pode até criar uma antologia com diferentes gêneros passando pelas produções, resta saber se será tão divertido quanto este.