a maldição da chorona
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Novo longa do universo Invocação do Mal, A Maldição da Chorona acerta no drama e no apego aos personagens, além de usar dos clichês do gênero ao seu favor.

Quando éramos crianças uma das lendas mais conhecidas era a do “velho do saco”. Se você não se comportasse, não se alimentasse bem ou ficasse de malcriação, um velho com um saco grande e espaço suficiente para uma criança passaria pela sua casa, levaria você – e seus pais não seriam capazes de impedir. No México, a lenda mais popular é a da Chorona (Llorona no original), quando uma mãe afoga seus dois filhos e depois se suicida aos prantos. Acredita-se que a matriarca retorna para pegar os filhos de outras mães a fim de substituir os seus e durante boa parte de “A Maldição da Chorona” a ameaça é vista apenas como uma fábula distante, até que chega a Los Angeles dos anos 70.

Trazendo um ambiente familiar, o diretor Michael Chaves (estreante em longas e que vai dirigir “Invocação do Mal 3”) tenta a todo momento emular James Wan, ao abordar a história de Anna (Linda Cardellini, de Green Book) que tenta reconstruir sua casa após perder o marido. Ela e seus filhos Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen) e Chris (Roman Christou), vivem uma relação íntima e silenciosa ao mesmo tempo, justificada pela perda recente do pai – o que acaba sendo prejudicial já que o mal chega em suas vidas, e sem transparência não há qualquer espécie de ajuda. Com uma câmera que passeia pela casa, Chaves utiliza dos clichês ao seu favor com jumspscares inesperados e uma iluminação bastante dosada entre o azul e o amarelo pastel.

A conexão com a franquia Invocação do Mal se dá de forma menos forçada do que no filme anterior da franquia, A Freira, mas ainda assim poderia ser extremamente independente – já que se utiliza de sustos genuínos, auxiliado por uma atuação convincente dos atores. Inventivo na direção, a produção tropeça no roteiro cercado de conveniências e didatismo de Mikki Daughtry e Tobias Iaconis (de “A Cinco Passos de Você”). Com um ritmo lento se comparado a outras produções do terror, (principalmente no início) – acaba deixando o final bastante acelerado, como se quisesse juntar apressadamente as peças que faltam.

No drama, onde se sai melhor do que no horror, “A Maldição da Chorona” se assemelha bastante a “Mama”, outra obra que se utiliza da figura demoníaca com um viés materno. O terror também utiliza de momentos descontraídos para aliviar a tensão, principalmente na figura do ex-padre Rafael (Raymond Cruz, o Tuco Salamanca de Breaking Bad) fazendo um curandeiro misterioso. Toda a maldade de La Llorona (Marisol Ramirez) é refletida no seu visual assustador, com partes do corpo como se estivessem queimadas, apresentando um CGI decente e por vezes utilizando de câmeras subjetivas – a exemplo da cena da banheira e da piscina.

“A Maldição da Chorona” acerta justamente por se levar menos a sério do que os outros derivados da franquia. O longa entende perfeitamente seu posto de filme B (pelo menos dentro do universo) e alinha isso a uma jornada de afeição aos personagens – algo necessário para que nos importemos com essa e as possíveis próximas aventuras.

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A Maldição da Chorona

6.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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