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Filme formador de caráter, ‘A Lagoa Azul’ marcou as nossas vidas e as nossas tardes em casa na Sessão da Tarde


Em junho de 1980, um dos maiores clássicos do nosso imaginário era lançado. “A Lagoa Azul”, filme dirigido por Randal Kleiser (“Grease: Nos Tempos da Brilhantina”) contava a história de duas crianças, que após um naufrágio foram parar em uma ilha deserta. Aos poucos e na medida em que cresciam naquele lugar, enfrentaram vários perigos e tiveram que se virar sozinhos.

Um romance (oriundo da puberdade), nasceu entre eles. Sem a supervisão de nenhum adulto, distantes da sociedade, e sem saber muito bem o que estavam fazendo, os dois começaram a se envolver. Apesar de ser detonado pelo críticos, A Lagoa Azul foi um sucesso de público, faturando mais de US$ 58 milhões para um orçamento de 4 milhões e meio de dólares, além é claro, da elogiada cinematografia de Néstor Almendros.

Para homenagear os 40 anos do filme, separamos algumas curiosidades que você talvez não saiba sobre a obra.

 

Foi baseado em um livro

a lagoa azul

O filme homônimo foi baseado no romance de Henry De Vere Stacpoole escrito em 1908. Trazendo bem mais nudez que suas adaptações, a obra é um manifesto de repúdio à vida civilizada pelo que ela tem de mais discutido e combatido; o afastamento da natureza, os embaraços desnecessários, a exploração do homem pelo homem.

 

Não foi a primeira adaptação cinematográfica do livro

Apesar de ser a mais famosa, a versão de 1980 de A Lagoa Azul não foi a primeira adaptação do romance de Henry De Vere Stacpoole. Em 1923, o filme já tinha sido adaptado por William Bowden e Dick Cruickshanks para o cinema mudo.

Logo depois em 1949, o britânico Frank Launder realizou a sua versão (bem mais próxima da versão de 80), estrelado por Jean Simmons e Donald Houston.

 

Foi realmente gravado numa ilha deserta

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Buscando autenticidade, o diretor Randal Kleiser gravou o filme na ilha Turtle, em Fiji, num local que não tinha estradas, água ou eletricidade. “Eu queria chegar o mais perto possível da natureza e fazer com que nossa equipe vivesse quase como os personagens”, explicou Randal em entrevista. Atualmente o local está aberto à visitação.

 

Foi notado em algumas premiações

Apesar de não ser aclamado pela crítica, A Lagoa Azul rendeu alguns prêmios e nomeações como o prêmio Saturno de melhor filme de fantasia. Néstor Almendros foi indicado ao Oscar de melhor fotografia e Christopher Atkins foi indicado ao prêmio de ator revelação no Globo de Ouro (na época em que existia tal categoria).

Em contrapartida, sua companheira de produção Brooke Shields, venceu a Framboesa de Ouro de pior atriz.

 

Romance que ultrapassou as telonas

a lagoa azul

Já que estamos falando dos atores, o diretor Randal Kleiser – pensando na autenticidade que desejava passar com o filme – achou que uma boa química entre seus protagonistas era vital para o sucesso do longa. Assim, o cineasta criou um plano que levou ao breve romance entre os jovens artistas.

Decidido, ele colocou uma foto de Brooke sobre a cama de Christopher. Obrigado a olhar para o rosto de sua parceira todas as noites, o ator logo desenvolveu sentimentos por ela. O plano deu certo, e eles chegaram a viver um curto romance por trás das câmeras.

 

Algumas Polêmicas

Nem só de prêmios e romances viveu a produção de A Lagoa Azul, que também esteve envolta a polêmicas. Na época das filmagens, Brooke Shields tinha apenas 14 anos e Christopher Atkins tinha 18. O fato de os dois se envolverem em um romance com várias cenas sensuais e com poucas roupas gerou diversas críticas – inclusive sendo comparado à pornografia infantil.

Mesmo assim, o diretor e a atriz garantem que utilizaram “dublês de corpo” em diversas cenas de nudez da atriz. A equipe de figurino teve de descobrir uma forma de evitar que a nudez da garota fosse capturada pelas câmeras. Assim, decidiram colar os longos cabelos de Brooke em seu corpo, a fim de esconder seus seios.

 

Rendeu filmes posteriores e menos conhecidos

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Com o sucesso, o filme rendeu sequências tardias e menos lembradas que o original. Em ‘De Volta a Lagoa Azul’ de 1991, dirigido por William Graham e estrelado por Milla Jovovich e Brian Krause, a história é retomada vagamente onde o filme anterior parou, exceto que Richard e Emmaline são encontrados mortos no barco. Seu filho é resgatado e como o nome de Paddy é desconhecido para quem os resgatou, ele é renomeado para Richard.

Ao contrário do filme original, ‘De Volta a Lagoa Azul’ tornou-se um fracasso comercial acumulando um pouco mais de 2 milhões de dólares, considerando seu orçamento de US$ 11 milhões. A sequência, assim como o primeiro filme, também foi mal recebida pela crítica.

O filme também ganhou uma “refilmagem contemporânea”, feita para a TV em 2012. ‘Lagoa Azul: o Despertar’, retrata dois adolescentes contemporâneos, Emmaline Robinson (interpretada por Indiana Evans) e Dean McCullen (Brenton Thwaites), que se perdem em uma ilha deserta.

O protagonista masculino do filme de 1980, Christopher Atkins, aparece no filme como um dos professores da viagem de campo do navio, onde Emma e Dean estão.

 

Onde e como estão os atores hoje?

Mesmo com o sucesso de A Lagoa Azul, Christopher Atkins (considerado um galã na época com seus 18 anos) e Brooke Shields não fizeram tantos papéis de destaque em trabalhos posteriores.

Brooke Shields, aos 54 anos, tem mais de 100 papéis na TV e no cinema. A atriz fez diversas peças na Broadway como Grease e Cabaret, além de participar de séries de sucesso, como Hannah Montana e Two And a Half Men. Entre os trabalhos, fez participação em Friends, apareceu em That ’70s Show e em Law & Order: SVU. Seu trabalho mais recente foi a personagem River Fields em “Jane The Virgin”, em 2019.

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Já Christopher Atkins aos 59 anos, apareceu na série Dallas na década de 1980 e em filmes como Uma Noite no Paraíso. Dois anos após o filme, posou nu para a Playgirl e chegou a investir na carreira de cantor, onde alcançou a posição 72 no ranking das 100 mais tocadas da Billboard em 1983. Hoje, tem uma empresa de instalação de piscinas de luxo e tem como hobby a pesca.

Entre os trabalhos mais recentes, o de maior destaque foi em 2014, quando teve uma participação em CSI.

 

Não sei se você sabe, mas A Lagoa Azul não é o filme mais exibido da Sessão da Tarde

O nosso imaginário por vezes nos engana, e apesar de já ter visto ‘A Lagoa Azul’ trocentas vezes na Sessão da Tarde, ele não é o filme mais exibido das tardes da Globo. Sim, o filme passou bastante, estima-se que cerca de 20 vezes durante estes 40 anos.

Mesmo assim a vantagem do primeiro colocado não é tão longa, e se trata de outro clássico romântico: Ghost: Do Outro Lado da Vida. Sua primeira exibição foi em 1993 e no total, os espectadores tiveram 26 oportunidades de assistir à história de amor entre Sam Wheat (Patrick Swayze) e Molly Jensen (Demi Moore) na Sessão da Tarde.

‘A Lagoa Azul’, foi transmitido no programa 20 vezes, apesar de ter começado antes. Sua primeira exibição na Sessão da Tarde foi em 1987.


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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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