AODISSEIA
Séries

A importante e irreverente POSE

A série mais importante de Ryan Murphy.

31 de julho de 2018 - 16:48 - Tiago Soares

Depois de tudo que conquistou, o maior showrunner da televisão atual Ryan Murphy, poderia muito bem descansar em sua casa de praia com o marido em Laguna Beach na Califórnia. Em vez disso, Ryan criou Pose, uma nova série que já quebra tabus muito antes da estreia. Ryan traz a maior quantidade de atrizes transexuais para uma série de TV ao mesmo tempo em que exalta a cultura Queer, berço de drags como RuPaul e Pabllo Vittar aqui no Brasil.

Só com os ingredientes básicos, Ryan já causaria burburinho, mas esse não é só o seu objetivo. Felizmente ele está interessado em contar uma boa história e em Pose, nós temos uma excelente, além de personagens memoráveis na carreira do criador. Pose conta a história dos famosos bailes no fim da década de 80, e o sacrifício físico e mental que os homossexuais, transexuais e drag queens faziam para ganha-los, além de suas batalhas pessoais.

Murphy apresenta um mundo cercado de glamour, mas também lotado de transfobia (as vezes da próprio comunidade LGBT), e personagens reais envoltos no auge da Aids. As disputas entre Elektra Abundance (Dominique Jackson) e Blanca Evangelista (Mj Rodriguez), são cercadas de veneno, mas também de muito amor e problemas não resolvidos.

Ryan é seguro em sua direção (Eps. 1 e 2/Pilot e Acess), ao mesmo tempo em que é sensível ao entregar nas mãos de Janet Mock (Ep. 6 Love is The Message) – uma mulher negra transexual – o capítulo mais emocionante dessa história. Fotografia, direção de arte e figurinos têm uma qualidade quase que obrigatória em Pose, além de brilharem em conjunto.

Não há vilões em Pose. Na verdade, o vilão principal é o preconceito. Homens brancos, héteros ou gays versus mulheres transexuais negras e gays afro-americanos, que sonham em buscar seu espaço no mercado de trabalho, na vida amorosa e num bar. Quem seria tão covarde a ponto de bater na doce Angel (Indya Moore), no sonhador Damon (Ryan Jamaal Swain) e no irreverente Pray Tell (Billy Porter)?

Pose é essa mistura, e no início achei que Ryan Murphy criaria sua versão da jornada do herói gay, mas felizmente me enganei. Murphy quer atingir todos aqueles que estão sofrendo com tempos intolerantes, ao mesmo tempo em que conta uma boa e empática história. Através de seu texto, diz que esse mal já vem acontecendo há muito tempo – e assim como houve resistência antes – haverá agora. Pois:

“The category is: Live…, Work…, POSE!”