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      • Título: A Espera de um Milagre
      • Autor: Stephen King
      • Ano de publicação: 1996
      • Edição: 2000
      • Editora: Suma das Letras
      • Páginas: 443
      • Gênero: drama com sobrenatural

“…O tempo cuida de tudo, o tempo carrega tudo e no fim tudo o que existe é a escuridão. As vezes encontramos outras pessoas nessa escuridão e às vezes as perdemos lá novamente. Isso é tudo o que sei, salvo que isso aconteceu em 1932, quando a penitenciária estadual ainda ficava em Cold Mountain.

E a cadeira elétrica, é claro.”

À Espera de um Milagre foi o segundo livro da Leitura Coletiva Hail to the King, organizada pelos instagrammers literários Dani, Gabriel e Marcus. O livro foi adaptado para um filme estrelado por Tom Hanks e Michael Clarke Duncan, no ano de 1999.

Para mim essa foi uma releitura, pois havia lido lá por 2004, ainda adolescente, e a reler trouxe algumas mudanças de ponto de vista, principalmente em relação ao racismo atualmente. Como infelizmente vimos recentemente, o preconceito e a violência contra pessoas negras ainda é muito forte, e o livro mostra um pouco mais numa época em que leis de segregação ainda existiam.

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Sobre o que fala À Espera de um Milagre?

À Espera de um Milagre trata de uma história bastante comovente. Em 1932, um homem negro que é acusado e condenado pelo estupro e assassinato de duas meninas. Porém, ao chegar no corredor da morte, o responsável pelos presos, assim como outros guardas, reparam que ele não tem o perfil dos mesmos criminosos que passaram por ali. Apesar de ser um homem enorme, muito alto e musculoso, John Coffey é um homem bastante calmo, quieto e não dá nenhum trabalho para os guardas, morre de medo do escuro e passa muito do tempo ali chorando.

“Quero que você o veja ali, olhando para o teto em sua cela, chorando suas lágrimas silenciosas ou pondo o braço por cima do rosto. Quero que você o fique ouvindo, com seus suspiros que tremiam como soluços e seu ocasional gemido choroso. Esses não eram os sons de agonia e arrependimento que às vezes ouvíamos no Bloco E, gritos agudos com lascas de remorso.”

O livro de À Espera de um Milagre é narrado em primeira pessoa pelo personagem de Paul Edgecomb, chefe dos guardas do Bloco E, onde fica o corredor da morte e a sala de execuções dos prisioneiros condenados, onde fica a cadeira elétrica, apelidada de Velha Fagulha. A leitura de À Espera de um Milagre alterna entre passado e presente, pois Paul é um idoso vivendo em uma casa de repouso e começa a escrever as suas memórias sobre aquele caso.

“Mais uma vez tínhamos destruído aquilo que não éramos capazes de criar.”

Ao longo das páginas, vemos que existe uma coisa misteriosa em relação à John Coffey, que vai sendo revelado com a leitura.

Além desse enredo principal em torno de Coffey, Em À Espera de um Milagre, Stephen King apresenta o dia a dia da convivência entre os guardas e outros presos no corredor da morte ali no livro. Um dos guardas, Percy Wetmore, só está nesse emprego porque é sobrinho do governador, e tem todas as características de um cara extremamente autoritário, irritante e covarde, fazendo da vida dos presos e dos seus colegas guarda seu próprio inferno.

A história mexe com os sentimentos de várias formas, desde ódio pelo Percy, a um misto de asco e pena de alguns dos condenados, mas principalmente por revolta e compaixão em relação à situação de John Coffey.

À Espera de um Milagre ainda mantém alguma daquelas características comuns das estórias de Stephen King, como pensamentos aleatórios e marcas de produtos que eram usados na época. Porém aqui são feitos de forma muito mais amena e organizada que havia sido em Cujo (Stephen King já não estava tão noiado nas dorga).

Apesar da estória não se aprofundar muito no contexto histórico e cultural na época em que se passa, temos um ponto fundamental que é a cultura racista americana, que na época não só era parte da cultura, mas também parte da lei. O livro se passa antes dos movimentos para os direitos civis, antes de Martin Luther King, Malcon X, de forma que não vemos um racismo velado como se tem hoje em dia, apenas racismo e puro ódio a pessoas apenas por ter um tom de pele diferente.

“John Coffey é um negro e no Condado de Trapingus nós somos muito exigentes quanto a permitir novos julgamentos para negros.”

A leitura de À Espera de um Milagre vale a pena?

Eu tento não falar muito da estória para não dar spoiler, pois eu mesma gosto de ler descobrindo a estória aos poucos, em vez de ficar cheia de informações e acabar criando expectativa do que vai acontecer. Stephen King construiu A Espera de um Milagre de forma muito bem estruturada, assim cada nova informação que se tem vai causando um novo sentimento dentro da pessoa durante a leitura, seja de revolta seja de compaixão.

Lembrando de quando eu li pela primeira vez e era uma adolescente que não se informava muito sobre o mundo, ficava aliviada em ver que aquela cultura racista era uma coisa do passado. Hoje em dia, relendo ele, fico muito entristecida em ver que apesar do racismo não estar mais dentro da lei, a cultura permanece e muitas injustiças continuam sendo feitas com a população negra e afrodescendente no mundo.

À Espera de um Milagre é um livro comovente e maravilhoso que apresenta uma história muito bem desenvolvida, com aspectos muito importantes para tratar sobre cultura e racismo, que emocionou muito não só a mim, mas todas as pessoas do grupo de leitura coletiva.

“O que direi se acabar de pé diante de Deus, o Pai Todo-Poderoso, e Ele me pedir que explique por que fiz isso? Que era meu trabalho? Meu trabalho?”

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Livia Salzani

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