AODISSEIA
Livros e HQ's

A Espada do Destino – Saga The Witcher

Resenha do segundo livro da saga The Witcher e minhas impressões com a adaptação da Netflix


29 de janeiro de 2020 - 11:01 - Livia Salzani

Com A Espada do Destino, segundo volume da série de livros de The Witcher, finalizado, finalmente posso dar minhas impressões sobre a adaptação da série da Netflix

 

  • Título: A Espada do Destino
  • Autor: Andrzej Sapkowski
  • Editora: Martins Fontes
  • Páginas: 380
  • Ano: 2012
  • Gênero: Fantasia
  • Quem pode gostar: órfãos de Game of Thrones, Hércules, Xena, e quem cresceu adorando fábulas e contos de fadas mas agora tem que pagar seus boletos.

 


Não sou exatamente uma pessoa muito bem informada em relação a séries e filmes de propósito, pois eu gosto de ser surpreendida e tento saber o mínimo possível. As vezes eu me ferro e esse foi um dos casos, pois não vi que a primeira temporada de The Witcher iria abranger não só o primeiro livro, como também o segundo.

Graças a isso, acabei vendo várias informações na série que não havia lido ainda, e comecei a correr com a leitura para ver se estava mesmo livro ou era spoiler. Como o seriado The Witcher ficou muito bom, era tudo spoiler mesmo.

Vamos à resenha.

O segundo livro continua da mesma forma que o primeiro, dividido em contos com as aventuras do bruxo Geralt de Rívia. Porém, diferente do primeiro volume dos livros de The Witcher, o segundo traz um pouco mais de linearidade na passagem do tempo. Um pouco mais, não 100%. Que fique claro.

Os contos continuam sendo do ponto de vista de Geralt, e mantém as características de fazer releituras de histórias de contos de fadas e trazer histórias originais com clima sombrio de contos de fadas, com bastante violência e cenas de sexo.  Também permanecem as questões abordadas sobre o que faz de uma criatura um monstro, e vemos Geralt várias vezes sendo requisitado para serviços que ele não quer prestar, por causa de seu código de conduta.

 

“Vocês concederam– continuou o doppler, contorcendo os lábios no despudorado sorriso de Jaskier– um limitado direito de assimilação aos anões, ananicos, gnomos e até elfos. Por que sou pior? Por que esse direito me é negado? O que devo fazer para poder viver nesta cidade? “

 

Temos um pouco mais da presença de personagens que apareceram algumas vezes no livro anterior. Temos um pouco mais da presença de Yennefer aqui, participando das aventuras com o bruxo e também mostrando mais do confuso e complexo relacionamento entre os dois. E temos mais do meu novo bardo favorito, Jaskier, que permanece como alívio cômico e contribui para deixar a narrativa bem mais leve.

 

“Ela exige monogamia, assim como todas, enquanto atira sobre mim calças que não são minhas.”

 

Porém, assim como vemos também na série adaptada pela Netflix, tem um foco muito grande no papel do destino. Em todos os contos O Destino está presente, para mostrar que coincidências não existem, tudo está escrito.

 

“A espada do destino tem dois gumes. Um deles é você. E o outro é o quê?”

 

A Espada do Destino é uma boa sequência para O Último Desejo, e complementa alguns fatos que o primeiro livro havia deixado em aberto. O final também fez com que eu ficasse muito, mas muito ansiosa para ler os próximos volumes!

 

a espada do destino saga the witcher

 

Leia Mais

+++ Game of Thrones e seus tons de cinza

+++ Saga The Witcher: O Último Desejo

+++ Selo Graphic MSP: Leitura Obrigatória por aqui


A Espada do Destino e a adaptação da série

Alerta: conteúdo pode ser considerado spoiler.

O ponto mais diferencial e evidente entre os livros e a série é o fato de que os livros acompanham apenas Geralt. Não estou dizendo que as partes que seguem outros personagens, como Ciri e Yennefer, foram inventados. Alguns eventos são relatados a Geralt por outros personagens, e outras coisas conseguimos pegar das entre linhas.

Claro que existem diferenças. Nem todos os contos foram adaptados para série e nem todos os acontecimentos foram como mostrado em The Witcher. Algumas cenas foram acrescentadas, para dar mais emoção talvez, mas em geral achei que foi uma boa adaptação aos livros.

Só não gostei tanto desse jeito 100% antipático do bruxo. A relação dele com Jaskier nos livros é extremamente mais amigável. Geralt sofre tanto preconceito por ser um bruxo, um mutante, passa tanto tempo sozinho ou sendo ofendido, que ele realmente gosta quando as pessoas dão alguma atenção de forma positiva pra ele.

 

“– Há pessoas– respondeu pausadamente Geralt– que prefeririam a companhia de um leproso à de um bruxo.”

 

Ele fica com um pé atrás quando conhece alguém? Sim, claro, já sofreu muito nessa vida. Mas quando alguém chama ele pra tomar uma e se oferece pra andar com ele por aí, ele fica feliz com a companhia. Essa imagem de herói ranzinza e lobo solitário que foi construída é algo que eu acho extremamente desnecessária. Seria só por que fazer cara de bravo deixa o Henry Cavill mais sexy?

Por fim, gostei muito da criação dos cenários (afinal, eu sou arquiteta, tenho que elogiar os cenários) que realmente conseguiram me transportar para aquilo que eu imaginava nos livros, achei o trabalho com o figurino muito bem feito, assim como a maquiagem. E a música que o Jaskier canta é simplesmente mais chiclete que hit de carnaval!

 

A espada do destino The Witcher

Faltou o chapéu com pena.

 

Enfim, essas foram as minhas considerações sobre o livro e adaptação de The Witcher. Se você ainda não assistiu corre lá para Netflix. E se você assistiu e não consegue esperar 2021 para saber o que aconteceu, corre pra ler os livros. Você pode encontrá-los em formato físico ou digital aqui.

Aqui é a Liv do Resenhas Caóticas, e se você quer acompanhar mais as minhas leituras, me siga no Instagram @ResenhasCaóticas.

Obrigada e até a próxima!