0

Mais um filme espanhol com viés social da Netflix, “A Casa” evidencia a ambição de um homem pelo poder e os males do capitalismo


pa.ra.si.ta

pɐrɐˈzitɐ

nome masculino

  1. BIOLOGIA organismo que vive de ou noutro ser vivo (o hospedeiro), de quem obtém alimento e a quem causa dano

2.figurado, pejorativo pessoa que vive à custa de outrem


O conceito de parasita esteve conosco desde a infância. Quem não lembra dos livros de ciência com a famosa imagem de um parasita na cabeça de uma formiga, claramente não viveu o ensino fundamental no máximo. Na juventude esse conceito se resumiu aquele seu amigo que usa sua conta emprestada da Netflix, sugando quem paga a conta. Recentemente, parasita parece ter ganhado um significado mais sério, e é isso que “A Casa”, novo filme espanhol da gigante do streaming quer alertar.

Na trama, Javier Muñoz é um executivo de sucesso que outrora criou comerciais e campanhas publicitárias invejáveis, daquelas que mostram uma família feliz e uma luz estourada num comercial de margarina. Desempregado há 1 ano, ele faz cursos de empreendedorismo, vai acumulando “nãos” em várias entrevistas e por ser um bom profissional, se sente humilhado pelas migalhas jogadas.

Quando perde sua casa e precisa se mudar para um lugar mais humilde com sua esposa e filho, Javier ver a oportunidade de entrar na vida dos novos habitantes de seu antigo lar, fazendo amizade com Tomás (Mario Casas) e sua família. Aos poucos, a realidade dura de Javier e a vida que tanto projetou em seus comerciais se entrelaçam.

É nítido que a visão anti-capitalista de “A Casa”, está disposta a tocar na ferida, criticando duramente a busca pelo ideal de vida perfeita. O modo de vida americano, ou o famoso “american dream” tem sido debatido a cada dia, já que ao não alcança-lo, várias pessoas se frustram, tornando os EUA um dos países com o maior número de suicídios.

Mas, estamos na Espanha em “A Casa”, o que demonstra que tal visão já ultrapassou as barreiras americanas. O filme dos irmãos David e Àlex Pastor abomina as facilidades do dinheiro e da vida mansa, ao mesmo tempo em que faz de sua produção um clichê do “plano perfeito”. É impressionante como tudo dá certo para Javier.

a casa

Muito se deve ao carisma do premiado ator espanhol Javier Gutiérrez, que tem o tempo de tela em sua maior parte e domina o texto como ninguém. A repulsa pelo seu personagem é imediata, e um desavisado pode sim gerar empatia por essa figura tão abominável. Não estamos diante de um vilão clássico, mas uma pessoa aparentemente comum, moldada pelo sistema que a envolve, quase um coaching.

No terceiro ato, a inclusão de uma subtrama não acrescenta em nada, e parece que foi criada para que o protagonista tenha uma figura mais desprezível que ele na balança. A fotografia, a direção o design de produção de “A Casa”, são dignos de um grande filme, apesar do texto trazer certas conveniências.

A torneira pinga na casa humilde e na casa luxuosa. Os problemas não se vão tão facilmente. Não se pode esconder por muito tempo aquilo que é.

product-image

A Casa

9

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

A Vida e a Historia de Madam CJ Walker

Previous article

Como comprar livros com descontos

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in Filmes